Conjuntivite Pode Ser Sinal de COVID-19

Especialista:
atualizado em 01/07/2020

Desde que a pandemia do novo coronavírus foi declarada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o aparecimento de sintomas respiratórios que podem ser sinais da COVID-19, a doença provocada pelo vírus, se tornaram motivo de mais preocupação.

Mas você sabia que eles podem não ser os únicos sintomas da COVID-19? Segundo alguns especialistas, a conjuntivite também pode ser um sinal relacionado à infecção causada pelo novo coronavírus.

Tanto que a diretora da Clínica de Uveíte do Instituto Nacional do Olho dos Estados Unidos, Nida Sen, que também é uma investigadora clínica que tem estudado os efeitos do novo coronavírus nos olhos, sugere que as pessoas com conjuntivite devem ser submetidas ao teste para detectar a COVID-19.

Uma série de estudos recentes encontrou evidências de que o novo coronavírus pode provocar a conjuntivite, no entanto, o sintoma não aparenta ser comum. Uma pesquisa publicada em 7 de abril no British Journal Journal of Ophtalmology (Jornal Britânico de Oftalmologia, tradução livre) relatou o caso de um paciente de 30 anos de idade com diagnóstico confirmado de COVID-19. Que também apresentava conjuntivite aguda bilateral.

As amostras da conjuntiva (membrana que reveste a parte posterior da pálpebra e recobre esclera – parte branca dos olhos) continuaram a dar resultados positivos para o novo coronavírus nos dias 14 e 17 após o surgimento dos sintomas. Entretanto, os autores do estudo frisaram que as amostras conjuntivais podem não ser úteis para o diagnóstico precoce (inicial) da COVID-19 porque inicialmente o novo coronavírus pode não aparecer na conjuntiva.

Vale destacar ainda que a contração da COVID-19 pelos olhos tem sido objeto de investigação: um estudo apontou que o novo coronavírus pode ser transmissível pelos olhos. Além disso, um levantamento de 28 de abril apontou a oftalmologia como uma das três especialidades associadas a um risco maior de contaminação do novo coronavírus por parte dos médicos residentes.

No entanto, é importante registrar que esses dois estudos se tratavam de preprints, ou seja, projetos científicos que ainda não haviam sido revisados por especialistas ou publicados em um periódico científico.

Devido aos relatos da presença de conjuntivite em pacientes infectados pelo novo coronavírus e a preocupação de que a COVID-19 pode ser transmitida pelos olhos, a Academia Americana de Oftamologia emitiu atualizações nas suas orientações, ressaltando que como os pacientes afetados pela conjuntivite geralmente precisam ir a clínicas de olhos ou a serviços de emergência, os oftalmologistas podem acabar sendo os primeiros a examinar pacientes com COVID-19.

Por isso, a organização enfatizou a necessidade dos médicos adotarem medidas de precaução apropriadas contra a contaminação pelo novo coronavírus, o que inclui o uso de pontas de tonômetros (aparelho que mede a pressão interna do globo ocular) descartáveis, uma vez que o novo coronavírus foi encontrado nas lágrimas de pacientes com conjuntivite.

Entretanto, a conjuntivite não é o único sintoma não respiratório que já foi associado à COVID-19: o novo coronavírus também pode provocar sintomas na pele e os problemas digestivos e estomacais também podem ser sintomas do novo coronavírus.

Fontes e Referências Adicionais:

Você já tinha ouvido falar que a conjuntivite pode ser mais um dos sinais da COVID-19? Já foi infectado pelo novo coronavírus ou conhece alguém que tenha sido? Quais sintomas surgiram? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Haroldo Vieira de Moraes Junior

Dr Haroldo se formou em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1981. Em seguida concluiu Mestrado em Oftalmologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1986 e Doutorado em Oftalmologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1994. Pos-Doutorado no National Eye Institute do National Institutes of Health (NIH/NEI) durante 1998/1999 e Livre Docente em Oftalmologia pela Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP (2001), atualmente é Professor Titular de Oftalmologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Oftalmologia clinica e cirúrgica, atuando como Coordenador de Pos-Graduacao em Oftalmologia com área de atuação em inflamação ocular (uveites, sarcoidose e toxoplasmose). Dr. Haroldo é uma referência profissional em sua área e autor de artigos científicos. Para mais informações, entre em contato com ele.

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