Agrotóxicos

Agrotóxico Causa Câncer? Análises sobre Agrotóxicos e Câncer

Os agrotóxicos são usados em muitas culturas e plantações comerciais de frutas, vegetais e grãos para protegê-los de insetos, ervas daninhas, fungos, doenças, camundongos e outros animais, bactérias e vírus. No Brasil, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) é o órgão responsável por fornecer o registro de agrotóxicos, e a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) realiza a avaliação toxicológica do produto.

Assim como os antibióticos e outras drogas, eles são utilizados para proteger o gado de parasitas e doenças, e hormônios extras podem ser administrados em animais para aumentar a produção de carne e leite.

Ao se livrar de fontes de doenças, os agrotóxicos, assim como os pesticidas e antibióticos, ajudam a aumentar a produção, reduzir a perda e proteger o suprimento de alimentos contra ameaças. Porém, muitas pessoas questionam o quão seguros são esses produtos químicos e hormônios para elas, que se preocupam com os resíduos dos agrotóxicos encontrados em frutas e vegetais e na alimentação animal – que podem acabar nas carnes, frangos, peixes e produtos lácteos, além de quais são os antibióticos que podem causar problemas à saúde, incluindo um aumento do risco de câncer.

O Instituto Nacional de Câncer José Gomes da Silva (INCA) e o Ministério da Saúde (MS) estimam que, até o final de 2018, haverá a ocorrência de cerca de 600 mil casos novos de câncer no Brasil, e para 2019, as estimativas são as mesmas, ou seja, os números tendem a crescer anualmente. Mas será que há uma relação com essas substâncias? O agrotóxico causa câncer mesmo?

Agrotóxico causa câncer?

Um grupo internacional de saúde está questionando a segurança de um agrotóxico amplamente utilizado que há muito tempo era considerado não prejudicial pelos órgãos responsáveis dos Estados Unidos.

A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), um braço de pesquisa da Organização Mundial da Saúde, em março de 2015 disse que o glifosato é uma “provável” substância cancerígena.
Essa descoberta, que foi desafiada pelos fabricantes do Roundup, a Monsanto, vem décadas depois que a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos afirmou que o glifosato é seguro para as pessoas.

Considerado o agrotóxico mais utilizado em todo o mundo, pulverizado em tudo, desde campos de golfe a hortas domésticas, ele é usado principalmente na agricultura e pulverizado em culturas geneticamente modificadas como soja, milho e algodão. As plantas são projetadas para resistir ao agrotóxico que é usado para matar as ervas daninhas ao redor delas.

A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) afirmou que os trabalhadores ou jardineiros domésticos podem inalá-lo ou entrar em contato com a pele “durante a pulverização, a mistura e a limpeza”.

Especialistas advertem: “Fiquem atentos”

Aaron Balir, PhD, do National Cancer Institute, e um dos principais pesquisadores do estudo realizado pela IARC, disse que 17 cientistas do mundo todo concluíram que o glifosato pode ser perigoso. Eles analisaram todos os estudos publicamente disponíveis e que foram publicados sobre o produto químico e a sua relação com o câncer. Isso incluiu estudos sobre pessoas, animais e células de laboratório. O painel não considerou revisões feitas por agências reguladoras.

Em 3 dos 4 estudos realizados com trabalhadores agrícolas americanos, canadenses e suecos, a pesquisa da IARC encontrou uma ligação entre o glifosato e o linfoma não-Hodgkin, um câncer do sistema imunológico. De acordo com Blair, um quarto estudo realizado durante vários anos com 80.000 agricultores americanos não mostrou nenhum relacionamento entre eles.

Evidências de estudos em animais também mostraram uma ligação entre o glifosato e raros cânceres renais e pancreáticos. Estudos de células mostraram alterações anormais no DNA celular quando este foi exposto ao glifosato. A combinação de todos os estudos levou a IARC a concluir que trata-se de um “provável” cancerígeno, disse Blair.

“’Provável’ significa que havia provas suficientes para dizer que é mais do que possível, mas não há provas suficientes para dizer que é uma substância cancerígena”, ele continua “isso significa que você deve ficar um pouco preocupado com o glifosato”.

O pesquisador não sabia dizer se “provavelmente” esse agrotóxico causa câncer porque essa questão está ligada ao nível e ao tipo de exposição ao produto químico. O grupo de Blair não considera fatores como esses.

Empresas ficam indignadas com a pesquisa

A empresa Monsanto disse que a descoberta da IARC contradiz com décadas de evidências sobre este produto químico. “Estamos indignados com essa avaliação”, disse em um comunicado Robert Fraleu, PhD, diretor de tecnologia da Monsanto. “Esta conclusão é inconsistente com as décadas de revisões abrangentes e contínuas de segurança pelos principais autores de regulamentação em todo o mundo”.

Ray McAllister, PdH, diretor sênior de política regulatória da CropLife America, um grupo de defesa de produtores agroquímicos, disse que o IARC não considerou muitos estudos que a indústria produziu para provar a segurança do glifosato.

