O Que Grávida Não Pode Fazer de Jeito Nenhum?

Especialista:
atualizado em 19/05/2020

Neste artigo, você irá conferir o que grávida não pode fazer de jeito nenhum e quais comidas e bebidas devem ser evitadas para garantir a segurança da mãe e do bebê.

Durante a gestação, inúmeras restrições são passadas à mãe, visando promover a saúde, o bem-estar e o desenvolvimento adequado do feto. Algumas atividades que até então faziam parte da rotina, devem ser evitadas, enquanto novos hábitos devem ser incorporados ao dia a dia da mulher para que a gestação siga saudável até o nascimento do bebê.

Abaixo, você irá conferir as principais restrições na vida gestacional das mulheres e por que essas práticas devem ser evitadas. Saiba mais:

Álcool

O álcool é um agente conhecidamente maléfico ao organismo em qualquer estágio da vida, mas é durante a gestação que se deve redobrar os cuidados com a bebida. Como o álcool passa rapidamente ao bebê, por meio do sangue à placenta e cordão umbilical, o desenvolvimento do cérebro e dos órgãos do bebê pode ser comprometido.

Embora sejam necessários mais estudos, evidências clínicas permitem aferir que outros potenciais riscos associados à ingestão alcoólica durante a gravidez incluem nascimento prematuro, aborto espontâneo e até mesmo feto natimorto.

No entanto, a principal complicação evidenciada que pode se manifestar em decorrência do consumo de álcool é a Síndrome do Alcoolismo Fetal.

No Brasil, cerca de 150 mil casos de SAF são reportados anualmente. Os problemas que podem acompanhar a criança após seu nascimento em detrimento dessa doença são atraso no crescimento, alterações na composição facial, além de atraso no desenvolvimento cognitivo e motor.

Atualmente, a SAF é considerada a principal e maior síndrome cognitiva prevenível no país.

Cigarro

O tabagismo ativo é ruim para a saúde das gestantes e de seus bebês. No entanto, manter-se perto de quem fuma e ingerir fumaça, tornando-se um fumante passivo, pode ser tão prejudicial quanto fumar diretamente.

Há, em média, 4.000 agentes tóxicos presentes na fumaça do cigarro que estão relacionados ao desenvolvimento de câncer.

Dentre os potenciais riscos que envolvem o consumo passivo do cigarro estão aborto espontâneo, baixo peso do feto, parto prematuro, além de deficiências cognitivas.

A síndrome da morte súbita infantil – SMSI – está entre as principais preocupações nesse cenário, pois ocorre quando uma criança morre quando está dormindo, sem manifestar nenhum sinal, e na maioria das vezes sem um motivo aparente.

Em muitos casos, após um quadro de SMSI, não é possível identificar a causa da morte da criança, pois, em autópsias, identifica-se que a saúde do bebê se encontrava em bom estado. Nesses casos, a prática do tabagismo ativo e passivo podem estar diretamente relacionados.

Limpeza de Gatos

Grávidas que possuem gatos como animais de estimação devem aumentar os cuidados e proteção ao lidar com as sujeiras produzidas pelos felinos.

As fezes dos gatos transmitem toxoplasmose, uma doença infecciosa considerada comum que pode manifestar sintomas diversos, desde confusões mentais, passando febre, dores de cabeça e até mesmo convulsões.

No entanto, os casos mais graves e considerados agudos são bastante raros e, quando se manifestam, são em episódios esporádicos e podem ocorrer apresentando sintomas distintos.

Nas gestantes, a toxoplasmose pode promover abortos, nascimento da criança com icterícia, macrocefalia, além de crises de convulsão.

Dessa maneira, é importante delegar a limpeza de caixas de areia e local de evacuação dos gatos a outras pessoas ou, quando não for possível, utilizar luvas para fazê-lo, evitando o máximo possível ter contato com as fezes do felino.

Salto Alto

À medida que a barriga de uma gestante cresce, o ponto de gravidade é alterado. Com isso, o equilíbrio em saltos altos, sobretudo os finos, se torna muito mais complicado e perigoso. Dessa forma, a mulher fica muito mais propensa a quedas, que pode acarretar em inúmeras consequências ao bebê, inclusive aborto espontâneo.

No entanto, o uso de saltos não é totalmente restringido durante a gestação. Eles são parcialmente aceitáveis considerando o bem-estar da mulher e do feto no início da gestação. No entanto, prefere-se que a grávida opte por plataformas, saltos grossos e não maiores do que cinco centímetros de altura, para dar mais segurança, conforto e sustentação ao corpo.

