Vigorexia: O que é, Causas, Sintomas e Tratamento

Especialista:
atualizado em 16/01/2020

A vigorexia é um transtorno de ansiedade que faz com que a pessoa enxergue seu corpo muito menor do que na verdade ele é ou está. Ela também é conhecida como complexo de Adônis, ou pelo termo científico Transtorno Dismórfico Muscular (TDM).

Entre os sinais que caracterizam este distúrbio estão a prática compulsiva e exagerada de exercícios físicos, o culto excessivo ao corpo e o abuso de esteroides anabolizantes e suplementos para ganhar massa muscular.

Por que o uso do termo TDM?

Transtorno Dismórfico Muscular é o termo científico para vigorexia. Ele descreve uma condição de descontrole em relação à percepção da autoimagem. O termo dismorfia é usado para designar a diferença entre aquilo que a pessoa acredita e enxerga sobre a sua imagem física, e aquilo que ela realmente é.

De acordo com Rob Wilson, presidente BDD Foundation (Fundação dos Transtornos Dismórficos do Corpo), em entrevista à rede de televisão londrina BBC, “Dismorfia muscular é uma preocupação com a ideia de que não se é grande o suficiente, não é musculoso o suficiente”.

O que é a vigorexia?

A vigorexia é comumente descrita como o contrário da anorexia. Enquanto na anorexia a pessoa se vê muito mais gorda do que realmente é, ela tende a buscar formas de emagrecer cada vez mais. Na vigorexia, o sujeito se vê muito mais fraco do que realmente está e tende a buscar alimentos, exercícios e suplementos para aumentar cada vez mais a sua massa muscular.

Ambos os transtornos são caracterizados pelos exageros e a insatisfação em relação ao próprio físico.

A vigorexia é um transtorno da modernidade

Cientistas acreditam que a vigorexia é uma das mais novas patologias emocionais estimuladas pela cultura. Ela surgiu a partir de uma sociedade crescentemente competitiva onde o culto à imagem é cada vez mais estimulado.

Este é um distúrbio geralmente gerado a partir de influências socioculturais e da mídia. Ele começa como uma simples vaidade, mas em longo prazo – e dependendo das influências sofridas – pode terminar vinculado a transtornos mentais mais sérios e com altos riscos à saúde.

Características da vigorexia

Embora a vigorexia ainda não esteja listada como uma doença pelo DSM (Manual estatístico e de diagnóstico de transtornos mentais), já foram listada algumas características específicas do transtorno. Sabe-se que ela é mais comum entre os homens, e é caracterizada por uma preocupação contínua e excessiva na obtenção de massa muscular.

Uma das características psicológicas dos vigoréxicos é que eles têm vergonha de seus corpos. Por esta razão recorrem a exercícios excessivos e à ingestão excessiva de proteínas e esteroides anabolizantes, para acelerar a hipertrofia, ou seja, o aumento de massa muscular.

Na maior parte dos casos os indivíduos conhecem os riscos e os prejuízos que estão causando à saúde e têm consciência de que estão lidando com substâncias ilegais, mas isto não é suficiente para detê-los no impulso de “melhorar” a aparência.

De acordo com Harrison G. Pope, da Faculdade de Medicina de Harvard, Massachusetts, em estudos publicados na Medicine Magazine, “Cerca de um milhão de norte-americanos entre os nove milhões de fãs do fisiculturismo podem sofrer de tal distúrbio”.

Por que as pessoas desenvolvem a vigorexia?

Apesar de haver um grande número de pessoas bastante preocupadas com a aparência, para ser diagnosticado com um Transtorno Dismórfico Corporal como a vigorexia, é preciso apresentar sintomas específicos como sofrimento e obsessão por uma parte ou a totalidade do corpo, impedindo que a pessoa leve uma vida normal.

No caso da vigorexia, o sofrimento e a obsessão são ligados a questão do desenvolvimento muscular, como uma busca excessiva por uma silhueta considerada perfeita e nunca alcançada pelo indivíduo.

A anorexia também é um Transtorno Dismórfico Corporal e ambas as doenças distorcem a imagem que os pacientes têm de si mesmos: os anoréxicos nunca pensam que estão magros o suficiente, e os vigoréxicos nunca pensam que estão musculosos o bastante.

