O que é ateromatose aórtica, sintomas e como tratar

Especialista:
atualizado em 16/09/2020

Descubra o que é ateromatose aórtica, além de saber quais são os sintomas mais comuns e como tratar o quadro se você for diagnosticado.

Ateromatose aórtica é uma condição preocupante que requer tratamento especializado para evitar que o quadro se agrave.

Trata-se de uma complicação que torna uma pessoa mais suscetível a ser acometida por um acidente vascular cerebral, popularmente conhecido como derrame ou infarto.

O que é ateromatose aórtica?

Também chamada de doença ateromatosa da aorta, essa complicação ocorre em detrimento do acúmulo de gordura, colesterol, cálcio ou até mesmo resquícios de células – que formam placas – nas paredes da artéria aorta, que, por sua vez, é o vaso mais importante do sistema circulatório.

É a partir da aorta que todas as outras artérias se ramificam, exceto a artéria do pulmão. Dessa forma, esse vaso garante que o fluxo sanguíneo chegue a praticamente todos os órgãos e tecidos do corpo humano.

Além da constrição da artéria por conta das placas formadas, o bloqueio do fluxo sanguíneo pode ocorrer em detrimento do rompimento dessas placas, que pode desencadear a formação de coágulos na aorta.

Esses coágulos também impedirão o fluxo livre da corrente sanguínea. Quando diagnostica-se um caso de ateromatose aórtica, significa que essa artéria está com o fluxo sanguíneo parcial ou totalmente bloqueado.

Isso faz com que as chances de desenvolver problemas como AVC e derrame sejam mais elevadas, já que, com o bloqueio da passagem sanguínea, o oxigênio necessário pode não chegar ao coração ou ao cérebro, desencadeando as complicações acima mencionadas.

O desenvolvimento da doença é lento, mas progressivo. Se ele não for interrompido a tempo, pode ocasionar diversas lesões, inclusive a morte de certos tecidos, uma vez que o sangue e o oxigênio necessários não chegarão adequadamente às regiões.

Diferença entre arteriosclerose e ateromatose

Diante de um diagnóstico, é comum que muitas pessoas confundam ateromatose com arteriosclerose, uma vez que os quadros possuem denominação semelhante.

A arteriosclerose é uma denominação genérica que se dá ao estreitamento e endurecimento das artérias. A perda de flexibilidade e enrijecimento das artérias, e suas devidas consequências, é a principal causa de morte no ocidente.

O termo se origina das palavras gregas athero, que significa pasta, e esclerose, que significa dureza.

Já a ateromatose ou aterosclerose é um subgrupo da arteriosclerose, uma doença que atinge artérias médias e grandes, como a aorta, em decorrência do acúmulo de placas ou coágulos.

Sintomas de ateromatose aórtica

Agora que você já sabe o que é ateromatose aórtica, pode conhecer os sintomas da condição, que podem variar de pessoa para pessoa. No entanto, alguns deles são bem característicos, sobretudo os sintomas cardiovasculares.

O problema é que a doença pode evoluir silenciosamente ao longo dos anos, desencadeando sintomas perceptíveis apenas quando estiver em estágio avançado, tornando o processo de reversão do quadro dificultoso.

Quando os ateromas atingem especificamente a aorta, alguns dos sintomas mais comuns são:

  • Dor no peito;
  • Sensação de fraqueza;
  • Fadiga, até mesmo fazendo atividades que não requerem muito esforço, como caminhar entre os cômodos da casa;
  • Suor;
  • Dores abdominais;
  • Dores na mandíbula;
  • Dor, formigamento ou dormência no braço ou perna;
  • Fala arrastada ou dificuldade ao falar.

Causas

A obstrução causada na artéria aorta não ocorre do dia para a noite após uma refeição gordurosa e pesada. O acúmulo é feito por vários anos, até que o canal esteja suficientemente comprimido a ponto de impedir o fluxo do sangue.

Conforme o National Heart, Lung, and Blood Institute, não é possível afirmar, com precisão, a causa exata dos ateromas e da aterosclerose.

No entanto, pesquisadores da área sustentam a hipótese de que os ateromas ocorrem após lesões repetidas no endotélio – uma membrana epitelial que reveste os vasos sanguíneos – o que causa inflamação.

Essa lesão pode ser desencadeada por fatores genéticos e por certos hábitos, sobretudo os alimentares.

Como uma forma de resposta à lesão, o organismo envia glóbulos brancos para a área afetada. Essas células se transformam no que são conhecidas como células espumosas. Essas células atraem gordura e colesterol e, dessa forma, ajudam a promover o desenvolvimento de ateromas.

As causas associadas ao surgimento de ateromas na aorta são:

  • Diabetes;
  • Obesidade;
  • Doenças inflamatórias como lúpus e artrite reumatoide;
  • Idade (acima dos 50 anos, as chances são maiores);
  • Sexo (mulheres na pós-menopausa e homens integram grupo de risco);
  • Colesterol alto;
  • Hipertensão (pressão alta);
  • Tabagismo;
  • Triglicerídeos altos;
  • Histórico familiar;
  • Falta de exercício físico.

