Maioria Carrega Anticorpos Após se Recuperar da COVID-19, Indica Estudo

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atualizado em 01/06/2020

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a pandemia do novo coronavírus no dia 11 de março. Mais de dois meses depois, a COVID-19, a doença provocada pelo vírus, ainda não é completamente conhecida pelos cientistas e profissionais de saúde, tanto que tem sido realizados diversos estudos para compreender melhor o novo coronavírus e encontrar uma vacina ou medicamento para a COVID-19.

Uma dessas pesquisas, postada na internet no começo de maio, apontou que após se recuperar da COVID-19, a maioria das pessoas avaliadas que contraiu a doença provocada pelo novo coronavírus produziu anticorpos contra ele. Entre os pacientes analisados, o nível dos anticorpos não apresentou diferenças por idade ou sexo e até mesmo as pessoas com sintomas leves produziram uma quantidade saudável de anticorpos.

Outros estudos de porte pequeno já tinham dado razão para esperar que os atingidos pelo novo coronavírus poderiam ganhar alguma imunidade por algum tempo, no entanto, essa nova pesquisa é considerada a maior até então, com resultados de 1.343 mil pessoas das redondezas da cidade de Nova Iorque nos Estados Unidos.

Os anticorpos são moléculas imunitárias produzidas pelo organismo para combater patógenos (agentes causadores de doenças). A presença de anticorpos no sangue geralmente oferece pelo menos alguma proteção contra o organismo invasor.

Autoridades de saúde de todo o mundo têm colocado as suas esperanças em testes que identificam anticorpos contra o novo coronavírus para determinar quais pacientes estão imunes e podem retornar com segurança ao trabalho. Falando nisso, saiba como são os diferentes tipos de testes para detectar o novo coronavírus.

O problema é que muitos dos testes de anticorpos vieram carregados com falsos positivos: eles apanharam sinais de anticorpos onde, na realidade, não havia nenhum. Já o estudo de maio baseou-se em um teste desenvolvido pelo virologista da Escola de Medicina Icahn nos Estados Unidos, Florian Krammer, que tem menos de 1% de chance de produzir resultados falsos positivos.

A partir do que a pesquisa sugeriu, o próximo passo é confirmar se a presença de anticorpos no sangue realmente se traduz em uma proteção contra o novo coronavírus. Segundo o virologista da Universidade Washington nos Estados Unidos, Sean Whelan, é necessário entender até que ponto esses anticorpos são neutralizantes e resultam na proteção contra o novo coronavírus.

É importante ressaltar aqui que ter anticorpos não é o mesmo que ter imunidade ao vírus. No entanto, em pesquisas anteriores, a equipe do virologista Florian Krammer havia apontado que os níveis de anticorpos estão muito associados à habilidade para desarmar o vírus, que é a chave para a imunidade.

Krammer e seus colegas testaram o potencial neutralizante dos anticorpos e identificaram que dentro de um grupo com aproximadamente uma dúzia de pessoas, das quais algumas tinham sintomas leves, o nível de anticorpos encontrado no sangue correspondia ao nível de atividade neutralizante.

O virologista está confiante que produzir anticorpos pode estar associado a ter alguma imunidade ao vírus. Entretanto, precisamos aguardar os resultados de novas pesquisas para que essa esperança seja confirmada.

Ainda que o estudo sugira uma boa notícia para a batalha contra o novo coronavírus, é importante ressaltar que ele ainda não tinha passado por uma revisão por pares, ou seja, ainda não havia sido revisado por especialistas ou publicado em um periódico científico (até o dia 7 de maio). Além disso, não está claro quanto tempo a proteção potencialmente promovida pelos anticorpos pode durar.

A pesquisa em detalhes

O estudo consistiu em uma análise dos resultados de testes de pacientes que doaram plasma convalescente (parte líquida do sangue após a recuperação da COVID-19), procedimento que consiste na extração de anticorpos do sangue.

Entenda por que os anticorpos presentes no plasma de recuperados podem ser arma para tratar infectados.

No total, 15 mil pessoas se inscreveram como doadores, mas a pesquisa de maio analisou apenas os resultados do primeiro conjunto de doadores. No geral, somente 3% destes participantes foram para a emergência ou precisaram ser hospitalizados, ao passo que o restante apresentou sintomas apenas leves ou moderados.

Inicialmente, os pesquisadores determinaram que para doar o plasma convalescente, a pessoa precisava estar livre de sintomas por três dias, porém mais tarde eles estenderam o período para 14 dias livres de sintomas.

Então, os pesquisadores testaram 624 pessoas que tinham resultado positivo para o novo coronavírus e se recuperado da doença provocada por ele. De primeira, 511 participantes apresentaram altos níveis de anticorpos, 42 registraram níveis baixos e 71 não tinham nenhum anticorpo.

