Calcificação da aorta: o que é, sintomas e tratamento

Especialista da área:
atualizado em 21/07/2022

A artéria aorta é a maior e principal artéria do corpo humano. Ela se inicia na saída do ventrículo (as câmaras inferiores do coração) do lado esquerdo e se ramifica em várias outras artérias que por sua vez levam o sangue oxigenado para o resto do corpo.

Chamamos de calcificação da aorta o processo de deposição e acúmulo de cálcio no interior da aorta, o que acaba levando a uma diminuição da elasticidade natural da artéria, e dificulta a passagem de sangue pelo vaso.

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Além de uma maior quantidade de cálcio, alguns outros fatores também estão atrelados a processos de calcificação vascular, em especial processos celulares, como a morte celular por apoptose (onde o próprio organismo elimina as células defeituosas) e a degradação de elastina, que podem participar do processo de calcificação e perda da elasticidade do vaso.

A calcificação da aorta é uma situação grave e que necessita de cuidados e tratamentos cardiológicos, uma vez que pode aumentar a ocorrência de alguns problemas sérios de saúde, como AVCs, aneurismas e infartos.

Junto com o acúmulo de cálcio, algumas pessoas podem acabar acumulando também placas de gordura, desenvolvendo uma calcificação ateromatosa, mais comum em pessoas com colesterol alto e que estejam acima do peso.

Causas da calcificação da aorta

Suplemento
Embora pareça inofensivo, o excesso do suplemento de cálcio pode ser uma das causas da calcificação da aorta

A calcificação da aorta pode ocorrer por diversos motivos, se tornando mais comum em pessoas de idade mais avançada, fumantes, pessoas que se encontram acima do peso e hipertensos. Algumas das causas possíveis são:

  • A redução na função dos rins, como em casos de insuficiência renal aguda ou crônica: a possibilidade de haver um processo de calcificação da aorta aumenta conforme a função renal diminui. Esta relação existe uma vez que os sais de cálcio não são tão bem filtrados pelos rins deficientes, podendo portanto se acumularem na aorta, causando sua calcificação.
  • Excesso de suplementação de cálcio: o excesso de ingestão de suplementos com cálcio podem acabar acumulando o mineral em alguns locais do corpo, como na aorta.
  • Complicações de outros problemas cardíacos: alguns defeitos na válvula da artéria aorta, por exemplo, podem acabar causando na artéria um acúmulo de substâncias, como o cálcio.
  • Febre reumática: a febre reumática pode causar a redução do calibre da aorta, dificultando a passagem de sangue pelo vaso.

Sintomas da calcificação da aorta

Os sintomas causados pela calcificação da aorta são muito similares aos de outras condições cardíacas, sendo indispensável um diagnóstico médico para confirmar que se trata de um quadro de acúmulo de cálcio na artéria. O cardiologista consultado pode pedir por exames como raios x, angiografias, ressonâncias magnéticas, tomografias computadorizadas ou ecografias para realizar o diagnóstico.

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Entre os sintomas mais comuns estão:

  • Dores no peito e abdômen (principalmente durante ou após realizar esforços físicos)
  • Sensação de tontura
  • Inchaço nos membros inferiores, como nos pés e pernas
  • Palpitações cardíacas
  • Cansaço excessivo.

Possíveis tratamentos

Idosa saudável
Além da medicação indicada pelo médico, ter hábitos saudáveis também é parte do tratamento da calcificação da aorta

Os tratamentos para os casos de calcificação da aorta devem ser indicados por um médico cardiologista, e costumam consistir na administração de remédios para controlar o colesterol, na revisão dos suplementos tomados caso a pessoa faça uso de algum com a presença de cálcio na sua composição e em algumas mudanças de hábitos em relação ao estilo de vida do paciente.

Em casos mais graves, pode ser necessária uma intervenção cirúrgica para desobstruir a artéria ou para a realização de uma ponte de safena, quando um pedaço da veia safena presente na perna é utilizada para realizar pontes (bypass), fornecendo um caminho alternativo para o fluxo sanguíneo que passa pela artéria aorta.

Em relação às alterações de hábitos de vida, na maioria dos casos as recomendações incluem:

  • Diminuir a ingestão de alimentos ricos em açúcares refinados e ultraprocessados, como biscoitos recheados, salgadinhos, embutidos, bolos e doces no geral.
  • Evitar carnes muito gordurosas, como o bacon, o fígado e a moela.
  • Aumentar a ingestão de fibras, como em grãos integrais como a aveia, a chia e a linhaça.
  • Aumentar a ingestão de gorduras boas, como as presentes em azeites e alguns tipos de peixes como o salmão, o atum e a sardinha, que são ricos em ômega 3.
  • Aumentar a ingestão de vegetais folhosos verdes como o alface, a couve e a rúcula.
  • Parar de fumar e reduzir a ingestão de bebidas alcoólicas.
  • Realizar atividades físicas regularmente, pelo menos 3 vezes na semana.

Conforme o tratamento vai sendo realizado, a melhora pode ser notada com a diminuição da sensação de cansaço, tonturas e das dores no peito e abdômen ao realizar atividades físicas.

Caso haja a intensificação das dores no peito e abdômen e/ou haja a presença de vômitos e diarreia, pode ser que tenha ocorrido uma piora no quadro cardíaco, portanto, contate seu médico cardiologista responsável pelo tratamento imediatamente ou se encaminhe até o pronto socorro mais próximo.

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Fontes e referências adicionais

Você já conhecia a calcificação da aorta? Você ou alguém da sua família já teve o problema? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco é Cirurgião do aparelho digestivo, Cirurgião geral - CRM 597798 RJ/ CBCD. Formou-se em Medicina pela UFRJ em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento em transplantes no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela UFRJ em 2010. Dr. Lucio Pacheco é autor de diversos livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico-cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D'Or e do Hospital Copa D'Or. Além disso é diretor médico do Instituto de Transplantes. Suas áreas de atuação principais são: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia, e transplante de fígado. Para mais informações, entre em contato.

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