Um estudo publicado pelo Instituto de Cardiologia do Distrito Federal aponta que, dentre os fatores de risco, os mais recorrentes são idade (sobretudo os pacientes que estão acima de 61 anos), doença coronária, hipertensão e doença vascular periférica.

Como é diagnosticada?

Exame aorta

O médico responsável por acompanhar o caso – preferencialmente um cardiologista – pode diagnosticar um quadro de ateromatose aórtica de diversas maneiras.

Com um ultrassom Doppler, por exemplo, as ondas sonoras de alta frequência exibem as artérias do paciente. Dessa forma, é possível verificar se há a presença de obstruções nos vasos, seja por placas ou coágulos sanguíneos.

Assim como o ultrassom, outro exame é o ecocardiograma, que é feito no coração, e que também irá apontar como está o fluxo sanguíneo. Já a tomografia computadorizada é capaz de mostrar o estreitamento das artérias.

Por fim, a angiografia é um outro exame de imagem que pode ser utilizado para diagnosticar a presença de ateromas, utilizando raios-X. Trata-se de um exame intervencionista, uma vez que contrastes radiopacos devem ser injetados no paciente.

Além da aorta, esse exame é comumente feito para visualizar vasos como carótidas, as artérias renais, dentre outros.

Qual é o tratamento indicado?

Para impedir que os danos evoluam, normalmente o cardiologista prescreve tratamentos a fim de inibir o avanço dos fatores de risco não controlados, como a hipertensão, por exemplo.

Dessa forma, o tratamento é feito, na maioria das vezes, com a administração de fármacos, sejam eles para controlar a pressão, reduzir o colesterol ou controlar a glicose na corrente sanguínea, caso o paciente seja diabético.

Quando a aorta estiver com um bloqueio sanguíneo considerado grave, ou seja, quando o sangue possui resistência em manter seu fluxo, o médico responsável pode recomendar uma cirurgia para remoção de placas ou coágulos.

As abordagens cirúrgicas incluem:

  • angioplastia, que envolve o alargamento da artéria estreitada com um balão anexado a um cateter;
  • revascularização do miocárdio, que consiste em enxertar uma veia saudável em uma artéria acima ou abaixo do bloqueio para redirecionar o fluxo sanguíneo;
  • ou então a endarterectomia de carótida, que irá remover a placa das artérias carótidas do pescoço que fornecem sangue ao cérebro.

Prevenindo a ateromatose

Mais interessante do que procurar medidas para reverter o caso é evitar que ele se instaure. Existem alguns hábitos que podem ser adotados, capazes de diminuir as chances de um problema cardiovascular, como a ateromatose aórtica, acometer um paciente.

Alguns desses hábitos são, por exemplo:

Alimentação

Limitar a quantidade de gordura consumida é essencial para evitar a formação de placas nas artérias. Recomenda-se que o consumo não seja superior a 25 ou 35% de suas calorias diárias.

Além disso, limitar ou até mesmo restringir o consumo de gorduras saturadas e trans é uma forma de promover mais saúde ao seu organismo, uma vez que essas substâncias aumentam o colesterol ruim.

Sugere-se comer, ao menos, cinco porções de frutas e legumes diariamente, sobretudo os que são ricos em fibras.

Fumo

Conforme o Manual Merck de Diagnóstico e Terapia, o compêndio médico mais vendido no mundo, as pessoas que param de fumar reduzem pela metade o risco de doenças cardiovasculares, quando comparadas às que não param de fumar.

Além disso, ex-fumantes têm mais chances de sobreviver a um ataque cardíaco do que os fumantes atuais.

Exercícios

A prática de exercícios físicos ajuda não apenas a alcançar ou manter a boa forma, mas a deixar a saúde em dia. Exercitar-se garante que o indivíduo tenha mais disposição e, além disso, que as chances de doenças cardiovasculares sejam menores.

Sendo assim, tanto a saúde, quanto a estética e a qualidade de vida têm a ganhar.

Fontes e Referências Adicionais:

Você já sabia o que é ateromatase aórtica? Chegou a receber o diagnóstico dessa condição? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco se formou em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na área de transplantes na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2010. Dr Lucio Pacheco é um profundo estudioso na área de doença hepática e escreveu dezenas de livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico - cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D´Or e do Hospital Copa D´Or. É diretor médico do Instituto de Transplantes. Tem vasta experiência na área de Medicina, com ênfase em Transplante hepático, atuando principalmente nos seguintes temas: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia,e transplante de fígado. Dr. Lucio é uma referência profissional em sua área e autor de artigos científicos e diversos. Para mais informações, entre em contato com ele.

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