Além disso, saltos muito altos podem desencadear dores nas costas e desconfortos nos joelhos e tornozelos. Como muita pressão é depositada no calcanhar e a postura é comprometida ao calçar um sapato de salto, essas articulações podem ser comprometidas, ocasionando episódios de dores e desconfortos agudos.

Saunas, Ofurôs e Banheiras

Embora haja pouca literatura médica que se volte à pesquisa das consequências que há quando uma grávida se submete a sessões de sauna, ofurô e banhos de banheira, as evidências em torno desse contexto apontam que mulheres nessas situações tendem a ficar desidratadas.

Além disso, outros sintomas aos quais a gestante é submetida são riscos de superaquecimento do feto e até mesmo desmaios. Durante a gravidez, as mulheres tendem a sentir mais calor do que o normal, pois o corpo é ligeiramente mais aquecido nesse período. As alterações hormonais que ocorrem no organismo são responsáveis por isso. Dessa forma, quando a grávida é submetida a longos períodos em água quente, o corpo pode tornar-se superaquecido.

Esse caso é especialmente perigoso durante o primeiro trimestre, em que a exposição à água muito quente por um longo tempo pode desencadear certos problemas congênitos no feto, além de dar a sensação de fraqueza às mães, já que, durante o superaquecimento corpóreo, o sangue flui mais rapidamente e isso é compensado pela liberação de suor. Com isso, o fluxo sanguíneo nos órgãos torna-se mais fraco, fazendo com que você tenha sensação de fadiga e cansaço.

Medicamentos

Durante a primeira consulta de pré-natal, a gestante recebe algumas prescrições médicas quanto aos medicamentos que podem ou não ser consumidos.

Essa é uma parte fundamental nos cuidados gestacionais, pois o consumo de medicamentes contraindicados pode representar grandes danos ao desenvolvimento fetal.

Sabe-se que alguns medicamentos aumentam as chances de se desenvolver defeitos congênitos ou outros problemas. Mas, às vezes, interromper um medicamento (como os que controlam convulsões, por exemplo) oferece mais riscos à mãe e ao bebê do que continuar tomando o medicamento. Nesses casos, é imprescindível conversar com seu médico sobre qualquer medicamento que você possa tomar.

Medicamentos à base de substâncias como Subsalicilato de bismuto, Fenilefrina ou pseudoefedrina, que são descongestionantes e guaifenesina, devem ser evitados pois aumentam as chances de defeitos congênitos no feto, sobretudo durante o primeiro trimestre.

Já o uso de medicamentos para a dor como aspirina, ibuprofeno e naproxeno, possuem baixo risco de defeitos congênitos.

Exercícios Físicos Intensos

A prática de certos exercícios físicos durante a gestação pode proporcionar uma série de benefícios à mulher, que proporciona a mobilidade e a mantém ativa.

Exercícios aeróbicos e de baixa intensidade são ideais para a gestante melhorar sua qualidade de vida, pois ajuda, dentre muitas coisas, a regular o sono e o humor, dois pontos que são prejudicados nesse período, além de potencialmente melhorar a postura e a respiração, diminuindo a fadiga e dores nas costas. No entanto, isso deve ser feito apenas mediante a aprovação do seu médico.

Por outro lado, a prática de exercícios físicos muito intensos pode resultar em complicações à gestação. Cargas muito pesadas durante sessões de musculação fazem com que o corpo faça mais força do que o necessário, resultando até mesmo em aborto espontâneo.

Além disso, a prática de exercícios aeróbicos deve ser evitada às gestantes que possuem risco de parto prematuro, placenta prévia após 26 semanas de gravidez, sangramento persistente, membranas rompidas, pré-eclâmpsia e insuficiência cervical.

No entanto, se o seu médico liberar a prática esportiva, não se esqueça de indicar a sua condição gestacional ao instrutor para que as modificações e adaptações necessárias possam ser feitas e a prática ofereça qualidade de vida e bem-estar a você.

Comidas a Serem Evitadas

Quando uma mulher está grávida, tudo que ingere é destinado ao bebê. Por isso, é especialmente importante cuidar da alimentação para garantir que todas as necessidades do feto sejam atendidas, oferecendo a quantidade ideal de vitaminas, minerais e outros nutrientes importantes ao desenvolvimento do bebê e da mãe.

