Pterígio no Olho – O Que é, Causas, Colírio, Tratamento, Cirurgia e Cuidados

Especialista:
atualizado em 16/01/2020

Popularmente conhecido como “carninha no olho”, o pterígio é um distúrbio que afeta até 25% da população de alguns países. Sua principal característica é o crescimento de um tecido carnudo e rosado no olho, que em alguns casos pode desenvolver problemas de visão, desconforto causado por secura, inflamação, irritação e incômodo por causa da presença da carne que naturalmente não faz parte do olho, além de ser uma preocupação estética considerável para as pessoas que são acometidas pelo problema.

Abordaremos aqui informações sobre o pterígio no olho, a fim de entender melhor o que é, causas e também os tratamentos disponíveis para o problema. Também explanaremos alguns cuidados necessários para essa condição.

Pterígio no olho – O que é?

O termo pterígio vem do grego e significa “pequena asa”. Ele é um crescimento da conjuntiva ou membrana mucosa que cobre a parte branca do olho sobre a córnea. Embora pareça assustador, essa “carne” é benigna e geralmente não causa problemas ou requer tratamento, exceto se comprometer a visão de alguma forma.

Comumente, forma-se no lado mais próximo ao nariz e cresce em direção à área da pupila, e o crescimento pode acontecer gradualmente e se espalhar lentamente durante os anos. Muitas pessoas percebem que ele pode parar de avançar em um determinado momento. O crescimento pode acontecer em um olho ou nos dois, e quando está presente em ambos é chamado de pterígio bilateral.

Ele não é classificado como uma condição séria, mas pode causar sintomas incômodos. Algumas pessoas podem precisar de tratamento médico ou cirúrgico, especialmente quando o pterígio cobre todo o olho, causando problemas de visão.

Causas

O que causa exatamente o pterígio no olho ainda é desconhecido, mas percebe-se que ele é o resultado da exposição excessiva à luz ultravioleta (UV). A incidência é mais frequente em pessoas que vivem em climas quentes e passam muito tempo ao ar livre em ambientes ensolarados ou ventosos – justamente por isso é chamado por muitos de “olho de surfista”.

Porém, afeta também as pessoas cujos olhos estão expostos a certos elementos que impulsionam as chances de desenvolver essa condição. Esses elementos são: pólen, areia, fumaça e vento.

Sintomas

O fato de ter pterígio no olho não significa que você terá sintomas, mas algumas pessoas podem experimentar alguns leves, que geralmente são:

  • Queimação;
  • Coceira;
  • Visão turva;
  • Olho vermelho;
  • Irritação.

Se o crescimento atingir a pupila do olho (córnea), ele poderá deixar a visão embaçada ou dupla. Se for espesso ou grande, pode incomodar e causar a sensação de que existe alguma coisa estranha no olho, sem contar que também pode interferir no uso de lentes de contato, por causa do desconforto provocado.

Como é feito o diagnóstico?

O pterígio no olho pode ser diagnosticado sem dificuldades. Durante uma consulta, o oftalmologista pode realizar um exame físico usando uma lâmpada específica, que permite que o médico veja o olho de forma maior e mais iluminada. No entanto, se restar alguma dúvida, o oftalmologista pode realizar exames adicionais, tais como:

  • Teste de acuidade visual: Faz a leitura de cartas em um diagrama de olho.
  • Topografia da córnea: É uma técnica de mapeamento médico realizada para medir as mudanças de curvatura na córnea.
  • Documentação da foto: É um procedimento que envolve tirar fotos para acompanhar a taxa de crescimento do pterígio.

Como é feito o tratamento?

Um pterígio no olho com sintomas leves dificilmente precisa de um tratamento, e o médico oftalmologista fará um acompanhamento ocasional para entender se existe um crescimento e se está causando problemas de visão. Já os casos em que ele bloqueia a visão ou causa um desconforto grave podem ter outra abordagem. Veja as principais opções de tratamento:

1. Proteção contra a radiação ultravioleta

Se o pterígio no olho for pequeno, indolor e não causar problemas de visão, o oftalmologista pode simplesmente recomendar o uso de óculos de sol e também de chapéu quanto estiver ao ar livre. Isso pode funcionar porque proteger o olho da radiação ultravioleta impede o crescimento do pterígio. 

Óculos de sol grande e num formato que “envolve” todo o olho também protegem contra a luz ultravioleta que brilha nos lados da face. Se esse cuidado for o suficiente para impedir o avanço do pterígio no olho, ele fará um acompanhamento a cada um ou dois anos para se certificar de que não está crescendo.

2. Medicamentos oftalmológicos

Algumas pessoas experimentam muita irritação ou vermelhidão no olho por causa do pterígio. Se isso acontecer, o médico vai receitar o uso de colírio ou de pomadas oculares que contenham corticosteroides. Esse medicamento é capaz de reduzir a inflamação, e isso diminui consideravelmente os sintomas.

3. Cirurgia

Se o tratamento com colírio ou pomadas oculares não surtir os efeitos esperados, o médico pode recomendar um tratamento mais invasivo, que é a cirurgia. Ela também pode ser feita quando um pterígio causou a perda de visão ou uma condição chamada astigmatismo, que deixa a visão embaçada. 

Antes de realizar a cirurgia, o oftalmologista discutirá todos os riscos que estão associados a esse procedimento. Por exemplo, o olho também pode ficar seco e irritado constantemente após a cirurgia, e em alguns casos o pterígio pode voltar, após ser removido cirurgicamente. Considerando essas possibilidades, o médico costuma prescrever medicamentos para aliviar e reduzir o risco de um pterígio voltar a crescer.

