9 exames de sangue para detectar o câncer

Especialista da área:
atualizado em 24/05/2022

Há exames de sangue que ajudam não somente a detectar o câncer, mas também permitem acompanhar a resposta da pessoa ao tratamento, avaliando a regressão ou progressão do tumor.

O câncer, ou tumor maligno, é causado pelo crescimento anormal e descontrolado de células com alguma mutação genética. Um tumor produz uma substância chamada de marcador tumoral, que pode ser detectado e dosado em exames de sangue, auxiliando no diagnóstico de alguns cânceres. 

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O exame de sangue, por si só, não é uma ferramenta diagnóstica conclusiva, ou seja, apenas auxilia o diagnóstico, que deve ser amparado por outros tipos de exames, como ecografia, tomografia e ressonância magnética. 

É importante saber disso, porque problemas de saúde benignos e até na ausência de qualquer doença, pode haver um aumento na concentração de algum marcador tumoral e isso não indicar um câncer. 

Existem valores referenciais para esses exames, mas eles podem variar de laboratório para laboratório, de acordo com o método de dosagem utilizado. Por isso, deve-se considerar o valor de referência fornecido pelo laboratório. 

Se o exame de sangue for utilizado para acompanhar um tratamento, o ideal é que ele sempre seja feito no mesmo laboratório, para manter o mesmo padrão referencial. 

Veja quais são os exames de sangue que ajudam a detectar um câncer. 

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AFP

Exame de sangue
O AFP verifica a dosagem da proteína alfafetoproteína no sangue

Este exame de sangue faz a dosagem da proteína alfafetoproteína, que é sintetizada pelo fígado do feto e por uma porção do embrião. Quando o bebê nasce, há uma grande concentração dessa proteína no sangue, que vai diminuindo com o tempo. 

Em crianças e adultos, exceto mulheres grávidas, a concentração de AFP é baixa no sangue. 

A concentração de AFP fica elevada em algumas condições, como hepatite crônica e cirrose, pois ela é produzida no momento em que as células do fígado estão se regenerando após uma lesão. 

Alguns cânceres também causam o aumento dessa proteína no sangue, é o caso do câncer de fígado (carcinoma hepatocelular), câncer de testículo e câncer de ovário, por isso o teste é usado para auxiliar em seus diagnósticos. 

O teste também é usado para monitorar pessoas com hepatite B crônica e cirrose, pois têm maior tendência a desenvolverem câncer de fígado. Por isso, o teste, juntamente com exames de imagem, é usado para tentar diagnosticar o câncer em seu estágio inicial. 

Se a pessoa já possui o diagnóstico de algum tipo de câncer produtor de AFP, o exame é usado para avaliar a sua resposta ao tratamento e para identificar recidivas, que é a volta do câncer depois de tratado. 

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O valor de AFP deve ser superior a 1000 ng/mL, para ser indicativo de câncer.  

MCA

O antígeno mucóide associado ao carcinoma (MCA) é produzido por células de mucosa, como as das glândulas mamárias. Esse exame é usado, principalmente, para monitorar um câncer de mama

Este exame não é tão indicado para diagnóstico de câncer, mas é muito útil para o prognóstico e para monitorar o tratamento de câncer de mama.

Níveis aumentados de MCA no sangue também podem ocorrer em doenças benignas de mama, tumores de ovário, colo uterino, endométrio, próstata, na gestação, na cirrose hepática e hepatite.  

O valor de MCA deve ser superior a 11 U/mL, para ser indicativo de câncer.

PSA

O exame PSA é usado para detectar e dosar o antígeno prostático específico, para rastreamento do câncer de próstata em homens sintomáticos e assintomáticos. 

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A chance do homem ter um câncer de próstata aumenta à medida que os níveis de PSA no sangue aumentam. Não há um limiar de concentração definido, alguns médicos utilizam a concentração de 4 ng/mL, enquanto outros utilizam níveis inferiores, de 2,5 ou 3 ng/mL.

Níveis acima de 10 ng/mL representam 50% de chances do homem ter câncer de próstata. 

O exame de PSA também é útil para o estadiamento do câncer, que é a determinação de sua localização e de sua extensão, ou seja, permite averiguar o avanço da doença. 

Durante e após o tratamento, o exame PSA também é feito, para monitorar a resposta ao tratamento e as chances de retorno do câncer.  

CA 125

Exame CA 125
O CA 125 é voltado para o diagnóstico do câncer de ovário

O exame de sangue CA 125 faz a dosagem do antígeno de câncer 125, uma proteína que está presente na maior parte das células tumorais do câncer de ovário. Cerca de 80% das mulheres com câncer de ovário apresentam concentrações elevadas desse marcador no sangue. 

O CA 125 também pode estar presente em níveis moderados no sangue de mulheres com condições não cancerosas, como o período menstrual, endometriose, gravidez e doença inflamatória pélvica. Pessoas saudáveis também produzem esse antígeno, porém em doses bem mais baixas do que no câncer. 

Por este teste não ser específico ao câncer de ovário, ele não é usado para triagem desse tipo de tumor, mas pode ser usado para testar mulheres em alto risco de desenvolverem o câncer, por possuírem histórico familiar. 

O teste CA 125 é utilizado para monitorar a resposta da paciente ao tratamento de câncer e para monitorá-la após o tratamento, para verificar se apresenta sinais de retorno do câncer. 

O valor de CA-125 deve ser superior a 65 U/mL, para sugerir a presença de um tumor. 

