A gastrite é a inflamação, infecção ou erosão do revestimento do estômago, chamado de mucosa. As paredes internas do nosso estômago possuem um muco que as reveste. Esse muco é uma camada protetora que evita o contato do ácido clorídrico com a musculatura interna do estômago. Quando esse revestimento fica prejudicado, os sintomas da gastrite aparecem.
A gastrite pode ser provocada pela ingestão de alimentos gordurosos, consumo excessivo de bebidas alcóolicas e cigarro, uso de determinados medicamentos, vírus, parasitas, fungos e o refluxo da bile para dentro do estômago, e também pela bactéria a Helicobacter pylori.
Existem dois tipos desta condição: a gastrite aguda e a crônica. A gastrite ainda pode ser classificada de acordo com a sua causa (causada por vírus, bactérias, fungos, etc.), classificada pela localidade, ou seja, em qual parte do estômago está a inflamação, ou ainda pela forma como a inflamação se desenvolve (repentina ou devagar ao longo do tempo).
A gastrite aguda aparece de repente e por diversos motivos, mas é muito comum acontecer em situações de estresse, ingestão de bebidas alcoólicas, uso de algumas medicações, como por exemplo os anti-inflamatórios não esteroides, tabagismo ou alguma inflamação ou doença.
Pessoas com doenças respiratórias, nos rins ou no fígado têm maiores chances de sofrer de gastrite aguda.
A gastrite crônica é caracterizada por episódios frequentes dos sintomas (que veremos mais abaixo). Nessa fase, a pessoa já vem sofrendo por um período considerável de gastrite aguda sem um tratamento adequado e acaba desenvolvendo aos poucos a gastrite crônica, onde os sintomas são mais intensos e os episódios podem ser mais frequentes e de duração prolongada.
A gastrite nervosa é uma expressão muito usada e bastante comum, porém, não existe uma definição precisa para o seu significado. Geralmente usa-se esse termo quando uma pessoa passa por um estresse emocional relevante.
O estresse na nossa vida corrida afeta todo o nosso corpo, e não seria diferente com o estômago. Há uma conexão entre o estresse e os problemas estomacais. Todos nós sofremos com isso em algum momento. Pode variar de uma pequena indigestão, azia e queimação, até uma dor forte ou ainda levar a problemas crônicos de estômago.
Todo esse estresse pode piorar a gastrite, inflamar as úlceras e piorar os problemas relacionados ao estômago. Portanto, é importante encontrar meios de aliviar todo o estresse.
Os sintomas podem variar de acordo com o organismo de cada pessoa e ainda existem casos em que nem são percebidos. Os quadros mais comuns da gastrite são:
Em casos mais severos, pode haver sangue nas fezes e no vômito.
A gastrite, quando identificada e tratada corretamente, tem cura. Para ser feito um tratamento adequado, é necessário ter um diagnóstico avaliado por um médico, geralmente um gastroenterologista. Esse diagnóstico é feito através de exames físicos ou laboratoriais, como exame de sangue ou até mesmo uma endoscopia ou colonoscopia.
Após ter um diagnóstico confirmando o tipo de gastrite, o médico vai poder tratar da forma mais adequada possível, seja com antibióticos ou medicamentos que protegem o estômago.
Uma vez que uma gastrite aguda tenha avançado para crônica, será necessário um desses tipos de tratamento:
Nos casos de gastrite tipo A, o mais indicado é um tratamento com remédios para reduzir ou bloquear a produção do ácido estomacal. Nesse caso, alguns dos medicamentos mais comuns são o omeprazol e ranitidina e os antiácidos como o hidróxido de alumínio e o carbonato de cálcio.
Nos casos de gastrite tipo B, em que a causa é uma bactéria, é necessário o uso de antibióticos, como a amoxicilina, claritromicina e metronidazol para combater a infecção. Normalmente, é utilizada uma combinação de antibióticos e o tratamento dura entre 7 a 14 dias, podendo chegar a um mês. Tratar adequadamente uma pessoa com a bactéria H. Pylori reduz as chances dela desenvolver gastrite crônica.
Outras recomendações médicas também são importantes a serem seguidas, como reduzir ou interromper o uso de medicações como ibuprofeno e aspirina, que no caso da gastrite tipo C, em alguns pacientes, eles acabam contribuindo com a irritação da mucosa.
Para quem sofre de gastrite, é essencial adotar uma dieta que ajude a reduzir a irritação estomacal. Com isso, a pessoa deve evitar ou pelo menos limitar o consumo de:
Veja também: Alimentos ruins para gastrite e outras dicas
E o que se pode comer sem causar mais irritação na mucosa? A resposta é uma variedade de alimentos, especialmente os ricos em fibras e flavonoides, pois há estudos que mostraram que consumindo esses alimentos há uma redução no crescimento bacteriano do H. Pylori.
Alguns exemplos de alimento são:
Experimente incluir também alimentos probióticos. Os probióticos, como as espécies de Lactobacillus e Bifidobacterium, são bactérias benéficas que colonizam o revestimento do trato intestinal. Estudos mostraram que os probióticos podem ajudar no combate do Helicobacter.
Outros hábitos podem contribuir com o seu tratamento, como parar de fumar, jantar pelo menos 2 horas antes de ir dormir e fazer refeições menores e em intervalos mais curtos.