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- Cientistas do King's College London analisaram 42 amostras de E. coli retiradas de feridas do pé diabético de pacientes do Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, Índia e China.
- O estudo, publicado na revista científica Microbiology Spectrum, mostrou grande diversidade genética entre as bactérias, sem uma cepa única responsável pelas infecções.
- Cerca de 78% das amostras eram resistentes a múltiplos antibióticos, incluindo remédios reservados a casos graves, como carbapenêmicos e colistina.
- Muitas cepas também carregavam genes de virulência, que ajudam a bactéria a se fixar nos tecidos, escapar do sistema imunológico e causar infecções mais invasivas.
- Para os pesquisadores, mapear o perfil genético dessas bactérias pode ajudar médicos a escolher tratamentos mais adequados desde o início e reduzir hospitalizações e amputações.
Feridas nos pés são conhecidas como complicações comuns em quem tem diabetes. Quando não cicatrizam corretamente, as lesões podem se transformar em infecções graves, levando a internações prolongadas e, em casos extremos, á amputação do membro.

Entre as bactérias encontradas com frequência nessas feridas, está a Escherichia coli (E. coli), conhecida por causar infecções intestinais, mas que também pode provocar doenças fora do intestino. Até o momento, pouco se sabia sobre quais tipos dessa bactéria estavam envolvidos nessas infecções relacionadas á diabetes e o motivo para algumas evoluírem de forma tão agressiva.
Pensando em solucionar isso, cientistas da Escola de Imunologia e Ciências Microbianas da King’s College London, no Reino Unido, analisaram 42 amostras de E. coli retiradas de feridas do pé diabético de pacientes de vários países, incluindo Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, Índia e China.
O estudo, publicado no jornal científico Microbiology Spectrum, mostrou que não existe uma única cepa responsável pelas infecções. Pelo contrário: há uma grande diversidade genética entre as bactérias encontradas.
Portanto, diferentes tipos de E. coli conseguem se adaptar ao ambiente das feridas crônicas, o que dificulta tanto o diagnóstico quanto o tratamento.
Resistencia a antibióticos
Uma das descobertas mais preocupantes foi a alta taxa de resistência a medicamentos. Cerca de 78% das amostras analisadas eram resistentes a múltiplos antibióticos, incluindo remédios usados apenas em casos graves, como carbapenêmicos e colistina.
Na prática, isso reduz as opções de tratamento disponíveis, aumenta o risco de falha terapêutica e prolonga a infecção, elevando as chances de complicações.
Além da resistência, muitas cepas carregavam genes de virulência, que tornam a bactéria mais capaz de causar doença. Esses genes ajudam a E. coli a se fixar nos tecidos, escapar do sistema imunológico e obter nutrientes essenciais para sobreviver na ferida.
Algumas dessas características estão associadas a infecções invasivas, que podem se espalhar para a corrente sanguínea e causar quadros graves, como a sepse.
O que muda
Segundo os autores, entender melhor o perfil genético dessas bactérias pode ajudar médicos a escolher tratamentos mais adequados desde o início. Em vez de usar antibióticos de forma empírica, o sequenciamento genético permite identificar quais medicamentos tém mais chance de funcionar em cada caso.
Vincenzo Torraca, pesquisador do King’s College London, diz que esse tipo de análise pode reduzir infecções persistentes, hospitalizações longas e risco de amputações.
“Os dados são especialmente importantes para países com menos acesso a exames avançados, onde infecções do pé diabético são mais difíceis de tratar”, pontuou.
Agora, os pesquisadores pretendem investigar como esses fatores de virulência influenciam a evolução clínica das feridas. A expectativa é que, no futuro, essas informações ajudem a desenvolver diagnósticos mais rápidos, tratamentos personalizados e estratégias mais eficazes para prevenir complicações graves em pessoas com diabetes.
