Jejum intermitente após os 60 anos também tem malefícios, diz estudo

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Uma revisão de 28 estudos sugere que praticar o jejum intermitente pode exigir cuidados extras à medida que a idade avança.

A prática tornou-se bastante popular nos últimos anos, especialmente entre aqueles que querem perder peso e melhorar a saúde metabólica. O estudo conduzido por cientistas da Universidade de Ningxia, na China, no entanto, mostrou que o método ajuda a reduzir o peso e o índice de massa corporal (IMC), mas também pode levar à perda de massa livre de gordura, que inclui os músculos.

O experimento reuniu dados de ensaios clínicos randomizados envolvendo 1.833 voluntários. O objetivo era entender como diferentes faixas respondem ao jejum intermitente.

Os cientistas dividiram os participantes em três grupos: pessoas com menos de 30 anos, de 30 a 44 anos e 45 anos ou mais. Embora a análise não tenha sido feita exclusivamente com idosos, os resultados ajudam a compreender os possíveis impactos das estratégias em pessoas mais velhas.

Jejum intermitente pode ser prejudicial

No geral, o jejum intermitente esteve associado à redução do peso corporal e do IMC em todas as faixas etárias avaliadas. Nos adultos mais novos, os pesquisadores observaram também a diminuição da gordura corporal e melhora de marcadores relacionados à ação da insulina.

Entretanto, os pesquisadores encontraram também um ponto de atenção: parte dessa perda de peso pode ocorrer às custas da massa livre de gordura, que engloba músculos, água corporal e outros tecidos. Segundo os autores, a redução desse componente foi observada tanto em participantes mais jovens quanto nos grupos de maior idade.

A descoberta é importante para entender por que o envelhecimento já está naturalmente associado á diminuição da massa muscular, processo conhecido como sarcopenia.

Com menos músculos, aumentam os riscos de fraqueza, dificuldades para realizar tarefas cotidianas, perda de mobilidade e quedas. Por isso, os especialistas costumam recomendar que estratégias de emagrecimento em pessoas mais velhas sejam planejadas de forma a preservar a musculatura.

Os pesquisadores pontuaram que o jejum intermitente não deve ser encarado como uma solução universal. As respostas ao método podem variar de acordo com a idade, o estado de saúde e a composição corporal de cada indivíduo.

Limitações

Os estudiosos também observaram melhorias em alguns marcadores cardiometabólicos. Entre os voluntários mais velhos, houve redução dos triglicerídeos, da pressão arterial sistólica e melhora da sensibilidade à insulina.

Por outro lado, a revisão também identificou níveis mais baixos de colesterol LDL em partes das análises, indicando a importância do acompanhamento médico durante a adoção da estratégia alimentar.

Os autores reforçam que a qualidade das evidências variou entre baixa e muito baixa para alguns desfechos avaliados. Isso significa que novas pesquisas poderão confirmar ou modificar parte das conclusões observadas até o momento.

Ademais, isso tudo não significa que adultos mais velhos não possam fazer o jejum intermitente. Mas os cientistas sugerem que a prática seja adotada com cautela.

Para quem deseja utilizar a estratégia após os 60 anos, especialistas costumam recomendar acompanhamento profissional, ingestão adequada de proteínas e a realização de exercícios de força, como a musculação, que ajudam a preservar a massa muscular durante o emagrecimento.

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