Escolhas de alimentação para grávida

10 Dicas de Dieta para Diabetes Gestacional

A Diabetes Gestacional caracteriza-se por elevados níveis de glicose na corrente sanguínea de mulheres que não apresentavam diabetes antes da gravidez. Estima-se que até 9% das gestantes possam vir a sofrer com a diabetes durante a gestação.

A diabetes gestacional normalmente aparece na segunda metade da gravidez, por volta da 24ª. semana.

O primeiro passo para evitar ou tratar a diabetes gestacional é modificar a alimentação, de modo a conseguir controlar e manter estáveis os níveis de açúcar no sangue. Uma dieta para diabetes gestacional deve priorizar alimentos naturais e integrais, limitando ao máximo o consumo de carboidratos refinados, açúcares e alimentos processados.

Entendendo a Diabetes Gestacional

Para poder evitá-la, é importante saber primeiramente o que causa a diabetes gestacional.

Um dos motivos que levariam a gestante a desenvolver a diabetes seria a produção de alguns hormônios pela placenta. Durante a gestação, esses hormônios têm a função de promover o desenvolvimento do bebê. No entanto, eles também acabam por reduzir a ação da insulina no organismo. Essa condição é conhecida como resistência a insulina. Lembrando que a insulina é um hormônio secretado pelo pâncreas, que permite que o açúcar presente na corrente sanguínea seja captado e utilizado pelas células para a produção de energia.

Quando isso ocorre, o pâncreas materno passa então a secretar mais insulina, mas em algumas mulheres essa quantidade ainda não é suficiente. Como resultado, a glicose não consegue entrar nas células e acaba permanecendo no sangue. Está então caracterizada uma situação de hiperglicemia, definida por altos níveis de glicose na corrente sanguínea.

Se o bebê ficar exposto a uma grande quantidade de glicose, há o risco de ocorrer uma macrossomia fetal, ou seja, um crescimento fetal excessivo. Isso pode levar à ocorrência de hipoglicemia neonatal, problemas respiratórios, partos traumáticos ou mesmo predispor o bebê a diabetes e obesidade na vida adulta.

Como evitar ou tratar a diabetes gestacional

Uma vez que as alterações hormonais que ocorrem durante a gestação podem elevar os níveis de açúcar no sangue, é importante que você modifique seus hábitos alimentares e tenha uma dieta para diabetes gestacional, que ajude a estabilizar essas taxas.

Como as necessidades nutricionais são maiores durante a gravidez, a alimentação deve ser equilibrada para garantir todos os nutrientes necessários à saúde do bebê e da gestante. No entanto, isso não significa comer por duas pessoas ou consumir qualquer tipo de alimento impunemente.

Mais importante que a quantidade, o que você deve levar em consideração é a qualidade dos alimentos que farão parte do seu cardápio de gestante.

Veja abaixo 10 dicas de dieta para diabetes gestacional.

Fique atenta aos carboidratos

Os carboidratos presentes nos alimentos são convertidos em energia pelo organismo, permitindo que ele execute corretamente todas as suas funções. Por esse motivo, os carboidratos são muito importantes para você e para o desenvolvimento do seu bebê.

No entanto, devido à sua capacidade de alterar drasticamente as taxas de açúcar no sangue, os carboidratos devem ser consumidos com atenção. A quantidade e a qualidade dos carboidratos devem ser observadas com cuidado em uma dieta para diabetes gestacional.

Os carboidratos podem ser divididos entre os de alto índice glicêmico e os de baixo índice glicêmico. Carboidratos de alto índice glicêmico são aqueles rapidamente absorvidos pelo organismo, que provocam uma grande elevação da glicose sanguínea. Já os carboidratos de baixo índice glicêmico possuem lenta digestão, não causando grandes variações nos níveis de glicose na corrente sanguínea.

Entre os principais alimentos ricos em carboidratos de alto índice glicêmico, temos: pão branco, doces, macarrão e arroz branco. Este tipo também é chamado de carboidrato refinado, pois perdeu suas fibras durante o processamento.

Verduras, leguminosas (feijão, grão-de-bico, lentilha), algumas frutas (maçã, abacate, ameixa, goiaba) e arroz integral são alimentos com baixo índice glicêmico.

Além de trocar os carboidratos refinados pelos complexos, também fique atenta à quantidade total de carboidratos que está consumindo diariamente. Uma consulta com a nutricionista poderá lhe ajudar a estabelecer quantas gramas por dia você deve consumir de carboidratos para manter uma gestação saudável.

Divida as Refeições

Comer muito de uma só vez elevará rapidamente os níveis de açúcar no seu sangue. Para evitar que isso ocorra, ao invés de comer muito no café-da-manhã, almoço e jantar, experimente dividir sua alimentação em três refeições principais e dois lanches menores.

Tome cuidado para não continuar comendo como antes e simplesmente acrescentar mais duas refeições. Diminua as porções das grandes refeições e complemente o total diário de calorias com as refeições menores.

Corte o açúcar

A gravidez não deve servir como desculpa para você comer todos os doces que antes evitava. Além de serem saturados de carboidratos, os doces costumam ser ricos em gordura e totalmente pobres em nutrientes. Para evitar as variações de glicose, elimine ou limite ao máximo o consumo de bolos, tortas, refrigerantes e sorvetes.

