Um estudo apresentado na reunião anual da Sociedade de Radiologistas da América do Norte (RSNA), que ocorreu em Chicago, revelou uma relação um tanto inesperada entre o bumbum e o controle de glicose do organismo. A análise de radiologistas inglesas demonstrou que mudanças no formato do glúteo podem indicar diabetes tipo 2 e que seus sinais metabólicos são distintos em homens e mulheres.

A pesquisa descreveu padrões inéditos no glúteo máximo (musculatura da parte superior do bumbum) em relação ao controle do açúcar no organismo. Essa região é um dos maiores músculos do corpo humano e responsável, em boa parte, pela movimentação das pernas.
Como foi feita a relação
A equipe não focou no tamanho, mas no formato do glúteo revelado em um 3D por ressonância magnética. As cientistas utilizaram 61 mil exames do UK Biobank para comparar as imagens e formar modelos tridimensionais detalhados, observando somente o músculo.
As profissionais perceberam que, quanto mais músculo na região, menor a chance de ter diabetes. “Pessoas com melhor condicionamento físico, apresentaram um formato de glúteo máximo mais pronunciado, enquanto envelhecimento, fragilidade e longos períodos sentados foram associados à perda de massa muscular na região”, pontuou a médica Marjola Thanaj, uma das coautoras do estudo.
No entanto, muito músculo também está longe de significar um bumbum avantajado. “Ao contrário de estudos anteriores que analisavam principalmente o tamanho dos músculos ou a gordura, usamos o mapeamento de forma 3D para identificar exatamente onde o músculo muda, fornecendo uma imagem muito mais detalhada”, esclareceu.
As pesquisadoras analisaram 86 variáveis ligadas a mudanças no músculo. O cruzamento das informações mostra que a forma muscular reage a fatores biológicos de maneira diferente entre os sexos.
Nos voluntários com diabetes tipo 2, as pesquisadoras encontraram padrões opostos: os homens mostraram atrofia focal no glúteo máximo quando não tinham bom controle de sua glicose, enquanto as mulheres apresentaram expansão do músculo, provavelmente por infiltração de gordura na massa muscular.
Essa diferença sugere respostas biológicas distintas para a mesma doença. Entretanto, a equipe afirma que os dados revelam padrões que ainda pedem maior aprofundamento científico.
A diabetes tipo 2 apresentou assinaturas estruturais específicas. Em homens, a presença da doença foi ligada à retração de cerca de 0,4 mm em áreas focais. Em mulheres, a alteração mostrou expansão de até 0,49 mm.
Ademais, o baixo consumo de álcool e muita atividade física foram associados á expansão do músculo, portanto, não é somente a diabetes tipo 2 que atinge o formato do glúteo. Idade, osteoporose e tempo sentado, porém, apareceram ligados à retração. A associação indica que a forma muscular reage a influências metabólicas e comportamentais.