Os vigoréxicos se vêm longe do padrão idealizado por eles de perfeição muscular. Por isso são capazes de se exercitar por horas a fio para aumentar o tamanho dos músculos, ingerir calorias exageradamente, além de inúmeros hormônios, proteínas e suplementos vitamínicos. Tudo com o objetivo de aumentar sua massa muscular a um nível idealizado, mas que muitas vezes já foi excedido.

Possíveis causas da vigorexia

Podem ser diversos os motivos pelos quais um indivíduo desenvolve a vigorexia, no entanto, sabe-se que suas causas estão bastante relacionadas à visão de si mesmo que a pessoa possui. Há uma linha de pesquisadores que acredita que a vigorexia poderia ser um distúrbio genético, ou ainda ser causadas por um desequilíbrio químico no cérebro.

Outros estudos mostram que experiências de vida também pode ser um fator para desencadear a vigorexia. Estes estudos mostraram que o distúrbio pode ser mais comum em pessoas que foram perseguidas, maltratadas ou abusadas quando eram jovens.

Entre os portadores de vigorexia, no entanto, há pessoas que procuram apenas a silhueta perfeita por influência da mídia e por pressão dos padrões culturais do seu meio e acaba indo longe demais. Há também os esportistas e os competidores que querem ser os melhores, exigindo obsessivamente de seus corpos.

Pesquisas mostram que os vigoréxicos são geralmente pessoas de personalidade mais introvertida, cuja busca pelo corpo perfeito é uma compensação para a timidez e, muitas vezes, o sentimento de inferioridade social. Essas pessoas tendem a ter baixa autoestima, grande dificuldade de se integrar socialmente e apresentam rejeição à imagem corporal.

Sintomas da vigorexia

O principal sintoma que caracteriza a vigorexia é a distorção na percepção do corpo. Os outros sintomas da patologia acabam por ser decorrentes deste, por exemplo, a obsessão por exercícios, dietas e a ingestão indiscriminada de medicamentos.

Esta distorção também é o principal sintoma de outros comportamentos destrutivos que caracterizam um distúrbio como:

  • Preocupação exagerada com o próprio corpo
  • Autoimagem distorcida
  • Personalidade introvertida
  • Insatisfação com sua estrutura muscular
  • Tendência à automedicação
  • Utilização de quantidades excessivas de suplementos alimentares
  • Métodos extremos de treino
  • Exercitar-se mesmo estando lesionado
  • Dietas rigorosas demais
  • Deixar a vida pessoal de lado para exercitar-se
  • Abuso de esteroides, cirurgias plásticas desnecessárias, e até mesmo tentativas de suicídio.

A vigorexia é uma patologia derivada de uma sociedade onde a imagem é muito valorizada e tende a começar logo na adolescência, um período em que a insatisfação com o corpo já acontece.

É importante identificar o distúrbio no início para evitar que suas consequências escalem e sua saúde seja danificada.

As consequências da vigorexia

A obsessão pelo corpo perfeito produz mudanças importantes nos hábitos alimentares, nas atitudes, na autoestima, na saúde e nas relações sociais de quem sofre de vigorexia. Todas as ações dos vigoréxicos estão voltadas para o cuidado com o corpo. Eles tendem a restringir a sua dieta a nutrientes destinados somente a constituição dos músculos, causando desequilíbrio de nutrientes e prejudicando a saúde geral do corpo, como a sobrecarga do fígado.

Os hábitos decorrentes da vigorexia podem causar problemas estéticos como desproporcionalidade entre o corpo, a cabeça e membros. Podem causar também problemas físicos devido ao excesso de peso e à dieta exagerada. A situação se agrava quando há a utilização de esteroides anabolizantes. O consumo destas substâncias aumenta o risco de doenças cardiovasculares, lesões hepáticas, disfunção sexual, diminuição do tamanho dos testículos e um aumento do risco de câncer de próstata.

