Estudo liga memória excepcional de superidosos a maior número de neurônios novos; entenda

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Pessoas conhecidas como “superidosos”, que mantêm uma memória excepcional mesmo em idades avançadas, podem apresentar características cerebrais relacionadas à preservação da função cognitiva. É o que sugere um estudo publicado na revista Nature, que investigou a produção de novos neurônios em diferentes fases da vida.

Os pesquisadores analisaram amostras de cérebros de doadores falecidos, abrangendo desde adultos jovens até idosos com desempenho excepcional de memória. A equipe observou a ocorrência de neurogênese, processo de formação de novos neurônios, no hipocampo, região essencial para a memória e o aprendizado.

Os resultados indicaram que adultos jovens e “superidosos” apresentavam níveis de neurogênese considerados elevados para a idade. Apesar disso, os novos neurônios representavam uma parcela muito pequena das células da região analisada, estimada em aproximadamente 0,01% dos neurônios do hipocampo.

Já nas amostras de pessoas com declínio cognitivo, incluindo indivíduos diagnosticados com Alzheimer, os cientistas observaram uma redução na quantidade de neurônios em desenvolvimento, também chamados de neurônios imaturos.

Um dos grupos classificados como “superidosos” apresentou, surpreendentemente, uma quantidade ainda maior dessas células do que os demais grupos. No entanto, os pesquisadores destacam que o número de participantes era pequeno, o que limita a força estatística de parte dos resultados.

Resultados ainda exigem cautela

Maura Boldrini, neurocientista e psiquiatra da Universidade Columbia, em Nova York, ressaltou que os grupos tinham dez ou menos participantes, então a interpretação dos dados exige cautela.

Ainda assim, compreender como o cérebro produz novos neurônios e preserva a atividade cognitiva ao longo do envelhecimento pode abrir caminhos para futuras estratégias terapêuticas.

Segundo Orly Lazarov, coautora do estudo e neurocientista da Universidade de Illinois Chicago, o conhecimento desses mecanismos poderá ajudar no desenvolvimento de medicamentos capazes de estimular a neurogênese em pessoas com declínio cognitivo.

As descobertas reforçam a hipótese de que o cérebro humano continua produzindo novos neurônios na vida adulta, embora esse processo possa variar de acordo com a idade e as condições de saúde cerebral.

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