Hiperglicemia – O que é, sintomas e o que fazer

Especialista:
atualizado em 05/02/2021

A hiperglicemia é um problema que vem atingindo cada vez mais pessoas, e saber o que ela é, assim como se deve tratar esse problema é extremamente importante.

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Ela está associada a problemas com a liberação e a sensibilidade à insulina, e ocorre porque o corpo não consegue retirar a glicose da circulação e enviá-la para dentro das células.

Assim, há o aumento da quantidade de glicose no sangue, que causa uma série de sintomas, além de ser um fator de risco para o desenvolvimento de outros problemas de saúde.

Por isso, vamos entender melhor o que é a hiperglicemia, quais são seu sintomas e o que fazer quando se identifica o problema.

O que é hiperglicemia?

medindo da glicose

A hiperglicemia é, de forma simplificada, uma grande quantidade de glicose no sangue, que ocorre por dois fatores principais:

Independentemente da causa, a consequência é um aumento da quantidade de glicose na corrente sanguínea, que é o que chamamos de hiperglicemia.

Valores ideais de glicemia

De acordo com o Grupo Fleury, os valores ideais de glicemia em jejum devem ficar entre 70 e 99 mg/dl.

Já a glicemia pós-prandial, que é o nome dado à glicemia após as refeições, idealmente deve ficar abaixo de 140 mg/dl.

Mas em para pacientes diabéticos, um valor de até 180 mg/dl é tolerado.

Hiperglicemia x Hipoglicemia

Pessoas com diabetes tipo 1, e algumas com o tipo 2 em estágio mais avançado podem sofrer tanto com episódios de hiperglicemia quanto de hipoglicemia, devido à dificuldade do corpo de lidar com o açúcar e com a insulina.

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Assim, é muito comum haver uma confusão entre esses dois estados, principalmente por quem não tem experiência em lidar com isso.

Mas, a diferença se dá no valor da glicemia:

  • Hipoglicemia: Ocorre quando há níveis baixos de glicose no sangue, e pode ser causada por uma administração excessiva de insulina, falta de alimentação adequada ou mesmo um exagero na atividade física;
  • Hiperglicemia: É o excesso de glicose na corrente sanguínea, causada pela falta da insulina ou pela resistência do corpo a seus efeitos. Outra causa, embora não leve a quadros graves, é o excesso repentino de consumo de açúcares.

Causas da hiperglicemia

Embora esteja habitualmente associada ao diabetes, a hiperglicemia pode ser provocada por outros fatores, como a ação de alguns medicamentos.

1. Diabetes

Essa é a causa mais comum da hiperglicemia, que pode levar a esse quadro devido a:

  • Falta de insulina, como no caso do esquecimento ou a aplicação de uma quantidade menor que a necessária do hormônio;
  • Pela dificuldade de as células reagirem ao hormônio, no caso da resistência à insulina;
  • Ou em pessoas que ainda não tem o diagnóstico, mas já apresentam sintomas da hiperglicemia.

Quando isso ocorre, não há como as moléculas de glicose entrarem nas células, e elas acabam se acumulando no sangue.

2. Estresse

De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes o estresse leva à liberação de diversos hormônios, que tem como objetivo preparar o organismo para “atacar ou correr”. Assim, o corpo precisa de uma quantidade maior de glicose nos músculos, e por isso aumenta a glicemia.

Mas, quando, por algum motivo, esse açúcar não consegue entrar nas células, seja pela falta de insulina ou pela resistência a ela, tem-se um episódio de hiperglicemia induzida pelo estresse.

Além disso, outras condições de saúde podem levar a esse tipo de hiperglicemia, como no caso de algumas doenças cardiovasculares agudas.

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Nessas situações, o corpo gera uma reação inflamatória e hormonal que acaba causando a hiperglicemia, e que tende a ser bem grave.

3. Medicamentos

Alguns remédios têm como efeito colateral o aumento dos níveis de glicose no sangue.

Os principais são:

  • Corticoides, que são os medicamentos que mais comumente causam essa reação;
  • Alguns anticoncepcionais, principalmente os que contém uma dose mais elevada de hormônios;
  • Imunossupressores, que são os medicamentos usados para evitar a rejeição de órgãos transplantados;
  • Alguns antipsicóticos, principalmente os mais potentes.

4. Outras causas

Embora sejam mais raras e de gravidade menor, existem outras causas que podem levar à hiperglicemia, como:

  • Excessos alimentares;
  • Alterações hormonais que não sejam causadas por medicamentos;
  • Uso de alguns suplementos alimentares.

Sintomas da hiperglicemia

Ao contrário da hipoglicemia, que tem início súbito, a hiperglicemia pode demorar para causar sintomas, que costumam ser notados apenas quando os valores da glicemia ultrapassam 200 ml/dl.

Mas existem situações nas quais o início da hiperglicemia é súbito, normalmente em pessoas com diabetes descompensada.

Os principais sintomas são:

  • Urinar frequentemente, principalmente à noite;
  • Sede constante;
  • Visão embaçada;
  • Fadiga;
  • Dores de cabeça;
  • Episódios recorrentes de tontura;
  • Perda de peso sem motivo aparente.