No entanto, outros alimentos podem prejudicar o crescimento da criança ou fazer mal à mulher, podendo causar até mesmo intoxicação alimentar.

Confira, abaixo, os principais alimentos a serem evitados durante a gravidez:

Carne Malpassada

Carnes cruas ou malpassadas podem possuir parasitas que comprometem o organismo de quem as ingere. Dentre os riscos de contaminação ao ingerir esse tipo de alimento estão toxoplasmose, listeria, bactéria E. Coli e salmonela.

Quando uma mulher gestante consome esse tipo de alimento, os riscos são ainda mais devastadores, pois atingem o feto, podendo desencadear natimortos e doenças neurológicas graves e irreversíveis, inclusive epilepsia e até mesmo cegueira.

Algumas bactérias ficam na superfície da carne. Dessa forma, apenas selar a carne as elimina. No entanto, há outras que permanecem no interior da fibra muscular. Para eliminar potenciais riscos à saúde da mãe e do bebê, a carne deverá sempre ser cozida, frita ou assada integralmente, pois, quando o alimento é submetido à temperatura de 70 ºC, os micro-organismos são eliminados.

A mesma regra se aplica a carnes como salsichas, hambúrgueres, carne moída e carne de aves e de porco, pois, além das bactérias inerentes a elas, também podem ser afetadas por outros micro-organismos durante o processo de armazenamento.

Peixes Com Alto Teor de Mercúrio

Os peixes contêm importantes ácidos graxos que não são produzidos pelo organismo, como o ômega-3, que é muito importante para a formação neurológica do bebê. Dessa forma, as únicas maneiras de aquisição desse composto são por vias alimentares ou suplementação.

No entanto, muitos peixes possuem grande quantidade de mercúrio, o que pode ser nocivo ao ser humano, sobretudo às gestantes. Peixe espada, cação e atum são variedades que devem ser evitadas especialmente durante a gravidez.

Dentre os peixes mais recomendados para consumo estão o salmão, pescado, arenque, linguado e sardinha. Entretanto, recomenda-se que a ingestão não ultrapasse 2 a 3 vezes por semana, e que a carne seja preferencialmente grelhada ou assada.

Além disso, durante a gravidez, peixes crus devem ser evitados devido à potencial transmissão de vírus e bactérias, podendo desencadear quadros de intoxicação alimentar.

Cafeína

O consumo excessivo de alimentos e bebidas ricos em cafeína também deve ser regulado durante a gestação. Café, chás, chocolate, bebidas energéticas e refrigerante estão entre os principais alimentos ricos nessa substância.

A diminuição no consumo deve ser adotada pois a cafeína em excesso na corrente sanguínea pode estimular parto prematuro, baixo peso ao nascer, retardo no crescimento fetal e até mesmo aborto espontâneo. Como a cafeína atravessa a placenta e chega ao líquido amniótico (o líquido pelo qual o feto é envolto), ela pode chegar ao cordão umbilical, ao plasma e até mesmo à urina do bebê.

Uma xícara de café possui, em média, 100mg de cafeína. A recomendação médica é de que o consumo não seja superior a 200-300mg por dia. No entanto, é preciso considerar que outros alimentos fornecem essa substância. Dessa maneira, é necessário dosar a ingestão para que a mulher e o bebê não sejam prejudicados pela cafeína.

Queijos Macios

Os queijos classificados como macios são, dentre outros, o brie e o camembert, além de queijos macios feitos com leite de cabra, e devem ser evitados pois há riscos de contaminação por meio de bactérias listeria, que desencadeiam a listeriose, uma intoxicação que, ao ser contraída durante a gravidez, pode desencadear aborto espontâneo, nascimento prematuro, infecção grave do recém-nascido ou mesmo natimorto.

Além disso, o consumo dos queijos azuis como gorgonzola, dinamarquês e roquefort também devem ser restritos.

No entanto, o consumo desses tipos de queijo é liberado quando eles são submetidos ao cozimento total pois, dessa forma, qualquer resquício de bactéria é eliminado.

As restrições alimentares e de hábitos são prescritas pelo médico responsável pelo pré-natal. Sendo assim, se você possui alguma dúvida quanto à segurança envolvida a certos hábitos e alimentos, procure um profissional para tirar suas dúvidas e manter sua gestação em segurança.

Referências adicionais:

Você já sabia o que gravida não pode fazer de jeito nenhum? Conhece alguém que esta nesta fase? Comente abaixo!

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