“O consumidor não deve se preocupar com este produto químico”, disse McAllister.

Grupos insistem que a EPA deve reconsiderar

A EPA determina níveis de exposição seguros de produtos químicos, e de acordo com a agência, a principal fonte do produto químico na água potável é o escoamento do uso de herbicidas, porém ele não dura muito tempo na água.

Beber água com mais do que um pouco de glifosato (0,7 miligramas por litro) durante muitos anos pode danificar os rins e os órgãos reprodutivos, disse a EPA, porém, segundo a agência, não há evidências suficientes para dizer se consumir ou não água com glifosato durante o curso de sua vida tem o potencial de causar câncer.

A EPA disse em um comunicado que considerará a conclusão da IARC como parte de uma reavaliação programada da substância que acontece a cada 15 anos.

Outros produtos químicos que a IARC identificou como “prováveis” cancerígenos incluem acrilamida, substância química que vem do cozimento de alimentos ricos em carboidratos, como batatas fritas por exemplo, nitratos em carnes curadas, como bacon e salsicha, e emissões de madeira queimadas dentro de casa, como no caso das lareiras, fogão à lenha, e etc.

Efeitos dos agrotóxicos na saúde e câncer

Além dessa pesquisa sobre agrotóxicos e câncer, muitas outras vêm sendo realizadas em vários países. No Canadá, especialistas de várias faculdades de medicina se reuniram para estudar os efeitos desses químicos na saúde e analisar se de fato o agrotóxico causa câncer.

Com o objetivo de revisar a literatura documentada que associa o uso de agrotóxicos e câncer, foram pesquisadas publicações feitas entre 2003 e 2012 sobre o linfoma não-Hodgkin, leucemia e 8 tumores sólidos: câncer no cérebro, mama, rim, pulmão, ovário, pâncreas, próstata e estômago.

A maioria dos estudos sobre linfoma não-Hodkin e leucemia mostrou associações positivas com a exposição a agrotóxicos. Alguns mostraram relações dose-resposta e alguns conseguiram identificar pesticidas específicos.

A exposição de crianças e mulheres grávidas a agrotóxicos foi positivamente associada com cancros estudados em alguns estudos, assim como a exposição dos pais a agrotóxicos.

Muitos estudos mostraram as associações positivas entre exposição a agrotóxico e tumores sólidos, e as mais consistentes foram encontradas no caso de câncer no cérebro e na próstata. Também foi encontrada uma associação entre o câncer renal em crianças e a exposição dos pais aos pesticidas. Essas associações foram mais consistentes para exposições altas e prolongadas.

Limitações inerentes e específicas aos estudos epidemiológicos foram observadas, particularmente em torno de determinar se e quanta exposição havia ocorrido.

Como conclusão, as descobertas apoiam as tentativas de reduzir a exposição a pesticidas, que são provavelmente melhor alcançadas através da diminuição do uso de agrotóxicos para fins cosméticos e na dieta.

O que fazer

Como visto, diferentes pesquisas demonstram que há uma certa relação entre agrotóxico e câncer, porém, isso depende do agrotóxico usado e nada pode ser afirmado com total certeza, já que várias outras pesquisas estão sendo realizadas. Porém, se você tem o receio de que agrotóxico causa câncer e quer evitar o consumo destes produtos, uma dica é optar com comprar produtos orgânicos.

Para reduzir sua exposição a pesticidas, poderá comprar alimentos produzidos organicamente. O termo “orgânico” significa que as plantas e/ou laticínios foram cultivados e/ou produzidos sem agrotóxicos, fertilizantes ou modificações genéticas. “Orgânico” também se refere à carne, aves, ovos e produtos lácteos criados/produzidos sem serem alimentos com hormônios de crescimento ou antibióticos extras quando estão saudáveis. Estes alimentos orgânicos vêm de animais que foram alimentados com grãos orgânicos e outros alimentos.

Além dos alimentos, também há cosméticos e outros tipos de produtos orgânicos que estão disponíveis no mercado.

Embora esses produtos costumem ser mais caros que os outros, uma opção é encontrar pequenos produtores em sua região, como alguém que tem uma pequena horta, ou que produz queijo em seu sítio por exemplo.

Várias pesquisas ainda precisam ser feitas para de fato confirmar ou não se agrotóxico causa câncer, e assim definir com exatidão essa relação.

Como visto, há vários órgãos nacionais e internacionais responsáveis por liberar o uso desses produtos ou não, e caso você queira se prevenir, lembre-se de optar pelos produtos orgânicos, que não usam agrotóxicos em suas produções.

Referências adicionais:

Você já tinha ouvido falar que agrotóxico causa câncer? Tem costume de consumir alimentos orgânicos, sem o uso destes produtos químicos? Comente abaixo!

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Revisão Geral pela Dra. Patrícia Leite - (no G+)



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