Consuma frutas com moderação

As frutas são excelentes para a saúde e oferecem inúmeros nutrientes para o bebê, mas devido ao seu alto conteúdo de açúcar, devem ser consumidas com moderação.

Prefira as frutas com baixo índice glicêmico, que não causarão grandes alterações nos níveis de glicose. Opções como pera, cereja, figo, tangerina, goiaba, abacate, pêssego, damasco e maçã possuem menores teores de açúcar e devem fazer parte da sua dieta para diabetes gestacional.

Consuma carboidratos com proteínas

Uma dieta para diabetes gestacional deve incluir em todas as refeições uma combinação de proteínas e carboidratos complexos, ricos em fibras.

Quando consumidos em conjunto, as proteínas tornam mais lenta a absorção dos carboidratos. E como já vimos, carboidratos lentamente absorvidos não causam um grande aumento nos níveis de glicose sanguínea.

Para incluir mais proteínas na sua alimentação, troque a geleia das torradas por um patê de ricota com cheiro verde, ou ainda por uma pasta de grão-de-bico.

Limite o consumo de suco de frutas

As frutas possuem muito açúcar, mas a natureza se encarregou de que elas tivessem também muitas fibras. Quando se consome uma fruta inteira, suas fibras tornam a digestão mais lenta, impedindo um grande aumento de açúcar no sangue.

O suco, no entanto, praticamente só contém o açúcar da fruta. Além disso, no caso da laranja, são necessárias de 4 a 5 unidades para fazer um único copo de suco. Você provavelmente ficaria satisfeita com uma unidade da fruta, mas acaba consumindo muito mais que isso sem perceber.

E já que o açúcar altera os níveis de glicose, após um copo de suco você provavelmente sentirá fome, mesmo que tenha acabado de comer. Portanto, escolha sempre que possível a fruta inteira, e evite a todo custo os sucos “naturais” de caixinha dos supermercados. Além de conservantes, são cheios de açúcar adicionados, e muitos sequer possuem uma quantidade razoável do suco natural da fruta.

Não pule o café da manhã

Devido a variações que ocorrem normalmente nos níveis hormonais, pode ser um pouco mais difícil controlar os níveis de açúcar no sangue assim que você acorda. Aposte em um café-da-manhã que inclua carboidratos complexos, como o pão integral ou a batata doce, por exemplo, para ajudá-la a estabilizar a glicose.

As proteínas são fundamentais em qualquer fase da vida, mais ainda mais na gravidez, quando um novo ser está se formando. Inclua opções como patê de atum light, ricota, cottage, leite desnatado ou peito de peru na sua primeira refeição.

Opte pelas gorduras boas

As gorduras não devem ser eliminadas em uma dieta para diabetes gestacional. Além de serem importantes para a formação do bebê, contribuem para a saúde cardiovascular da gestante e ajudam a controlar o apetite.

No entanto, deve-se reduzir ao máximo o consumo de gorduras saturadas, dando preferência a gorduras “do bem”, como o azeite, nozes, Ômega 3 (presente na linhaça e em peixes), e a gordura do abacate. E por falar em abacate, outro motivo para você consumir a fruta durante a gravidez: ele é fonte natural de ácido fólico, uma vitamina importante para prevenir a má formação do bebê.

Coloque no seu cardápio laticínios light, frango sem pele e carnes magras. E obviamente evite ao máximo consumir frituras.

Consuma mais fibras

As fibras presentes nas verduras, legumes e cereais integrais tornam a digestão mais lenta, colaborando para manter estáveis os níveis de açúcar no sangue. Inclua verduras e legumes em todas as suas refeições, já que são ricos em vitaminas e minerais e também promovem maior saciedade.

E as fibras também auxiliam no funcionamento intestinal. Durante a gravidez, muitas mulheres acabam sofrendo com prisão de ventre, devido a fatores como variações hormonais, aumento do útero, suplementação de ferro, entre outros. Para acabar com a constipação, consuma mais alimentos ricos em fibras, como os cereais integrais, verduras, legumes e frutas de baixo índice glicêmico. Tente incluir de 3 a 5 porções por dia no seu cardápio, sempre seguindo as orientações da nutricionista.

Movimente-se

A gravidez não deve ser utilizada como uma desculpa para o sedentarismo. A menos que você tenha indicação médica para ficar de repouso, levante e se exercite. Uma caminhada leve ou exercícios na piscina podem ajudar você a controlar os níveis de açúcar no sangue, além de impedi-la de engordar exageradamente durante a gravidez.

Antes de iniciar um programa de atividades físicas, converse com seu médico sobre quais atividades estão liberadas para você.

Teste sua glicose sanguínea

Se você está pensando em engravidar, peça antes ao seu médico para testar o seu nível de glicose em jejum. Dessa maneira, você poderá tomar as precauções necessárias para evitar maiores problemas durante a gestação.

É importante também que você mantenha um peso saudável e mantenha-se ativa, pois o excesso de peso pode levar a alterações no mecanismo de funcionamento da insulina no organismo.

Vídeo:

E aí, gostou das dicas?

Referências adicionais:

Você já diagnosticou a diabetes gestacional durante a gravidez? O que precisa mudar em sua alimentação? Comente abaixo!

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Revisão Geral pela Dra. Patrícia Leite


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