Conjuntivite viral: como se pega e quais os sintomas?

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atualizado em 23/12/2021

Se você acordou com os olhos vermelhos, lacrimejantes e irritados, é bem provável que esteja com conjuntivite. Nem todas as conjuntivites são iguais, podendo ser alérgica, bacteriana ou viral, que é altamente contagiosa. 

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A conjuntivite viral dissemina-se muito rapidamente, principalmente em ambientes fechados, e é mais frequente no verão. 

Veja o que é a conjuntivite viral, os sintomas, como se pega e o tratamento.

O que é conjuntivite viral?

A conjuntivite viral é a inflamação da conjuntiva causada por um vírus. A conjuntiva é a mucosa que recobre o interior das pálpebras e a parte branca dos olhos. A sua função é manter os olhos lubrificados e protegê-los contra corpos estranhos, como poeira, vírus e bactérias. 

A origem da conjuntivite viral pode ser uma gripe comum ou outros tipos de infecções virais, como o sarampo e a caxumba. Ela também pode ser causada pelo enterovírus e vírus da herpes simples. Estudos recentes apontaram que a conjuntivite também pode ser um sintoma raro da COVID-19.

A conjuntivite viral pode ser isolada, quando não tem relação com nenhum outro problema e, normalmente, é causada por um adenovírus (90% dos casos).

Sintomas da conjuntivite viral

Sensação de areia
A sensação de areia nos olhos é um dos principais sintomas da conjuntivite

O vírus causador da conjuntivite fica incubado entre 5 e 12 dias, e os primeiros sintomas que se manifestam são: 

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  • Olhos vermelhos
  • Lacrimejamento excessivo
  • Irritação ocular
  • Sensação de areia nos olhos
  • Pálpebras grudadas ao acordar 

Os sintomas costumam durar 1 semana e, no máximo, 3 semanas, em casos mais graves. 

Geralmente, esses sintomas começam em um olho e logo se espalham para o outro, cerca de 3 a 4 dias depois. Os sintomas no primeiro olho costumam ser mais fortes e, no segundo, mais brandos, porque o organismo já teve tempo de montar uma resposta imune contra o vírus, diminuindo a intensidade dos sintomas.

Em alguns casos, se observam folículos nas pálpebras, que são formações grandes, redondas e rosadas que crescem por baixo da conjuntiva palpebral. 

Outro sintoma que pode se manifestar é o inchaço dos linfonodos pré-auriculares (íngua), que ficam à frente dos ouvidos e são os locais para onde os líquidos linfáticos dos olhos, bochechas e couro cabeludo são drenados. Uma inflamação nos olhos pode fazer com que esses linfonodos fiquem sensíveis e doloridos. 

Em casos mais graves de conjuntivite causada por adenovírus, os pacientes podem apresentar: 

  • Fotofobia: os olhos ficam sensíveis à luz.
  • Envolvimento da córnea: a pessoa sente como se tivesse um corpo estranho nos olhos.
  • Visão embaçada: causada pela inflamação da córnea.

Nesses casos, quando há envolvimento da córnea, a pessoa pode ter complicações após a resolução da conjuntivite, ficando com a visão embaçada ou pode enxergar como se fossem halos de luz, por causa da opacidade da córnea. Esses casos precisam de acompanhamento de um oftalmologista, para tratamento específico. 

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Como se pega conjuntivite viral?

A conjuntivite viral é transmitida de uma pessoa infectada para outras, de diferentes maneiras: 

  • Contato pessoal próximo, através de aperto de mão, abraço ou beijo. 
  • Aerossóis contaminados por espirros e tosse. 
  • Tocar em superfícies contaminadas e depois levar a mão aos olhos.  

Sabendo disso, veja como não transmitir a conjuntivite se você estiver infectado. As mesmas orientações valem para pessoas que convivem com você, para não se contaminarem com o vírus: 

  • Lave bem as mãos com água e sabão por, pelo menos, 20 segundos. Na falta de água e sabão, você pode usar o álcool em gel. 
  • Lave as mãos antes e depois de fazer qualquer procedimento nos olhos, como limpar ou aplicar o colírio. 
  • Evite coçar ou esfregar o olho, pois isso aumenta a sensação de coceira e pode espalhar a conjuntivite para o outro olho, quando apenas um está inflamado. Uma alternativa para aliviar a coceira, é aplicar uma compressa fria sobre os olhos. 
  • Evite usar toalhas de pano para limpar as secreções dos olhos, ao invés disso, use lenços descartáveis ou bolas de algodão umedecidas. 
  • Quando for aplicar o colírio, cuidado para não tocar os olhos com a ponta do frasco, para evitar a contaminação. 
  • Troque as fronhas todos os dias. 
  • Não use lentes de contato, enquanto estiver com conjuntivite. 
  • Afaste-se das atividades escolares e profissionais, enquanto estiver com os sintomas.

As melhores orientações para quem não está com conjuntivite e está dividindo o mesmo espaço com alguém infectado é lavar as mãos com frequência, evitando levá-las aos olhos, e não compartilhar itens de uso pessoal. Sempre que for ajudar a pessoa a pingar o colírio nos olhos ou fazer qualquer outro procedimento, lave as mãos antes e depois. 

Após se recuperar da conjuntivite viral, evite a reinfecção seguindo essas orientações: 

  • Descarte as maquiagens, se você as utilizou enquanto estava com conjuntivite. 
  • Descarte lentes e estojos descartáveis, se você os usou enquanto estava infectado.
  • Higienize as lentes, óculos e estojos antes de usá-los. 

Tratamento da conjuntivite viral

Colírio
O uso de colírios lubrificantes ajuda a aliviar o desconforto da conjuntivite

Não há um tratamento específico para a conjuntivite viral, no sentido de combater o vírus. Os tratamentos têm como objetivo diminuir os sintomas e os desconfortos do paciente: 

  • Lavar os olhos com soro fisiológico: alivia o desconforto, tirando a secreção e diminuindo o inchaço e a dor. 
  • Compressa fria: pode ser feita 4 vezes ao dia, para aliviar a coceira e diminuir o inchaço. 
  • Lágrimas artificiais ou colírios lubrificantes: lubrifica os olhos, aliviando o desconforto da inflamação. 
  • Anti-inflamatório prescrito pelo médico 
  • Óculos de sol: para diminuir o incômodo causado pela fotofobia.
  • Corticosteróide de uso tópico: apenas em casos graves, com envolvimento da córnea. Esse tipo de medicamento só deve ser usado com prescrição médica. 
Fontes e referências adicionais

Você já teve conjuntivite viral? Quais foram os sintomas que mais incomodaram? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Haroldo Vieira de Moraes Junior

Dr Haroldo de Moraes é Oftalmologista - CRM 380377 RJ. Formou-se em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1981. Em seguida concluiu Mestrado em Oftalmologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1986 e Doutorado em Oftalmologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1994. Pós-Doutorado no National Eye Institute do National Institutes of Health (NIH/NEI) durante 1998/1999 e Livre Docente em Oftalmologia pela Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP (2001), atualmente é Professor Titular de Oftalmologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Oftalmologia clinica e cirúrgica, atuando como Coordenador de Pós-Graduação em Oftalmologia com área de atuação em inflamação ocular (uveites, sarcoidose e toxoplasmose). Dr. Haroldo é uma referência profissional em sua área e autor de artigos científicos. Para mais informações, entre em contato com ele.

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