Dipirona Dá Sono? Efeitos Colaterais e Cuidados

Especialista:
atualizado em 04/08/2020

Saber se Dipirona dá sono é importante porque passar um dia inteiro com sonolência pode atrapalhar até a pessoa mais disposta a executar tarefas comuns do dia a dia, como trabalhar, estudar, praticar exercícios físicos ou preparar refeições saudáveis cuidadosa e detalhadamente.

Além disso, confira os efeitos colaterais que podem ser causados ao tomar Dipirona e mais cuidados para sua administração.

Veja também em maiores detalhes o que é a Dipirona sódica e conheça os remédios para dor de cabeça mais usados, caso queira experimentar outras opções.

Para que serve a Dipirona?

Antes de abordarmos e analisarmos essa ideia de que a Dipirona dá sono, vamos conhecer para que esse medicamento é indicado.

Pois bem, a Dipirona pode ser utilizada como um analgésico (para aliviar a dor) e também como antitérmico (para o tratamento da febre).

E então, será que Dipirona dá sono?

Para responder a essa pergunta, resolvemos consultar a bula da Dipirona Sódica na versão solução oral em gotas da Mariol Industrial, disponibilizada pela Anvisa, para saber se o medicamento pode dar sono.

O documento nos conta que a superdosagem do remédio, ou seja, a ingestão de uma quantidade maior do que a indicada de Dipirona, pode provocar sintomas no sistema nervoso central, o que inclui a sonolência.

No entanto, se você sofre com problemas para dormir, nem pense em se entupir de Dipirona para ver se pega no sono porque isso pode ser extremamente perigoso.

A própria bula citada neste tópico alerta que o uso de uma dosagem superior à recomendada do medicamento também pode provocar enjoo, vômito, dor abdominal, deficiência da função dos rins/insuficiência aguda dos rins, queda da pressão sanguínea que pode progredir para choque, taquicardia e outros sintomas do sistema nervoso central como tontura, convulsões e coma.

Portanto, para lidar com a sua dificuldade para dormir, o ideal é que você consulte um médico, que irá analisar o seu caso, te examinar e apontar o que pode estar por trás desse problema para pegar no sono, tratando-o de maneira eficiente e segura.

Os efeitos colaterais da Dipirona

De acordo com a bula da Dipirona Sódica na versão solução oral em gotas da Mariol Industrial, disponibilizada pela Anvisa, o medicamento pode provocar as seguintes reações:

  • Síndrome de Kounis (aparecimento simultâneo de eventos coronarianos agudos e reações alérgicas ou anafilactoides, que inclui infarto alérgico e angina alérgica);
  • Choque anafilático, reações anafiláticas/anafilactoides que podem se tornar graves com risco à vida e, em alguns casos, serem fatais. Os sintomas podem ser: coceira, ardor, vermelhidão, urticária (erupção na pele que causa coceira), inchaço, falta de ar, problemas gastrointestinais, angioedema grave (inchaço em região subcutânea ou em mucosas, geralmente de origem alérgica até mesmo envolvendo a laringe), broncoespasmo grave, arritmias cardíacas, queda da pressão sanguínea (algumas vezes precedida por aumento da pressão sanguínea) e choque circulatório (colapso circulatório em que existe um fluxo sanguíneo inadequado para os tecidos e células do corpo);
  • Reações de intolerância na forma de crises asmáticas (falta de ar) em pessoas que sofrem com a síndrome da asma analgésica;
  • Erupções medicamentosas fixas;
  • Casos raros de exantema (erupções na pele);
  • Casos isolados de síndrome de Stevens-Johnson ou síndrome de Lyell (Necrólise Epidérmica Tóxica) – doenças de pele graves;
  • Anemia aplástica (doença onde a medula óssea produz em quantidade insuficiente os glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas);
  • Agranulocitose (diminuição do número de granulócitos – tipos de glóbulos brancos no sangue, em consequência de um distúrbio na medula óssea);
  • Pancitopenia (redução de glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas);
  • Leucopenia (redução dos glóbulos brancos);
  • Trombocitopenia (diminuição de plaquetas);
  • Reações hipotensivas (de queda da pressão) isoladas;
  • Casos muito raros de piora súbita ou recente da função dos rins (insuficiência renal aguda), especialmente em usuários com histórico de doença nos rins – em alguns casos pode haver diminuição da produção de urina, redução muito acentuada da produção de urina ou perda aumentada de proteínas através da urina. Em casos isolados, pode ocorrer nefrite intersticial aguda (um tipo de inflamação nos rins). Uma coloração avermelhada também pode ser observada algumas vezes na urina;
  • Sangramento gastrointestinal.

Caso você experimente um dos efeitos colaterais mencionados acima ou qualquer outro tipo de reação adversa durante o uso da Dipirona, procure imediatamente o auxílio do médico, mesmo se acreditar que o sintoma em questão não aparenta ser tão grave assim.

Isso é fundamental para descobrir a real seriedade do problema, receber o tratamento necessário e saber como deve proceder em relação à continuidade do uso do medicamento.