CA 15-3

O antígeno de câncer 15-3 (CA 15-3) é produzido por células mamárias normais, mas encontra-se em concentrações mais elevadas no sangue de 10% das mulheres com câncer de mama em fase inicial e em 70% com câncer de mama metastático. 

Assim como os outros marcadores tumorais, o CA 15-3 também pode estar presente em níveis elevados em condições não cancerígenas, por exemplo, em casos de cirrose, hepatite e doença mamária benigna. O marcador também pode estar aumentado no câncer colorretal e de pulmão

Devido à baixa especificidade e sensibilidade do exame, ele não é indicado para triagem de câncer de mama, mas para acompanhar o tratamento e para identificar uma possível recidiva. 

O teste não se aplica a todas as pessoas que têm o diagnóstico de câncer de mama, pois ele só é sensível a doses muito altas do antígeno, o que não ocorre em todos os casos de câncer de mama.

Assim, o exame de sangue CA 15-3 é mais aplicado em casos de câncer de mama com metástase, para acompanhar a resposta da pessoa ao tratamento. 

O valor para esse marcador tumoral deve ser superior a 25 U/mL

CEA

O CEA, ou antígeno carcinoembrionário, é uma proteína encontrada nos tecidos de um embrião e desaparecem assim que o bebê nasce. Em adultos, a concentração dessa proteína é encontrada em níveis muito baixos. 

O exame CEA não é utilizado para triagem de um câncer específico, mas ele é útil para monitorar a resposta de uma pessoa ao tratamento de câncer de cólon. Após a cirurgia de retirada de um tumor, o CEA ajuda a avaliar o sucesso do tratamento e identificar uma possível volta daquele câncer. 

O CEA também é utilizado como marcador para outros tipos de cânceres: reto, pulmão, mama, fígado, pâncreas, estômago e ovário. 

Além dos cânceres, o CEA pode estar em concentrações elevadas em doenças benignas, como cirrose, úlcera hepática, colite ulcerativa, pólipos retais, enfisema e doença de mama benigna. Fumantes também podem apresentar níveis mais elevados de CEA. 

No caso dos fumantes, o valor de CEA deve ultrapassar 25 ng/mL e, para os não fumantes, deve ser superior a 15 ng/mL, para serem indicativos de câncer. 

B2M

Exame de sangue
O B2M é voltado para avaliação do mieloma múltiplo

A beta 2-microglobulina é uma proteína naturalmente produzida em nosso organismo, mas que está aumentada no sangue de pessoas com mieloma múltiplo, leucemia, linfoma e em processos inflamatórios. 

O exame de sangue B2M é útil para o estadiamento do mieloma múltiplo, ou seja, para avaliar a sua gravidade e grau de extensão. Em alguns casos, é usado para acompanhar o tratamento desse tipo de câncer. 

O exame também é usado para se ter uma ideia de como será a evolução de cânceres como leucemia e linfoma, o que consiste no prognóstico da doença. 

Infecções virais graves, processos inflamatórios e autoimunes podem causar o aumento dos níveis de B2M no sangue.

O valor desse marcador tumoral deve exceder 2,37 mcg/mL, para ser indicativo de câncer. 

Calcitonina

A calcitonina é um hormônio produzido pelas células-C da tireoide. Na hiperplasia de células-C e no carcinoma medular da tireoide, os níveis de calcitonina ficam elevados, por isso o exame de sangue de calcitonina é usado para auxiliar no diagnóstico dessas doenças.  

A hiperplasia de células-C é uma condição benigna que pode, ou não, evoluir para um câncer, que é o carcinoma medular da tireoide. 

O exame também é usado para avaliar a resposta dos pacientes ao tratamento de câncer e acompanhá-los, para detectar uma possível volta do câncer depois de tratado. 

Esse exame só é usado para triagem de carcinoma medular da tireoide em pacientes com histórico familiar de neoplasia endócrina múltipla tipo 2. 

O hormônio pode estar presente em níveis elevados durante a gravidez e em pessoas com pancreatite.

Valores acima de 20 pg/mL podem indicar um câncer. 

Tireoglobulina

A tireoglobulina é uma proteína produzida pelas células da tireoide e encontra-se em níveis elevados nos tipos mais comuns de câncer de tireoide, o papilífero e o folicular. 

O exame de tireoglobulina é feito antes da cirurgia de retirada da glândula e após o tratamento, para verificar a eficácia da cirurgia. Os níveis de tireoglobulina também são acompanhados por um tempo após a cirurgia, para identificar uma possível recidiva do câncer. 

Níveis aumentados de tireoglobulina também estão presentes em condições benignas, como hipertireoidismo, tireoidite e tumores benignos. 

Valores acima de 78 g/mL de tireoglobulina podem ser sugestivos de câncer. 

Fontes e referências adicionais

Você já fez algum desses exames de sangue para detectar câncer? Qual foi o exame? Comente abaixo.

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Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco é Cirurgião do aparelho digestivo, Cirurgião geral - CRM 597798 RJ/ CBCD. Formou-se em Medicina pela UFRJ em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento em transplantes no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela UFRJ em 2010. Dr. Lucio Pacheco é autor de diversos livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico-cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D'Or e do Hospital Copa D'Or. Além disso é diretor médico do Instituto de Transplantes. Suas áreas de atuação principais são: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia, e transplante de fígado. Para mais informações, entre em contato.

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