Colite pseudomembranosa: o que é, sintomas, causas e tratamento

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atualizado em 14/12/2021

A colite pseudomembranosa é uma inflamação no cólon, localizado no intestino grosso, que causa diarreia, dor abdominal e febre. Essa doença é provocada por uma bactéria chamada Clostridioides difficile (C. difficile). 

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Se você sentiu algum desses sintomas, enquanto estava em tratamento com antibióticos, provavelmente seu médico suspeitou de colite pseudomembranosa. 

Veja mais detalhes sobre essa doença, as causas, as formas de prevenção, os sintomas e os tratamentos disponíveis. 

O que é colite pseudomembranosa?

Dor intestinal

A bactéria causadora da colite pseudomembranosa faz parte da microbiota natural do nosso intestino e, em situações normais, não provoca a doença, graças ao equilíbrio proporcionado pelas bactérias boas, que também estão no nosso intestino. 

Quando ocorrem situações que quebram esse equilíbrio, a C. difficile fica em vantagem e passa a se multiplicar no intestino. As toxinas que essa bactéria libera ligam-se à camada interna do intestino grosso, machucando o tecido e provocando intensas dores abdominais, diarreia e liberação de muco e sangue nas fezes.

Causas da colite pseudomembranosa

O principal fator que afeta o equilíbrio da microbiota é o uso de antibióticos de largo espectro, que são usados para combater diversos tipos de infecções, atingindo várias espécies de bactérias de uma vez. 

O problema é que esses antibióticos acabam afetando, também, as bactérias boas do intestino e, com elas em menor número, as bactérias oportunistas podem crescer e se multiplicar, como é o caso da C. difficile. 

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Os antibióticos mais associados com a ocorrência de colite pseudomembranosa são: 

  • Fluoroquinolonas
  • Penicilinas
  • Clindamicina
  • Cefalosporinas

Medicamentos quimioterápicos também podem causar o desequilíbrio da microbiota intestinal, favorecendo a infecção pela C. difficile. 

Fatores de risco

Além do uso inadequado de antibióticos, são fatores de risco:

  • Longos períodos de internação hospitalar ou em casas de repouso
  • Idade superior a 65 anos
  • Estar com o sistema imunológico debilitado.
  • Possuir alguma doença inflamatória intestinal ou câncer colorretal.
  • Ter feito uma cirurgia intestinal.
  • Não lavar as mãos após usar o banheiro.
  • Estar em tratamento de câncer com quimioterápicos.

Complicações 

É comum que a colite pseudomembranosa retorne após a resolução de um episódio de infecção pela C. difficile, caracterizando a colite pseudomembranosa recorrente. Nesses casos, as crises frequentes de diarreia podem levar à desidratação. Em alguns casos, a desidratação acontece de forma tão rápida, que leva à falência dos rins. 

A complicação mais grave e rara da colite pseudomembranosa é o megacólon tóxico, causado pelo acúmulo de fezes e gases no cólon, que fica muito distendido. Se não for tratado com emergência, o cólon pode romper e liberar as bactérias na cavidade abdominal, o que pode ser fatal.  

Como prevenir

Para prevenir a colite pseudomembranosa, é necessário entender como ocorre a transmissão da doença. Ela se dá através de fezes contaminadas pela bactéria C. difficile, que fica na forma de esporos, bastante resistente aos desinfetantes à base de álcool, e sobrevive por muito tempo no ambiente. 

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Crianças e idosos com o sistema imunológico mais fraco estão mais vulneráveis a desenvolver a colite pseudomembranosa, caso tenham contato com pessoas e objetos contaminados. 

Então, as recomendações para prevenir a colite pseudomembranosa são: 

  • Lavar as mãos com frequência, utilizando água e sabão
  • Se tiver contato com alguém doente, lave bem as roupas e os utensílios que tiveram contato com a pessoa. Se estiver em ambiente hospitalar, o mais recomendado é usar luvas de proteção. 
  • Não faça uso desnecessário de antibióticos, principalmente sem prescrição médica. O médico fará a indicação do antibiótico mais adequado para sua situação, ou seja, aquele que for o mais específico possível para tratar a infecção, com o menor tempo possível de uso do medicamento. Veja os riscos do uso descontrolado de antibióticos.

