A História do Homem que Ficou 382 Dias em Jejum e Perdeu 60% do Peso

Especialista:
atualizado em 30/01/2020

A maioria das pessoas pode sobreviver sem alimentos por pelo menos algumas semanas, talvez um pouco mais. Em nossa rotina conturbada, por exemplo, frequentemente ficamos algumas horas sem comer e esses intervalos prolongados podem acarretar danos à saúde. Mas sabemos que, no final das contas, a fome mata.

No entanto, os limites sobre o tempo que as pessoas podem ficar sem comer são complexos. Sem água, o ser humano não deve conseguir sobreviver uma semana, mas a quantidade de tempo de inanição pode variar bastante.

Peguemos como exemplo a história de Angus Barbieri. Durante 382 dias, terminando em 11 de julho de 1966, o escocês que tinha 27 anos à época não comeu absolutamente nada.

Há uma documentação limitada sobre o jejum de Barbieri, mas há um relato de caso descrevendo a experiência que seus médicos publicaram no Postgraduate Medical Journal em 1973.

De acordo com esse relatório, Angus Barbieri queria apenas perder alguns quilos, e por conta disso resolveu iniciar uma dieta. O escocês estava perigosamente acima do peso e tomou a decisão de procurar a ajuda de especialistas da Departamento de Medicina da Universidade da Royal Infirmary de Dundee, na Escócia. Angus pesava mais de 200 quilos (precisamente, 207 kg) e desejava chegar aos 80 kg a princípio, de acordo com registros médicos.

Os médicos colocaram-no em um jejum breve, pensando que alguns dias sem comer iriam ajudá-lo a perder algum peso, embora não esperassem que ele conseguisse manter.

Ao final de 1 semana, ele tinha perdido 2,2 kg e sentia-se bem. A equipe médica então sugeriu que ele continuasse o jejum, ingerindo apenas líquidos não-calóricos, vitaminas e sais minerais, até o dia em que quisesse.

Mas esses dias em jejum foram transformando-se em semanas, e Barbieri sentia-se animado para continuar o programa. Por mais absurdo e arriscado que parecesse – jejuns de mais de 40 dias eram e ainda são considerados perigosos -, ele queria alcançar seu “peso ideal”, de 80 kg. Então, ele continuou.

No que foi uma surpresa para os médicos, ele viveu sua vida diária principalmente de casa durante o jejum, chegando ao hospital para exames freqüentes e pernoites. Testes regulares de açúcar no sangue – destinados a demonstrar que ele de alguma forma era capaz de sobreviver apesar de estar extremamente hipoglicêmico – asseguravam aos médicos que ele realmente não estava comendo. Semanas transformaram-se em meses.

Barbieri tomou vitaminas em várias ocasiões ao longo do jejum, incluindo suplementos de potássio e sódio. Ele foi autorizado a beber café, chá e água com gás, todos naturalmente livres de calorias. Ele disse que ocasionalmente ele pingava gotas de açúcar ou leite no chá, especialmente em suas últimas semanas de jejum.

Em 11/06/1966, Barbieri encerrou o experimento. Após 382 dias de jejum calórico absoluto, ele perdeu 124,2 kg (ou seja, 60% do seu peso), terminando próximo dos 83kg.

Após todo esse tempo, ele foi servido por um café da manhã “dos sonhos”, que consistiu apenas em uma torrada com manteiga, um ovo cozido e uma xícara de café preto, o que foi considerado por ele como um “banquete”, fazendo-o se sentir extremamente satisfeito.

Uma visita 5 depois do fim do experimento mostrou que ele havia ganhado apenas 7 kg subsequentemente – ou seja, praticamente manteve fora todo o peso que tinha perdido.

O recorde de Angus Barbieri foi registrado no Guinness Book de 1971, e permanece insuperado até os dias de hoje.

Os limites do corpo humano

O jejum do escocês é o exemplo mais extremo de uma dieta de jejum já registrado. Mas pelo menos uma pessoa teria ficado sem comer por mais tempo do que Barbieri, um homem chamado Dennis Galer Goodwin teria ficado 385 dias em uma greve de fome para afirmar sua inocência de uma acusação de estupro até de ser alimentado a força por um tubo.

Já em 1964, pesquisadores publicaram um estudo observando que a “fome prolongada” poderia ser um tratamento eficaz para a obesidade grave, com pelo menos um paciente permanecendo em jejum por 117 dias. Por razões médicas, vários outros têm ultrapassado a marca de 200 dias de jejum, embora haja pelo menos uma morte durante o período de realimentação para um desses pacientes.

Em certo sentido, essas histórias mostram a habilidade notável do corpo de (em alguns casos raros) sobreviver através de suas próprias reserva de gordura, desde que essas reservas sejam bastante excessivas, em primeiro lugar. Ainda assim, não se engane, esses tipos de dietas extremas podem ser mortais. Ninguém pode sobreviver sem energia, que vem de alimentos e pode vir de reservas de gordura, embora apenas por um período de tempo.

O “jejum” como forma de tratamento para a obesidade tinha certa popularidade nos anos 60 e 70, mas os médicos abandonaram essa estratégia porque os pacientes correriam risco de morte. Após um certo período de tempo, o corpo passa a queimar gordura e músculos, causando alterações físicas que aumentam drasticamente a chance de um ataque cardíaco fatal. Até mesmo dietas de baixas calorias que fornecem nutrição insuficiente causaram a morte, com relatórios de autópsia mostrando os sinais característicos de fome.

Mas como o caso de Barbieri mostra, a questão de quanto tempo as pessoas podem viver sem comer é complexa.

Você já tinha ouvido falar nessa história de Angus Barbieri? Acredita ser verdade que ele de fato conseguiu ficar tanto tempo sem comer? Já experimentou praticar algum jejum para emagrecer? Comente abaixo!

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4 comentários em “A História do Homem que Ficou 382 Dias em Jejum e Perdeu 60% do Peso”

  1. Já fiquei 32 dias sem comer nada, apenas tomando água. Estou fazendo jejum intermitente de ,48 horas e esporadicamente fico até 5 dias em jejum.

  2. Eu Dra, bati o recorde mundial em 2005. 😉 51 dias e 10 horas sem comer. https://www.google.com/amp/s/super.abril.com.br/mundo-estranho/quais-sao-os-limites-de-sobrevivencia-do-homem/amp/

  3. Sim, já havia falado do record de jejum de 382 dias. No momento estou fazendo o jejum intermitente de 48 horas como estratégia anti-inflamatórioa.

    • Dizer que quem faz jejum corre o risco de um ataque cardíaco fatal, é uma completa desinformação. Existem vários estudos que comprovam o contrário. Eu faço jejum intermitente e já me curei da hipertensão sem remédio nenhum, e vou levar o jejum para o resto da minha vida.