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- Médicos e especialistas criaram o termo agonorexia para descrever um efeito colateral indesejado das canetas emagrecedoras, os análogos de GLP-1 como Wegovy e Mounjaro.
- O quadro funciona como uma espécie de anorexia induzida pelo remédio: a pessoa não sente fome, esquece de comer e desenvolve aversão à comida, muitas vezes combinada a excesso de atividade física e isolamento social.
- Os medicamentos agem no cérebro, controlando apetite e saciedade, e no estômago, retardando o esvaziamento gástrico, o que explica o forte efeito de redução da fome.
- Entre as consequências da agonorexia estão perda acentuada de massa muscular, desnutrição, desidratação, fadiga e queda de imunidade.
- O risco é maior entre quem usa os remédios sem indicação de obesidade, já que os estudos de segurança foram feitos apenas com voluntários obesos ou diabéticos.
Médicos e especialistas estão surpresos com um novo efeito colateral indesejado dos análogos de GLP-1, classe de medicamentos usada para obesidade e diabetes e geralmente conhecida como “canetas emagrecedoras”. Os especialistas criaram um novo termo para esses impactos negativos do Wegovy, Mounjaro e similares: agonorexia.

O fenômeno pode ser resumido como um quadro de anorexia induzido pelos remédios. Ele ainda não é reconhecido como um diagnóstico formal, mas tem ajudado a caracterizar um comportamento cada vez mais comum conforme cresce o número de usuários dos medicamentos.
O termo começou a circular nos Estados Unidos e passou a ser usado no Brasil por Clayton Macedo, professor e coordenador do Núcleo de Endocrinologia do Exercício da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem).
A pessoa que toma esses medicamentos e sofre de agonorexia não sente fome alguma e esquece de comer, criando uma espécie de aversão à comida. Muitas vezes, isso vem combinado ao exagero nas atividades físicas e isolamento social, deixando de ir a eventos com comidas, por exemplo.
Os medicamentos têm uma ação central no cérebro, regulando vias hipotalâmicas que controlam o apetite e a saciedade, e no sistema de recompensa do cérebro, associado ao prazer, reduzindo a sensação com a comida. Ademais, os remédios agem no estômago, retardando o esvaziamento gástrico, por isso conseguem conter a fome com tanto sucesso.
Isso é positivo para pacientes com obesidade, que precisam perder peso e utilizam as medicações com acompanhamento médico, conforme aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Entretanto, quando o quadro começa a se aproximar do que seria a agonorexia, há diversos riscos á saúde.
Dentre essas consequências, estão: perda acentuada de massa muscular e queda de performance, desnutrição, desidratação, fadiga e perda de imunidade.
Entre os usuários que não têm obesidade, ou seja, não têm indicação de uso para os análogos de GLP-1, há riscos adicionais, alertam especialistas. Os estudos que avaliaram a segurança dos remédios foram conduzidos apenas com voluntários que tinham obesidade e diabetes.
