Ponte de safena: para que serve, como é feita e recuperação

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atualizado em 12/07/2022

Ponte de safena, ou bypass cardíaco, é uma cirurgia de revascularização do miocárdio, ou seja, uma veia da perna é utilizada para criar uma ponte por onde o fluxo sanguíneo pode fluir livremente, desviando-se do ponto obstruído em uma artéria do coração. 

Desse modo, a ponte de safena cria um caminho alternativo para o fluxo sanguíneo chegar até o músculo cardíaco em pessoas com artérias obstruídas, devido ao acúmulo de placas de gordura.   

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Veja mais detalhes sobre a cirurgia de ponte de safena, para que serve, como é feita, quais são os riscos e como é a recuperação. 

Para que serve a ponte de safena

arteria bloqueada por colesterol
O depósito e o acúmulo de gordura na forma de placas pode obstruir a passagem do sangue para o coração

O coração é um dos órgãos vitais do corpo humano, pois todos os outros órgãos e tecidos dependem de seu correto funcionamento, para receberem oxigênio e nutrientes através do sangue. 

Para que o coração consiga cumprir essa tarefa, ele também precisa ser irrigado com um fluxo sanguíneo constante, que vem através da maior artéria do corpo, a aorta, que se ramifica nas artérias coronárias direita e esquerda. 

A cirurgia de ponte de safena serve para criar uma “ponte”, a partir da aorta até o músculo cardíaco, com o objetivo de desviar o fluxo sanguíneo de algum ponto com isquemia cardíaca, ou seja, com obstrução. 

Pessoas com hipertensão, colesterol alto ou que têm o hábito de fumar são mais propensas a sofrerem lesões nas paredes internas das artérias coronárias, que podem facilitar o depósito e o acúmulo de gordura na forma de placas. 

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Consequentemente, o fluxo sanguíneo nessa região fica reduzido e pode até ser bloqueado, se a passagem ficar completamente obstruída.

A cirurgia serve para criar, de fato, uma ponte com o objetivo de desviar o fluxo sanguíneo de algum ponto obstruído.

O coração, então, perde parte de sua capacidade de bombear sangue para o corpo, o que é chamado de insuficiência cardíaca. Com isso, a pessoa sente falta de ar, se cansa com facilidade, pode sentir dores no peito e corre o risco de sofrer um infarto. 

O infarto do miocárdio, popularmente chamado de ataque cardíaco, ocorre pela morte das células do músculo cardíaco por falta de oxigênio e nutrientes que não chegam até elas, por causa da obstrução das artérias. Veja quais são os sinais de um infarto.   

Como é feita a cirurgia de ponte de safena

A cirurgia de ponte de safena é um procedimento que dura em torno de 3 a 6 horas, no qual a pessoa fica sob anestesia geral.

Esta cirurgia é feita com um segmento da veia safena magna, que é retirado da perna. A veia safena magna é a principal veia superficial que temos nas pernas, cuja função é transportar o sangue dos pés, pernas e coxas para o coração. Não há problema em retirar um trecho dessa veia, pois os outros vasos locais conseguem assumir a sua função.  

O médico ou médica cirurgiã faz um corte no centro do tórax e no esterno, o osso que temos na parte da frente do tórax, para, assim, conseguir acessar o coração.

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Uma medicação que faz o coração parar de bater é aplicada durante a cirurgia. Enquanto isso, o sangue e o oxigênio continuam fluindo pelo corpo por meio de uma máquina de circulação extracorpórea, que executa as funções do coração e dos pulmões durante a cirurgia. 

Depois disso, o médico ou médica cirurgiã avalia o local da artéria que está obstruído, para implantar a ponte de safena. Uma extremidade da ponte de safena é costurada na aorta e, a outra, em um local após o ponto de obstrução. Assim, o coração volta a receber o fluxo sanguíneo normalmente, pois ele é desviado do segmento obstruído. 

Após a cirurgia, a equipe médica restabelece os batimentos cardíacos da pessoa, desconectando-a da máquina de circulação extracorpórea.

Fios de marcapasso temporários são instalados no coração, para tratar eventuais arritmias, e um dreno também pode ser deixado no local, para retirar qualquer volume de sangue acumulado na cavidade torácica. Por fim, as partes do osso esterno são unidas com um fio de aço, que permanece após a cicatrização. 

