Dipirona Afina o Sangue Mesmo?

Especialista:
atualizado em 13/05/2020

Veja se é verdade que a Dipirona afina o sangue mesmo ou se esse não é um efeito esperado ao tomar o medicamento analgésico e antitérmico.

A Dipirona, como já adiantamos, é um medicamento bastante conhecido por ser indicado como um agente analgésico – para amenizar a dor – e antitérmico – para o tratamento da febre.

É esperado que ele comece a agir no organismo entre 30 minutos a 60 minutos depois da administração e que os seus efeitos durem aproximadamente quatro horas. As informações são da bula de Dipirona sódica em solução oral da Medley, disponibilizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Mas você já parou para reparar se além de tratar a dor e a febre, o remédio não pode provocar outros efeitos ao nosso organismo? Por exemplo, há pessoas que dizem que a Dipirona dá sono, enquanto outras acreditam que a Dipirona afina o sangue.

Mas será que a Dipirona afina o sangue mesmo?

De acordo com informações do Jornal da USP (Universidade de São Paulo), quando dizemos que alguma coisa “afina a sangue”, isso pode se referir à diminuição da probabilidade da formação de coágulos sanguíneos que podem obstruir o fluxo de sangue.

Os anticoagulantes são os medicamentos utilizados para afinar o sangue e prevenir a trombose (formação de coágulo sanguíneo) de artérias e veias. Eles são considerados importantes para os pacientes que sofrem com problemas como arritmias cardíacas, doenças cardiovasculares e problemas hereditários como a trombofilia, que é uma predisposição ao desenvolvimento da trombose.

Como a bula de Dipirona Monoidratada em solução oral da Medley, disponibilizada pela Anvisa, informa, a função do remédio não é ser um anticoagulante, mas sim um analgésico e antitérmico. Portanto, pelo menos em termos de indicação de uso, não temos como afirmar que a Dipirona afina o sangue.

De qualquer maneira, quem tem a necessidade de afinar o sangue deve utilizar somente o medicamento que o médico prescrever para esse fim, sempre obedecendo às recomendações do profissional em relação à dosagem, frequência de uso, duração e demais aspectos do tratamento.

Automedicar-se com qualquer remédio para afinar o sangue, especialmente com um que não é voltado para tal finalidade, pode ser perigoso. Isso porque utilizar um medicamento sem a orientação médica ou sem ler a bula traz o risco de usar uma substância contraindicada sem nem ao menos saber, de se expor a efeitos colaterais desnecessários e de utilizar uma dosagem inadequada, exagerada e perigosa do remédio.

Por mais que aparente ser um medicamento comum, a Dipirona é contraindicada para certos grupos de pessoas, exige uma série de cuidados e pode provocar diversos efeitos colaterais, como veremos mais abaixo.

Possível interação entre Dipirona e os anticoagulantes

A bula de um medicamento na forma de solução injetável indicado para o tratamento dos sintomas de diversas cólicas (intestinais, estomacais, urinárias das vias biliares, dos órgãos sexuais femininos e menstruais), que é composto pelo butilbrometo de escopolamina e pela dipirona sódica, informa que o remédio não pode ser administrado via intramuscular pelos pacientes que também fazem uso de anticoagulantes via injeção intramuscular.

De acordo com o documento, que é da Farmace Indústria Químico-Farmacêutica Cearense, a aplicação de ambos os medicamentos via intramuscular pode resultar no aparecimento de hematoma.

Efeitos colaterais da Dipirona

Agora que já discutimos se a Dipirona afina o sangue, chegou a hora de conhecermos as reações adversas que o medicamento pode causar. Pois bem, conforme informações da bula de Dipirona Monoidratada em solução oral da Medley, disponibilizada pela Anvisa, o remédio pode provocar:

  • Síndrome de Kounis (aparecimento simultâneo de eventos coronarianos agudos e reações alérgicas ou anafilactoides, engloba conceitos como infarto alérgico e angina alérgica);
  • Choque anafilático, reações anafiláticas ou anafilactoides que podem se tornar graves com risco à vida e, em alguns casos, serem fatais. Estas reações podem ocorrer mesmo após dipirona monoidratada solução oral (gotas) ter sido utilizada previamente em muitas ocasiões sem complicações. Normalmente, reações anafiláticas/anafilactoides leves manifestam-se na forma de sintomas na pele ou nas mucosas (tais como: coceira, ardor, vermelhidão, urticária, inchaço), falta de ar e, menos frequentemente, doenças/queixas gastrointestinais. Estas reações leves podem progredir para formas graves com coceira generalizada, angioedema grave (inchaço em região subcutânea ou em mucosas, geralmente de origem alérgica até mesmo envolvendo a laringe), broncoespasmo grave, arritmias cardíacas (descompasso dos batimentos do coração), queda da pressão sanguínea (algumas vezes precedida por aumento da pressão sanguínea) e choque circulatório (colapso circulatório em que existe um fluxo sanguíneo inadequado para os tecidos e células do corpo);
  • Reações de intolerância na forma de crises asmáticas (falta de ar) em pacientes com síndrome da asma analgésica;
  • Podem ocorrer ocasionalmente erupções medicamentosas fixas; raramente exantema (erupções na pele), e, em casos isolados, síndrome de Stevens-Johnson (forma grave de reação alérgica caracterizada por bolhas em mucosas e em grandes áreas do corpo) ou síndrome de Lyell/Necrólise Epidérmica Tóxica (doença grave com o aparecimento de bolhas em grande extensão da pele, que evolui com áreas avermelhadas semelhantes a uma grande queimadura);
  • Distúrbios do sangue e sistema linfático como anemia aplástica (doença em que a medula óssea produz em quantidade insuficiente os glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas), agranulocitose (diminuição do número de granulócitos – tipos de glóbulos brancos – no sangue, em consequência de um distúrbio na medula óssea) e pancitopenia (redução de glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas), incluindo casos fatais, leucopenia (redução dos glóbulos brancos) e trombocitopenia (diminuição de plaquetas). Estas reações podem ocorrer mesmo após a dipirona monoidratada solução oral ter sido utilizada previamente em muitas ocasiões, sem complicações. Em pacientes recebendo tratamento com antibiótico, os sinais típicos de agranulocitose podem ser mínimos. Os sinais típicos de trombocitopenia incluem uma maior tendência para sangramento e aparecimento de pontos vermelhos na pele e membranas mucosas;
  • Reações hipotensivas (de diminuição da pressão arterial) isoladas: reações hipotensivas transitórias isoladas podem ocorrer ocasionalmente após a administração; em casos raros, estas reações apresentam-se sob a forma de queda crítica da pressão sanguínea;
  • Piora súbita ou recente da função dos rins (insuficiência renal aguda), em alguns casos com diminuição da produção de urina, redução muito acentuada da produção de urina ou perda aumentada de proteínas através da urina, em casos muito raros, especialmente em pacientes com histórico de doença nos rins;
  • Nefrite intersticial aguda (um tipo de inflamação nos rins) em casos isolados;
  • Coloração avermelhada na urina;
  • Sangramento gastrointestinal.

Ao experimentar qualquer uma das reações mencionadas acima ou ainda algum outro tipo de efeito colateral ao longo do seu tratamento com a Dipirona, procure rapidamente a ajuda médica mesmo que não imagine se tratar de um sintoma muito grave.

Isso é fundamental para verificar a real seriedade do sintoma, receber o tratamento apropriado e saber como deve proceder em relação ao uso do medicamento.

Contraindicações da Dipirona

O medicamento não pode ser utilizado por pessoas que tenham ou estejam com:

  • Alergia ou intolerância à dipirona, a qualquer um dos componentes da formulação do remédio ou a outras pirazolonas ou a pirazolidinas (por exemplo: fenazona, propifenazona, isopropilaminofenazona, fenilbutazona, oxifembutazona) incluindo experiência prévia de agranulocitose (diminuição acentuada na contagem de glóbulos brancos do sangue) com uma destas substâncias;
  • Função da medula óssea prejudicada ou doenças do sistema hematopoiético (responsável pela produção das células sanguíneas);
  • Desenvolvido broncoespasmo (contração dos brônquios levando a chiado no peito) ou outras reações anafilactoides, como urticária (erupção na pele que causa coceira), rinite (irritação e inflamação da mucosa do nariz), angioedema (inchaço em região subcutânea ou em mucosas) depois do uso de medicamentos para dor como salicilatos, paracetamol, diclofenaco, ibuprofeno, indometacina, naproxeno;
  • Porfiria hepática aguda intermitente (doença metabólica que se manifesta através de problemas na pele e/ou com complicações neurológicas) pelo risco de indução de crises de porfiria;
  • Deficiência congênita da glicose-6-fosfato-desidrogenase (G6PD), pelo risco de hemólise (destruição dos glóbulos vermelhos, o que pode levar à anemia);
  • Grávidas;
  • Amamentando.

Outros cuidados importantes

A bula de Dipirona Monoidratada em solução oral da Medley, disponibilizada pela Anvisa, adverte ainda que o uso do remédio em pacientes idosos requer cuidados, sendo necessário considerar a possibilidade de que as funções dos rins e do fígado estejam prejudicas.

O emprego de dosagens elevadas do medicamento em pacientes que sofrem com insuficiência renal e hepática deve ser evitada, completa o documento, que também ressalta que a administração da Dipirona em crianças pequenas exige a supervisão médica.

Além disso, antes de começar o tratamento com o remédio é importante perguntar ao médico se não pode fazer mal usá-lo ao mesmo tempo em que algum outro medicamento, suplemento ou planta que já esteja sendo utilizada no momento.

Antes de começar a usar a Dipirona em qualquer uma de suas versões é necessário ainda ler toda a bula do medicamento na íntegra e obedeça a todas as recomendações especificadas pelo documento.

Atenção: este artigo serve unicamente para informar e não substitui a consulta ao médico e a leitura completa da bula de Dipirona, que devem ser feitas antes do início do tratamento com o medicamento.

Referências Adicionais:

Você já tinha ouvido falar que Dipirona afina o sangue? Já foi indicado a tomar esse medicamento? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco se formou em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na área de transplantes na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2010. Dr Lucio Pacheco é um profundo estudioso na área de doença hepática e escreveu dezenas de livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico - cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D´Or e do Hospital Copa D´Or. É diretor médico do Instituto de Transplantes. Tem vasta experiência na área de Medicina, com ênfase em Transplante hepático, atuando principalmente nos seguintes temas: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia,e transplante de fígado. Dr. Lucio é uma referência profissional em sua área e autor de artigos científicos e diversos. Para mais informações, entre em contato com ele.

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