Sintomas da colite pseudomembranosa

Dor na barriga

Os sintomas a seguir são bem comuns na colite pseudomembranosa, mas podem variar em intensidade, de caso para caso: 

  • Diarreia aquosa
  • Cólica abdominal
  • Febre
  • Pus ou muco nas fezes
  • Náuseas
  • Perda de apetite
  • Desidratação

A diarreia e a cólica abdominal podem começar após 1 ou 2 dias do início do tratamento com antibióticos ou iniciarem somente após a finalização do tratamento.

Como é feito o diagnóstico da colite pseudomembranosa?

O diagnóstico é feito por meio de avaliação clínica, exames laboratoriais e de imagem:

  • Exame de fezes: feito para investigar a presença da bactéria C. difficile.
  • Exame de sangue: indica a contagem de células de defesa que, se estiverem aumentadas, sugerem infecção pela bactéria.
  • Colonoscopia ou sigmoidoscopia: usadas para visualizar a mucosa intestinal e procurar pelos sinais da doença, que são as placas amareladas e o inchaço do cólon. O médico também pode coletar o material das placas, para realizar uma biópsia. 
  • Exames de imagem: em casos de sintomas graves, o médico pode realizar uma tomografia computadorizada do abdômen, para investigar se há a ocorrência de megacólon tóxico ou ruptura. 

Como tratar a colite pseudomembranosa?

A primeira ação terapêutica é a suspensão do antibiótico que causou o problema da colite pseudomembranosa. Em alguns casos, o quadro é resolvido somente com essa medida. 

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Quando os sintomas persistem, o médico inicia um tratamento com antibiótico específico para a C. difficile, com a intenção de diminuir a quantidade dessas bactérias, possibilitando que as bactérias boas recomponham a microbiota intestinal. Podem ser necessárias algumas rodadas de tratamento, pois a colite pseudomembranosa pode se tornar recorrente. 

Os casos que não respondem ao tratamento convencional e que apresentam falência de órgãos, ruptura do cólon ou inflamação da parede abdominal são tratados com cirurgia, que envolve a remoção total ou parcial do cólon (colectomia total ou subtotal). Atualmente, a laparoscopia tem sido escolhida como uma técnica cirúrgica menos invasiva, e tem apresentado bons resultados.  

Uma estratégia terapêutica recente é o transplante de fezes, em que as fezes de um doador saudável são transferidas para uma pessoa com colite pseudomembranosa recorrente. O objetivo dessa técnica é transferir as bactérias boas da pessoa saudável para o intestino doente, a fim de restaurar a sua microbiota. 

Antes do transplante, o doador é rigorosamente selecionado e as fezes são devidamente tratadas em laboratório. Confira mais detalhes sobre o procedimento de transplante de fezes.

Fontes e referências adicionais

Você já teve um quadro de colite pseudomembranosa? Qual foi o tratamento que seu médico recomendou? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Marcos Marinho

Dr. Marcos Marinho é especialista em Gastroenterologia, Endoscopia Digestiva e Ultrassonografia - CRM 52.104130-4. Formou-se em Medicina pela Universidade do Grande Rio (Unigranrio) e é pós-graduado em Gastroenterologia pelo IPEMED. Realizou cursos de ultrassonografia geral e intervencionista pela Unisom, ultrassonografia musculoesquelética e Doppler pelo CETRUS. Atualmente, é pós-graduando de Endoscopia Digestiva pela Faculdade Suprema de Juiz de Fora-MG. No momento, atua em vários municípios do estado do Rio de Janeiro como na capital, Niterói, Magé e Araruama. Dr. Marcos Marinho tem experiência em setores variados de sua especialização e continua em constante aprendizado e evolução para ser uma referência da área. Para mais informações, entre em contato através de seu Instagram oficial @drmarcosmarinho

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