Normalmente, a cirurgia demora em torno de 30 a 45 minutos, e é feita em ambiente ambulatorial, com anestesia local ou tópica com sedação, se necessário. Durante o procedimento, o pterígio no olho é removido, e o médico usa o tecido da conjuntiva ou da placenta para preencher o espaço que fica vazio depois que a lesão desaparece. 

O preenchimento costuma ser colado ou costurado na área afetada, e ainda que pareça desagradável enxertar tecido em seu olho, essa condição pode diminuir significativamente as chances do crescimento retornar.

Após a cirurgia, é preciso usar um tampão por um ou dois dias, e também um colírio esteroide, que deve ser usado por várias semanas ou meses. 

É recomendado usar óculos de sol todas as vezes que estiver exposto ao ar livre após o procedimento. Também deverá ser realizado um acompanhamento frequente, pois a maioria dos pterígios costuma retornar nos 12 meses subsequentes à cirurgia.

Podemos considerar que também existe a possibilidade de realizar uma cirurgia apenas por questões estéticas, mas o médico analisará pontualmente para considerar os riscos.

Recorrência

Alguns estudos mostram taxas de recorrência de até 40%, mas outros relataram taxas de 5%, um percentual considerado muito baixo. Os resultados das pesquisas também mostraram que as taxas mais altas de recorrência foram percebidas naqueles que tiveram pterígios removidos durante os meses de verão, e isso pode estar associado a uma incidência relativamente maior de exposição à luz solar.

Também foi percebido que as cirurgias que usam a técnica de autoenxerto autólogo conjuntival – que envolve colar um pedaço de tecido ocular superficial na área afetada – demonstraram reduzir de forma segura e eficaz o risco de recorrência do pterígio no olho.

Além disso, uma droga que pode ajudar a limitar o crescimento anormal de tecidos e cicatrizes durante a cicatrização de feridas, como a mitomicina C, também pode ser aplicada topicamente no momento da cirurgia ou posteriormente, e ela demonstra reduzir o risco de recorrência do pterígio.

Cuidados

Se você já tem um pterígio no olho, precisa evitar ou limitar a exposição a alguns fatores para retardar o seu crescimento. Os principais cuidados são:

  1. Evitar pegar muito vento;
  2. Ter o mínimo de contato com a poeira;
  3. Proteger-se contra o pólen, especialmente nas épocas em que ele é mais presente no ambiente;
  4. Não receber fumaça nos olhos;
  5. Proteger os olhos da luz solar.

Adotar esses cuidados também pode ajudar a evitar que o pterígio volte, se você tiver feito a cirurgia para remover.

Dicas para evitar pterígio no olho

O pterígio no olho pode ser evitado. Adotar alguns cuidados simples já é o suficiente para não ter que gerenciar esse tipo de problema.

– Use óculos de sol

Os óculos de sol são vendidos nos mais diversos modelos e cores, além de ser um acessório indispensável para completar o look de muitas pessoas. E como vimos, ele pode sem dúvida ajudar, não somente a tratar, mas também a prevenir o pterígio no olho.

Porém, tenha em mente que para obter esses efeitos, os óculos escolhidos devem oferecer 100% de proteção contra os raios UVA e UVB. Na hora de comprar, procure ler as descrições ou se informar com o vendedor da loja para ter certeza de que o produto que você escolheu oferece essa proteção.

Outro cuidado importante é que ele deve cobrir todo o olho, incluindo as laterais, portanto evite aqueles que só protegem a frente e deixam “brechas” para que a luz solar entre.

Se você trabalha ao ar livre ou fica exposto ao sol boa parte do dia, os óculos tornam-se um acessório fundamental, considerando que os riscos são ainda maiores.

– Evite poluentes químicos, cigarro, poeira e vento

Como citamos, além do sol, a exposição a algumas substâncias irritantes ambientais podem causar o pterígio no olho. A fumaça, poeira e poluentes químicos entram nos olhos, e o resultado é uma irritação e crescimento do pterígio. Diante disso, certifique-se de proteger os seus olhos desses poluentes, e sempre que possível evite lugares que te deixarão expostos a esses irritantes.

Palavras finais

Na maioria das vezes, o pterígio no olho não causa grandes preocupações, mas se ele crescer pode impactar consideravelmente a sua visão. Nesses casos, um médico oftalmologista deve ser consultado para entender se apenas um colírio será o suficiente ou se será recomendada uma abordagem mais invasiva para tratar o seu caso.

Se você não tem o problema e pretende evitar, procure usar óculos de sol sempre que estiver ao ar livre, e também evite a exposição a poluentes que pode estimular o crescimento.

Fontes e Referências Adicionais:

Você já teve um pterígio no olho alguma vez? Como foi o tratamento? Precisou realizar cirurgia para retirada? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Haroldo Vieira de Moraes Junior

Dr Haroldo se formou em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1981. Em seguida concluiu Mestrado em Oftalmologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1986 e Doutorado em Oftalmologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1994. Pos-Doutorado no National Eye Institute do National Institutes of Health (NIH/NEI) durante 1998/1999 e Livre Docente em Oftalmologia pela Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP (2001), atualmente é Professor Titular de Oftalmologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Oftalmologia clinica e cirúrgica, atuando como Coordenador de Pos-Graduacao em Oftalmologia com área de atuação em inflamação ocular (uveites, sarcoidose e toxoplasmose). Dr. Haroldo é uma referência profissional em sua área e autor de artigos científicos. Para mais informações, entre em contato com ele.

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2 comentários em “Pterígio no Olho – O Que é, Causas, Colírio, Tratamento, Cirurgia e Cuidados”

  1. Tive pterígio primeiro no olho direito.tive que fazer a cirurgia é depois tive que fazer seções com leizer.depois de 34 anos fiz a do olho esquerdo.10 anos atrás.só que até hoje sinto os sintomas ainda nos dois olhos.sera que está voltando novamente?