Passar Muito Tempo no Trânsito Está Literalmente Destruindo seu Cérebro

Especialista:
atualizado em 30/01/2020

Ficar preso no trânsito por longos períodos de tempo por dia pode ter um sério efeito sobre o cérebro humano. Isso de acordo com a pesquisa financiada pelo Ministério da Saúde do Canadá publicado este mês no Lancet, que analisou a saúde neurológica de duas populações em grande escala que vivem em Ontário, a mais populosa província do Canadá, composto por vários milhões de adultos cada.

O estudo descobriu que aqueles indivíduos que vivem perto de rodovias movimentadas sofreram taxas significativamente aumentadas de demência, um sintoma de neurodegeneração irreversível.

Especificamente, o estudo constatou que 1 em cada 10 casos de demência poderia ser atribuído à exposição ao trânsito urbano. Isso sustenta pesquisas anteriores que descobriram que viver perto de estradas – e a poluição associada ao ar – pode estar vinculado a “efeitos insidiosos sobre o envelhecimento estrutural do cérebro”.

O estudo do Ministério da Saúde do Canadá analisou todos os adultos entre 20 e 85 anos que vivem em Ontário, uma população de cerca de 6,6 milhões de pessoas. Usou os códigos postais de cada pessoa para determinar a proximidade de estradas e registros de saúde para determinar a incidência de demência, doença de Parkinson ou esclerose múltipla. Nenhuma correlação foi encontrada entre as duas últimas condições e o fato de viver em torno do trânsito.

O risco de demência, no entanto, variou com a proximidade de estradas movimentadas. Aqueles que viviam a menos de 50 metros de uma estrada movimentada eram cerca de 7% mais propensos a desenvolver a demência. Na faixa de 50 a 100 metros de proximidade, o aumento caiu para cerca de 4%, enquanto 100 a 200 metros levou a um aumento de 2%. A distâncias maiores, não foi encontrado um aumento significativo.

Ao controlar dois poluentes do ar comuns – dióxido de nitrogênio e partículas finas de matéria – os pesquisadores conseguiram anular alguns, mas não todos os riscos aumentados. Isto aponta para a probabilidade de que o risco de demência aumentado ocorra devido a uma combinação de fatores, possivelmente incluindo o aumento dos níveis de ruídos encontrados em locais com vias movimentadas.

O estudo levou em conta fatores de complicação como status socioeconômico, níveis de educação, IMC e tabagismo, mas como é um estudo observacional – onde a variável de interesse não está sob o controle direto dos pesquisadores – não pode fazer alegações estritas de causalidade. Mesmo assim, levando-se em conta os controles acima, é difícil imaginar o que mais poderia ser fator preponderante.

Então, o que estamos enfrentando é um grande problema de saúde pública. Lilian Calderón-Garcidueñas, pesquisadora da Universidade de Montana, que estuda os efeitos neurológicos da poluição atmosférica, conclui que “a observação de demência envolvendo predominantemente residentes urbanos abre uma preocupação crucial para a saúde global ara milhões de pessoas… Devemos implementar medidas preventivas agora, ao invés de tomar ações reativas décadas depois.”

Você mora em algum local com muito trânsito? Passa muito tempo do seu dia preso nele? Isso realmente acaba com o seu humor? Comente abaixo!

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