Entretanto, quando a hiperglicemia não é tratada, o estado de saúde da pessoa se agrava, podendo ocorrer sintomas como:

  • Enjoo e vômitos;
  • Falta de ar;
  • Hálito adocicado;
  • Sonolência;
  • Tontura;
  • Cansaço;
  • Boca e pele secas;
  • Desmaios.

E, se o tratamento não for iniciado logo, a hiperglicemia pode evoluir para um quadro conhecido como cetoacidose diabética, que pode levar ao coma e mesmo à morte.

O que fazer?

1. Se você não é diabético

Quem tem o medidor de glicose em casa pode fazer uma auto verificação levando em consideração os valores ideais de glicemia mencionados no início do artigo.

Mas, se você não tem como medir a glicemia e apresenta os sintomas citados acima com frequência, procure atendimento médico.

E é importante listar todos os sintomas apresentados, além dos hábitos alimentares, de exercícios e medicamentos em uso. Assim, você facilita um possível diagnóstico médico, e pode iniciar o tratamento o mais rápido possível.

2. Para os diabéticos

Para as pessoas que já receberam o diagnóstico de diabetes, o fundamental é medir a glicose do sangue pelo menos três vezes por dia: antes das principais refeições e logo antes de se deitar.

Caso seu nível de glicose esteja acima de 240 ml/dl, é importante procurar atendimento médico, principalmente se estiver apresentando sintomas.

Diagnóstico da hiperglicemia

O diagnóstico médico de hiperglicemia e diabetes é feito a partir de exames laboratoriais, que incluem:

  • Glicemia de jejum;
  • Hemoglobina glicada, que é um exame que serve para verificar se a hiperglicemia já vem ocorrendo há algum tempo, ou se é algo pontual;
  • Exames de urina, para verificar a presença de glicose e outros componentes.

Outros exames podem ser solicitados, a depender do caso apresentado, do histórico familiar e da presença de outros problemas de saúde.

Prevenção e tratamento da hiperglicemia

atividades físicas corrida
A atividade física é uma maneira de combater a hiperglicemia

Após a descoberta da hiperglicemia ou um diagnóstico de diabetes, é normal ficar sem saber o que fazer.

Por isso, preparamos algumas pequenas dicas, para te orientar nesse período que pode ser bastante confuso.

Primeiramente, siga as orientações médicas. Ao passar pela consulta o médico pode ter feito algumas sugestões quanto ao tratamento, que podem ou não incluir o uso de medicamentos.

Mas, de forma geral, algumas recomendações são constantes, como:

1. Fazer atividade física

Os exercícios físicos moderados são ótimos para diminuir as taxas de açúcar no sangue, pois o corpo precisa utilizar a glicose como fonte de energia para os músculos. Apenas não se esqueça de consultar um profissional antes de iniciar uma rotina de exercícios.

2. Mude sua alimentação

Essa dica serve tanto para quem já tem o diagnóstico de diabetes quanto para quem está em um estado de pré-diabetes.

Entretanto, uma dieta específica para quem tem diabetes deve ser sempre orientada por um profissional habilitado para tal, e deve ser seguida à risca.

Mas, geralmente, a recomendação é consumir o mínimo possível de carboidratos refinados, e investir em fibras, proteínas e gorduras boas.

3. Não fuja da medicação

Tomar remédio todos os dias não é agradável, mas deixar de seguir as orientações médicas e pular uma dose de medicação pode levar a complicações da diabetes.

4. Abandone o cigarro e o álcool

Esses são dois fatores de risco não apenas para a descompensação da diabetes, mas também para o aparecimento de complicações.

5. Monitore a glicemia

Mesmo seguindo todas as dicas acima é fundamental que você não se esqueça de testar sua glicose pelo menos três vezes ao dia, ou até mais vezes caso esteja com suspeita de hipo ou hiperglicemia.

6. Controle o peso

Mantenha seu peso dentro da faixa de IMC indicada para a sua idade, e controle os níveis de triglicérides e colesterol. Até mesmo uma pequena diminuição de 5-10% no peso corporal já pode contribuir para uma diminuição dos níveis de glicose no sangue.

7. Afaste o estresse

Como o estresse pode ser uma causa para a descompensação da diabetes, é de extrema importância aprender técnicas para controlá-lo.

E por fim, se necessário faça ajustes na dose dos medicamentos, mas sempre com orientação médica.

Veja no vídeo a seguir dicas de como baixar a glicose naturalmente.

E aí, gostou das dicas?

Fontes e referências adicionais

Você já teve sintomas de hiperglicemia? Como foi o seu tratamento? Possui alguma condição de saúde ligada a isso? Comente abaixo.

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Sobre Marcela Gottschald

Marcela Gottschald é Farmacêutica Clinica - CRF-BA 8022. Graduada em farmácia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) em 2013. Residência em Saúde mental pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Experiência em pediatria e nefrologia, com ênfase em unidade de terapia intensiva. Ela faz parte da equipe de redatores do MundoBoaForma.

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1 comentário em “Hiperglicemia – O que é, sintomas e o que fazer”

  1. Olá…..sinto zonzeiras ,sonolência e, fraquezas principalmente pela.manha,fico perdida entre comer algo doce ou salgado quando da essa queda