Emocionalmente, estudos mostram que uma possível consequência da vigorexia pode ser o TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), uma patologia mental caracterizada pela presença de obsessões, compulsões ou ambas. Outros possíveis riscos da vigorexia são insônia, irritabilidade, desinteresse sexual, fraqueza, falta de apetite, cansaço constante, dificuldade de concentração, infertilidade nas mulheres, depressão e pensamentos suicidas – por sempre estarem desconfortáveis e insatisfeitos com seu próprio corpo.

Tratamento para a vigorexia

Vítimas da vigorexia exigem tratamentos terapêuticos especiais que envolvem a família, os amigos e a sociedade em geral para apoiá-los e ajudá-los a superar a doença.

As pessoas que são vítimas da vigorexia geralmente acreditam estar saudáveis e em excelente estado, enquanto os familiares, parentes e amigos veem que pouco a pouco estão sendo consumidas pela insatisfação com seu corpo.

Os tratamentos usados ​​para controlar ou remover essa necessidade constante de cuidar do corpo são multidisciplinares, o que significa que devem envolver elementos diferenciados ao mesmo tempo. Podemos citar quatro ações que devem ser tomadas simultaneamente:

  • Dieta equilibrada de nutrientes e vitaminas necessárias para o corpo
  • A supressão de esteroides anabolizantes
  • A psicoterapia, para entender o aspecto comportamental do indivíduo e sua percepção distorcida da realidade
  • O uso de medicamentos para controlar a ansiedade, o comportamento compulsivo e para reduzir o estresse e a obsessão em exercitar-se.

A aceitação da patologia é fundamental para o tratamento

Vítimas de vigorexia raramente aceitam a sua doença porque, semelhante ao que ocorre com os anoréxicos, eles raramente se veem como tendo um problema e não são susceptíveis a iniciar o tratamento.

A condição em si pode ocorrer como uma resposta a sentimentos de depressão e falta de autoestima, o que impede que a pessoa assuma que tem o transtorno. Neste caso o transtorno foi para eles a cura destes sentimentos.

Carinho e medicamentos podem ser fundamentais para tratar a vigorexia

Devido a dificuldade de reconhecimento da vigorexia por seus portadores, a solidariedade da família e dos amigos é fundamental. Durante o processo de tratamento é preciso que haja uma aproximação da vítima para ajuda-la a mudar a perspectiva pela qual ela enxerga o seu próprio corpo.

O tratamento para a vigorexia também envolve atendimento psicológico em longo prazo e às vezes medicamentos psiquiátricos podem ser usados ​​para gerenciar a depressão, especialmente nas fases iniciais do tratamento.

Todos estes aspectos devem ser supervisionados por diferentes profissionais, com o apoio incondicional da família em cada etapa para garantir o objetivo principal que é mudar a do sujeito sobre si mesmo para assim manter a sua saúde e reconstruir a sua autoestima.

Fontes e Referências Adicionais:
  1. CAMARGO, Tatiana Pimentel Pires de; COSTA, Sarah Passos Vieira da; UZUNIAN, Laura Giron e VIEBIG, Renata Furlan. Vigorexia: revisão dos aspectos atuais deste distúrbio de imagem corporal. Rev. bras. psicol. Esporte. 2008, vol.2, n.1, pp. 01-15 . Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-91452008000100003&lng=pt&nrm=iso>. ISSN 1981-9145.
  2. ASSUNÇÃO, Sheila Seleri Marques. Dismorfia muscular. Rev. Bras. Psiquiatr. [online]. 2002, vol.24, pp. 80-84 . Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462002000700018&lng=en&nrm=iso>. ISSN 1516-4446.

Você conhece alguém que já tenha passado ou atualmente sofra de vigorexia? Como é presenciar esse transtorno? Comente abaixo!

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Sobre Francisco Santana

Francisco José Santana é Personal Trainer - CREF 1859 G/SE. Formado pela Univer Cidade RJ 2007, com certificação CORE360º treinamento funcional, Certificação Internacional FNS I e II em avaliação funcional, especializações em suplementação nutricional esportiva, Crosstraining - Scientific Sport, Cineantropometria aplicada, Primeiras ações em emergência, Prevenção de Doenças Laborais, Musculação, Ginástica Corretiva, Spinning (Johnny G), Técnica de Tecidos Moles - Miofacial, e Inteligência Emocional - ASICC

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