Mais de uma semana depois, 64 dos pacientes com pouco ou nenhum nível de anticorpos foram testados novamente e, com exceção de três pessoas, todos apresentaram pelo menos alguns anticorpos.

Isso sugeriu que o período em que o nível de anticorpos é testado pode afetar bastante os resultados. A médica e professora associada da Escola de Medicina Icahn, Ania Wajnberg, liderou o projeto que conseguiu os 15 mil doadores de plasma convalescente e apontou que, embora os pesquisadores não estivessem estudando o momento ideal para testar anticorpos contra o novo coronavírus no paciente, a equipe encontrou bases suficientes para afirmar que 14 dias é provavelmente muito cedo para fazer o teste.

Até porque, segundo a professora associada da Escola de Medicina Icahn, foram registradas diferenças nos níveis de anticorpos entre os testes feitos depois de 20 dias e o testes realizados depois de 24 dias. Para Wajnberg, a recomendação agora deve ser aguardar no mínimo três semanas após o surgimento dos sintomas para testar o nível de anticorpos.

Posteriormente, os pesquisadores incluíram mais 719 pessoas com suspeita de COVID-19 na análise. A suspeita da infecção pelo novo coronavírus era baseada nos sintomas apresentados e na exposição ao vírus. Essas pessoas não tiveram o diagnóstico confirmado porque no período não havia testes de COVID-19 disponíveis para a maiora das pessoas em Nova Iorque.

Entretanto, dentro deste segundo grupo de pessoas o cenário encontrado foi bem diferente: a maioria dos participantes (62%) aparentemente não tinha anticorpos. Uma hipótese é que alguns deles possam ter sido testados cedo demais após a doença para que os anticorpos pudessem ser identificados.

No entanto, para a professora associada da Escola de Medicina Icahn, o provável é que muitos deles tenham confundido a gripe, alguma outra infecção viral ou até mesmo alergias com a doença provocada pelo novo coronavírus. Aprenda como diferenciar uma alergia do novo coronavírus.

Wajnberg acredita que todo mundo em Nova Iorque deve pensar que já teve COVID-19. Porém, a médica alertou que as pessoas não devem imaginar que uma febre experimentada no começo do ano tenha sido o novo coronavírus e que por isso encontram-se atualmente imune ao vírus.

Por sua vez, outros especialistas ficaram mais chocados com a porcentagem de pessoas que apresentaram anticorpos, mesmo que não tenham recebido a confirmação do diagnóstico de COVID-19. Para a imunologista viral da Universidade Stanford nos Estados Unidos, Taia Wang, o valor sugere que há uma quantidade enorme de infecções pelo novo coronavírus que não são diagnosticadas em grandes cidades como Nova Iorque.

Outra descoberta apontada pelo estudo – que os exames do tipo PCR (um dos outros tipos de testes para detectar o novo coronavírus) pode dar positivo até 28 dias depois do início da infecção – também foi considerada importante pela virologista da Universidade Stanford.

De acordo com Wang, é necessário descobrir quanto tempo demora para o organismo se livrar do vírus e por quanto tempo uma pessoa permanece contagiosa – questionamentos para os quais ainda não existem respostas.

Apesar disso, tanto a virologista quanto outros cientistas acreditam que é bastante improvável que testar positivo tanto tempo depois do surgimento dos sintomas represente a presença de um vírus infeccioso.

Inclusive, pesquisadores da Coreia do Sul anunciaram recentemente que casos suspeitos de reinfecção pelo novo coronavírus poderiam se tratar de resquício do vírus morto detectado por exames do tipo PCR. Entenda melhor por que especialistas acreditam que sul-coreanos que testaram novamente positivo para COVID-19 não foram reinfectados.

O virologista da Escola de Medicina Icahn, Florian Krammer, lembrou que o vírus do sarampo pode ser identificado em exames seis meses depois da doença. Além disso, fragmentos genéticos dos vírus e zika são conhecidos por permanecer por ainda mais tempo no organismo.

Ainda assim, a virologista da Universidade de Stanford prega que até que se saiba mais sobre como o novo coronavírus se comporta neste sentido, é prudente que todo mundo trate um resultado positivo do exame tipo PCR como a presença confirmada de um vírus contagioso. Isso significa tomar todos os cuidados para prevenir a contaminação de outras pessoas mesmo quando o PCR der positivo depois de vários dias sem sintomas.

Fontes e Referências Adicionais:

Você conhece alguém que já tenha sido diagnosticado com COVID-19? E você, já foi contagiado? Chegou a fazer algum dos testes mencionados? Comente abaixo!

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