Atualmente, existem técnicas cirúrgicas mais avançadas e menos invasivas, mas que não são indicadas para todos os casos. Além disso, as novas técnicas exigem treinamento especializado e infraestrutura hospitalar especial para serem colocadas em prática. 

Riscos da cirurgia de ponte de safena

AVC
O AVC é um possível risco de uma cirurgia com caráter de urgência

Apesar da cirurgia de ponte de safena ser de grande porte, ela é considerada segura com riscos de complicação baixos. 

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No entanto, os riscos podem ser maiores em casos de cirurgia realizada em caráter de urgência, ou quando a pessoa apresenta outros problemas de saúde, além da isquemia cardíaca, como:

Nesses casos, os riscos de ocorrer as seguintes complicações são maiores: 

  • Infecções nos locais das incisões (perna e tórax)
  • Arritmias cardíacas
  • AVC, veja quais são os sintomas
  • Infarto
  • Hemorragia
  • Disfunção dos rins

Esses riscos são reduzidos quando a pessoa segue corretamente as instruções dadas pelo médico ou médica antes da cirurgia. 

Como preparativos para a cirurgia, a pessoa é orientada a parar de fumar um mês antes do procedimento, a consumir alguns suplementos alimentares e a suspender medicamentos que afinam o sangue (anticoagulantes). Toda essa preparação antes da cirurgia reduz os riscos de infecção e hemorragia, e melhora o estado nutricional da pessoa, proporcionando uma recuperação mais rápida. 

Recuperação após a cirurgia de ponte de safena

Após a cirurgia, a pessoa é encaminhada para uma unidade de terapia intensiva (UTI) com o tubo que lhe permite respirar pelos aparelhos. O tubo só é retirado, quando o efeito da anestesia passa e a pessoa é capaz de respirar sozinha. Uma equipe de fisioterapeutas ensina alguns exercícios de respiração, para promover a expansão dos pulmões e evitar o acúmulo de líquido.  

Os drenos deixados para eliminar o ar e sangue residuais da cirurgia são retirados após 24 ou 48 horas da cirurgia. Com os drenos retirados, a pessoa já pode se sentar na cama e fazer caminhadas curtas

O tórax é estabilizado com uma faixa elástica, que também ajuda a cicatrizar a ferida cirúrgica mais rapidamente. 

É normal sentir dores e desconfortos no tórax, mesmo com as medicações de horário programado. Por isso, a pessoa pode comunicar a equipe de enfermagem sempre que estiver sentindo dor, para receber mais analgésicos. 

Os batimentos cardíacos e a saturação de oxigênio no sangue são constantemente monitorados. Também são feitos exames de raios-X e de sangue diariamente, para avaliar o processo de recuperação. 

Geralmente, a pessoa recebe alta da UTI após 2 dias da cirurgia, quando vai para o quarto e continua com os exercícios de reabilitação da capacidade pulmonar e motora com a equipe de fisioterapeutas.  

A alta hospitalar ocorre após 5 ou 7 dias da cirurgia. Neste momento, a pessoa é orientada quanto aos cuidados que deverá ter em casa, em relação a como cuidar da ferida cirúrgica, da alimentação, como tomar os medicamentos e quando deve retornar para a consulta. 

É importante ter uma pessoa acompanhando a recuperação por, pelo menos, 30 dias, para que a pessoa operada não tenha que carregar peso, dirigir ou fazer atividades domésticas de risco. A recuperação completa da cirurgia de ponte de safena pode demorar até 90 dias, variando de caso para caso. 

Fontes e referências adicionais

Você já tinha ouvido falar sobre a cirurgia de ponte de safena? Quais hábitos você acha que deve mudar, na alimentação ou estilo de vida, para evitar problemas no coração? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco é Cirurgião do aparelho digestivo, Cirurgião geral - CRM 597798 RJ/ CBCD. Formou-se em Medicina pela UFRJ em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento em transplantes no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela UFRJ em 2010. Dr. Lucio Pacheco é autor de diversos livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico-cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D'Or e do Hospital Copa D'Or. Além disso é diretor médico do Instituto de Transplantes. Suas áreas de atuação principais são: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia, e transplante de fígado. Para mais informações, entre em contato.

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