Uma pesquisa publicada no Journal of Eye Movement Research mostra o impacto do tipo de conteúdo consumido no celular na saúde dos olhos. Ao comparar leitura de e-books, vídeos convencionais e vídeos curtos e dinâmicos populares nas redes sociais, os pesquisadores observaram que esses últimos causam sobrecarga ocular, provocando maior oscilação no tamanho da pupila e redução da frequência de piscadas, sinais comuns de fadiga ocular digital.

Realizado na Índia, o estudo acompanhou 30 jovens adultos durante uma hora de uso contínuo do smartphone. Os cientistas criaram um sistema portátil para medir, em tempo real, a taxa de piscadas, o intervalo entre elas e o diâmetro da pupila. O equipamento tinha uma câmera infravermelha acoplada a um microprocessador e registrou as alterações oculares sem interferir no uso natural do celular.
Durante o experimento, os estudiosos notaram que houve uma queda significativa na taxa de piscadas em todas as atividades analisadas: durante a leitura, ao assistir a vídeos mais longos e ao consumir reels (como são chamados os vídeos curtos no Instagram).
O comportamento faz com que os olhos permaneçam abertos por mais tempo, favorecendo o ressecamento e o cansaço visual. Ademais, enquanto o diâmetro da pupila se manteve relativamente estável durante a leitura e os vídeos longos, nos conteúdos curtos e rápidos houve variações mais intensas.
A ideia de investigar os impactos do uso do celular na saúde ocular partiu do fato do smartphone ter deixado de ser um mero acessório e passado para um lugar central na vida cotidiana das pessoas. Em 2023, por exemplo, mais de 68% da população mundial já possuía um aparelho.
No Brasil, a dependência é ainda maior: em 2024, 167,5 milhões de brasileiros com 10 anos ou mais tinham um celular para uso pessoal, o que representa quase nove em cada 10 pessoas nessa faixa etária (88,9%). É o que revela a última edição da PNAD Contínua sobre Tecnologia da Informação e Comunicação, pesquisa anual conduzida Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O uso contínuo gera vários incômodos. Na pesquisa indiana, 60% dos participantes relataram desconforto ocular, dor no pescoço ou fadiga nas mãos, e 83% associaram o tempo excessivo de tela a ansiedade, distúrbios do sono ou exaustão mental.
Embora muitos desses sintomas sejam passageiros, é importante ficar atento aos sinais de alerta. A fadiga ocular ou astenopia é um conjunto de sintomas e surge quando o sistema visual fica sobrecarregado devido ao esforço contínuo, principalmente em tarefas de perto. Ela é associada á redução de frequência de piscadas, ao esforço de foco e a fatores como brilho excessivo e iluminação inadequada.
Especialistas recomendam alguns métodos para cuidar da saúde dos olhos, como seguir a regra 20-20-20: a cada 20 minutos, olhar por 20 segundos para um ponto a cerca de 20 pés de distância (cerca de seis metros). Outras medidas indicadas são ajustar o brilho da tela ao ambiente, evitar o uso do celular no escuro, manter distância adequada dos olhos e lembrar de piscar com mais frequência. Em alguns casos, o uso de lágrimas artificiais pode ajudar, desde que com orientação médica.
Crianças precisam de uma atenção especial: aquelas abaixo de dois anos não devem ter acesso nenhum a telas.