Contraindicações e cuidados com a Dipirona

A Dipirona Sódica não pode ser utilizada por:

  • Gestantes;
  • Mulheres que amamentam;
  • Pacientes com alergia ou intolerância à dipirona, a qualquer um dos componentes da formulação, a outras pirazolonas ou a pirazolidinas (por exemplo: fenazona, propifenazona, isopropilaminofenazona, fenilbutazona, oxifembutazona) incluindo, experiência prévia de agranulocitose com uma dessas substâncias;
  • Pessoas com função da medula óssea prejudicada;
  • Indivíduos com doenças do sistema hematopoiético (responsável pela produção das células sanguíneas)
  • Pacientes que tenham desenvolvido broncoespasmo (contração dos brônquios levando a chiado no peito) ou outras reações anafilactoides, como urticária, rinite (irritação e inflamação da mucosa do nariz) e angioedema depois do uso de medicamentos para dor (por exemplo: salicilatos, paracetamol, diclofenaco, ibuprofeno, indometacina, naproxeno);
  • Pessoas com porfiria hepática aguda intermitente (doença metabólica que se manifesta através de problemas na pele e/ou com complicações neurológicas), devido ao risco de indução de crises de porfiria;
  • Indivíduos com deficiência congênita da glicose-6-fosfato-desidrogenase (G6PD), pelo risco de hemólise (destruição dos glóbulos vermelhos, o que pode levar à anemia).

Quando suspeitar que está grávida, a paciente usuária de Dipirona ou que receber a indicação para começar a tomar o medicamento deve informar o médico a respeito de sua dúvida.

Quem sofre com algum tipo de alergia também precisa relatar o problema ao médico e só pode utilizar a Dipirona Sódica sob a orientação do profissional.

A ingestão de dosagens elevadas do remédio pode prejudicar as habilidades do paciente para dirigir veículos e operar máquinas, principalmente quando o álcool também foi consumido.

No caso dos problemas apresentados na lista abaixo, o paciente precisa conversar com o médico pois essas situações trazem o risco do aparecimento de reações anafiláticas graves (reação alérgica e imediata que pode levar à morte) relacionadas à Dipirona:

  • Síndrome da asma analgésica ou intolerância analgésica do tipo urticária-angiodema;
  • Asma brônquica, particularmente aquelas com rinossinusite poliposa (processo inflamatório no nariz e seios da face com formação de pólipos) concomitante;
  • Urticária crônica;
  • Intolerância ao álcool;
  • Intolerância a corantes ou a conservantes (ex. tartrazina e/ou benzoatos).

Pacientes que já tenham apresentado reação anafilática ou outra reação imunológica a pirazolidas, pirazolidinas e outros analgésicos não narcóticos têm grandes riscos de sofrer com o mesmo problema ao usar a Dipirona Sódica.

É necessário ainda ter cuidado com a administração do medicamento aos pacientes idosos, considerando a possibilidade de que as funções renais e hepáticas dessas pessoas estejam prejudicadas.

Recomenda-se ainda que o uso da Dipirona Sódica às crianças aconteça sob a supervisão médica, principalmente quando se tratar de crianças pequenas.

Quando o usuário sofrer com a insuficiência nos rins e no fígado, o uso de dosagens elevados do remédio deverá ser evitado porque a taxa de eliminação para essas pessoas é reduzida.

Também é fundamental consultar o médico antes de iniciar o uso do medicamento e informa-lo a respeito de qualquer outro remédio, suplemento ou planta que utilize para que ele determine se não pode ser perigoso usar a substância em questão ao mesmo tempo em que toma Dipirona.

Vale a pena saber ainda que existem relatos da ocorrência de interferência em testes laboratoriais que fazem uso de reações de Trinder (por exemplo: exames para medir níveis séricos de creatinina, triglicérides, colesterol HDL e ácido úrico) de pacientes utilizando Dipirona.

Os perigos do abuso de analgésicos

O fácil acesso aos analgésicos, que pode resultar em uma ingestão excessiva e inadequado desse tipo de medicamento, esconde uma série de perigos. Por exemplo, de acordo com o que a cientista Amouni Mourad explicou, a Dipirona pode provocar tremores, náuseas e reações alérgicas ao ser ingerida de maneira exagerada.

Além disso, segundo uma reportagem, o uso excessivo de analgésicos como a Dipirona pode provocar danos nos rins, no fígado e no sistema gastrointestinal, além de esconder problemas graves como um tumor cerebral.

Na época da reportagem, o então presidente da Sociedade Brasileira de Estudo da Dor, João Batista Garcia, (Sbed) disse que não é tão raro receber pacientes em hospitais apresentando hemorragia digestiva ou correndo risco de vida por conta do uso excessivo de analgésicos e anti-inflamatórios.

Ele também falou à publicação que ocorrem casos de cefaleia (dor de cabeça) por conta do abuso do remédio e alertou que medicamentos do tipo podem causar a dependência, fazendo com que o paciente funcione como uma pessoa drogada.

Ainda conforme a publicação, o neurologista Ariovaldo Alberto da Silva Júnior concluiu em sua tese de doutorado que o abuso de analgésicos foi a principal causa de dor de cabeça crônica das pessoas avaliadas em sua pesquisa, realizada em Minas Gerais.

O neurologista alertou ainda que toda dor de cabeça inédita deve ser investigada, já que pode ser sintoma de um tumor cerebral ou de outra doença.

No mesmo sentido, uma reportagem que também abordou o uso constante de analgésicos advertiu que a utilização diária desses remédios pode causar problemas renais, acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e disfarçar os sintomas de doenças graves.

Atenção: este artigo serve unicamente para informar e jamais pode substituir a consulta ao médico e a leitura da bula na íntegra antes de iniciar o tratamento com qualquer remédio, o que inclui Dipirona.

Referências Adicionais:

Você já percebeu que a Dipirona dá sono para você? Costuma tomar esse medicamento com certa frequência? Comente abaixo!

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