Exame CEA: para que serve, como é feito e resultados

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atualizado em 17/05/2022

O exame CEA quantifica a concentração do antígeno carcinoembrionário (CEA) no sangue, uma proteína naturalmente produzida pelas células que recobrem o revestimento gastrointestinal do feto.

A proteína também é produzida na fase adulta, mas em menor quantidade. Porém, a sua concentração no sangue pode aumentar em uma condição de crescimento acelerado de células do sistema digestivo, ou seja, na presença de um tumor.

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Níveis elevados de CEA são encontrados em cerca de 65% dos pacientes diagnosticados com câncer colorretal. Por isso, o CEA foi compreendido como um bom marcador tumoral para esse tipo de câncer, indicando, principalmente, metástases ósseas e hepáticas.   

Veja para que serve o exame CEA, como ele é feito e como entender seu resultado.

Para que serve o exame CEA?

Intestino
O exame CEA auxilia no estadiamento do câncer colorretal

Por causa de sua baixa especificidade, o exame CEA não é usado como uma ferramenta para diagnóstico precoce e nem para triagem de câncer colorretal. 

Isso quer dizer que ele não é usado para diagnosticar o câncer colorretal na população geral, pois gera alta taxa de resultados falso-positivos. 

O exame CEA serve, entretanto, como um bom auxiliar no estadiamento do câncer. Ou seja, ele é usado para identificar os aspectos do câncer: sua localização no corpo e o nível de disseminação para outros órgãos (metástase). Essas são informações muito importantes para as decisões terapêuticas. 

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Níveis aumentados de CEA no sangue de pacientes já diagnosticados com câncer colorretal podem preceder as evidências de metástase nos exames de imagem, o que auxilia o médico ou médica nos ajustes do tratamento. 

Se o CEA for detectado em outros fluidos do corpo, como no líquido cefalorraquidiano (líquor), pode ser um indicativo de que o tumor se espalhou para o sistema nervoso central, por exemplo.

Além de ser uma ferramenta de detecção de metástase, o exame CEA serve para monitorar e avaliar a resposta da pessoa ao tratamento de câncer, seja ele quimioterapia, radioterapia ou cirurgia de ressecção do tumor.  

Ao acompanhar os níveis da proteína antes, durante e após o tratamento, o médico ou médica consegue avaliar se o tratamento está sendo eficaz e se todo o tumor foi retirado na cirurgia de ressecção tumoral. 

Se os níveis diminuem após a cirurgia, significa que a maior parte ou todo o tumor produtor de CEA foi removido com sucesso. 

Normalmente, pacientes que fizeram tratamento para câncer colorretal são acompanhados por, pelo menos, 5 anos, para avaliar se o câncer não voltou, o que é chamado de recidiva ou recorrência do câncer. Neste contexto, o exame CEA é repetido a cada 3 ou 6 meses.

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Como é feito o exame CEA?

Exame CEA
O exame é feito a partir de coleta de sangue normal

O exame é feito com a coleta de uma amostra de sangue da veia do braço, que é enviada para o laboratório, para dosar a quantidade da proteína CEA.

Não é necessária nenhuma preparação especial para esse exame. 

Como entender o resultado do exame CEA? 

Os valores referenciais da proteína CEA variam entre os laboratórios, dependendo do método de dosagem utilizado. 

Por isso, se o exame for utilizado para monitorar a resposta ao tratamento de câncer, ele deve ser sempre feito no mesmo laboratório. 

Há também uma variação no valor considerado “normal” para pessoas fumantes e não fumantes, visto que fumantes podem apresentar valores superiores de CEA no sangue e, mesmo assim, não ser um indicativo de câncer colorretal ou outro problema de saúde. 

Para os fumantes, valores de até 5,0 ng/mL são considerados normais e, para não fumantes, considera-se normal a concentração até 3,0 ng/mL

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Existe, também, um limite aceitável do quanto a concentração da proteína pode estar elevada no sangue e não ser considerada um indício de câncer. Quando o resultado do exame CEA supera o padrão normal em cinco vezes, passa-se a considerá-lo um forte indicativo de câncer colorretal, com possível metástase. 

Quando o exame é usado com o objetivo de prever recidivas do câncer em pacientes já tratados, são usados valores de CEA mais altos, superiores a 10 mcg/L.

Alterações no exame CEA: outras condições de saúde

Além dos fumantes, que podem apresentar concentrações mais elevadas de CEA no sangue, outras condições de saúde podem causar alterações no exame, ainda que não nos mesmos níveis que o câncer colorretal

Fontes e referências adicionais

Você já teve que fazer um exame CEA? Para qual finalidade? Quais finalidades do exame você ainda não conhecia? Comente abaixo.

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Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco é Cirurgião do aparelho digestivo, Cirurgião geral - CRM 597798 RJ/ CBCD. Formou-se em Medicina pela UFRJ em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento em transplantes no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela UFRJ em 2010. Dr. Lucio Pacheco é autor de diversos livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico-cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D'Or e do Hospital Copa D'Or. Além disso é diretor médico do Instituto de Transplantes. Suas áreas de atuação principais são: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia, e transplante de fígado. Para mais informações, entre em contato.

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