Máscaras de Cobre São a Nova Sensação Contra o Novo Coronavírus – Vale a Pena Mesmo?

Especialista:
atualizado em 21/05/2020

Desde que a pandemia do novo coronavírus se instalou muita coisa mudou na vida das pessoas. Uma dessas mudanças foi o uso correto de máscaras faciais, que inclusive passou a ser obrigatório em muitas cidades do Brasil e trouxe o questionamento acerca dos cuidados necessários ao usar máscaras para fazer exercícios.

Como as máscaras cirúrgicas e do tipo N95 estão escassas no mercado, elas devem ser reservadas para os profissionais de saúde, que trabalham na linha de frente do combate à COVID-19 (nome dado à doença provocada pelo novo coronavírus) e são muito expostos ao vírus. Com isso, para a população em geral, a recomendação é utilizar as máscaras feitas de duas camadas de pano.

Mas e se fosse possível utilizar máscaras feitas de cobre? A possibilidade foi levantada porque acredita-se que o coronavírus não sobrevive no cobre e ele poderia destruir bactérias e vírus, uma vez que contém íons carregados positivamente que prendem os vírus carregados negativamente, inativando-os. Apesar disso, o processo não ocorre de maneira instantânea – a inativação leva algumas horas.

O novo coronavírus pode permanecer até quatro horas no cobre, conforme identificaram pesquisadores dos Institutos Nacionais de Saúde, do Centro de Controle e Prevenção de Doenças, da Universidade da Califórnia e da Universidade de Princenton dos Estados Unidos em um estudo de 2020 publicado no The New England Journal of Medicine (Jornal de Medicina da Nova Inglaterra, tradução livre).

Os cientistas também detectaram que o novo coronavírus pode ficar por até 24 horas no papelão e entre dois a três dias no plástico e no aço inoxidável.

Entretanto, a discussão acerca do tempo que o novo coronavírus sobrevive nas superfícies ainda não pode ser considerada completamente fechada. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), dados de estudos laboratoriais sobre o SARS-CoV e o MERS-CoV (outros tipos de coronavírus, causadadores da síndrome respiratória aguda grave e síndrome respiratória do Oriente Médio, respectivamente) apontaram que a estabilidade do coronavírus no ambiente depende de uma série de fatores como temperatura relativa, umidade e tipo de superfície. 

Máscaras de cobre já estão disponíveis, mas seu uso carece de mais estudos

Historicamente, o cobre já foi usado em maçanetas de porta e suportes de infusão intravenosa como forma de controlar a propagação de doenças. Além disso, o seu uso em tecidos não é de hoje: há mais de 10 anos a empresa americana Cupron inventou um tecido com cobre, que foi usado em lençois e fronhas de travesseiro em hospitais.

A microbiologista Phyllis Kuhn foi uma das primeiras defensoras do uso do cobre em hospitais. Ela desenvolveu uma máscara feita de 99,95% de rede de cobre, que é comercializada por US$ 25 – que correspondem a R$ 142,78.

A startup americana de sapatos Atoms também está vendendo máscaras faciais de cobre por US$ 12 – que equivalem a R$ 68,59 –, assim como empresa tecnológica israelense Argaman, que comercializa a máscara por US$ 50 – correspondentes a R$ 286,06 – e a companhia americana The Futon Shop, que vende o produto por R$ 22,99 – equivalentes a R$ 131,56.

Mas será que vale a pena investir dinheiro em uma máscara facial de cobre para se proteger contra o novo coronavírus? O professor de microbiologia e imunologia da Universidade Médica da Carolina do Sul nos Estados Unidos, Michael Schmidt, estudou a utilização do cobre em produtos médicos e tem grandes esperanças em relação às máscaras de cobre, entretanto, apresentou algumas ressalvas.

O professor de microbiologia e imunologia alertou que ainda são necessárias muitas pesquisas a respeito da efetividade dessas máscaras. Segundo Schmidt, não adianta apenas colocar camadas de cobre em uma máscara porque não se sabe se elas realmente funcionam.

Apesar disso, em meados de maio, os Hospitais Universitários do Centro Médico de Cleveland, nos Estados Unidos, compraram máscaras com cobre para os seus funcionários. Enquanto as máscaras cirúrgicas e do tipo N95 foram reservadas para os profissionais que trabalham no cuidado de pacientes com COVID-19, o restante dos trabalhadores vai usar as máscaras de cobre, contou o diretor clínico e científico da instituição, Daniel Simon.

O diretor clínico e científico dos Hospitais Universitários do Centro Médico de Cleveland afirmou que as máscaras de cobre são mais eficientes para proteger os funcionários do que uma simples máscara de tecido porque o cobre pode matar os germes.

O fato de muitas máscaras de cobre poderem ser lavadas é outro dos motivos que as tornam atrativas para os hospitais. Segundo Simon, é difícil encontrar equipamentos de proteção individual (EPIs) quando há uma escassez desses materiais em todo o mundo. No entanto, os detalhes a respeito do modo de lavar podem variar de máscara para máscara, conforme cada fabricante.

O grau de efetividade das máscaras de cobre

É importante ressaltar que as máscaras de cobre atualmente disponíveis no mercado não são respiradores, como as máscaras do tipo N95, que criam uma vedação perfeita no rosto do usuário. Na realidade, as máscaras de cobre que se têm hoje são mais soltas e de encaixar, permitindo que partículas entrem por meio dos espaços localizados nas laterais.

Elas são foram desenvolvidas e não são indicadas para as pessoas que são submetidas a um alto risco de exposição ao novo coronavírus.

O objetivo das máscaras de cobre é ser uma melhoria em relação às máscaras de pano. Com a máscara de cobre, caso o usuário esteja infectado pelo novo coronavírus, as gotículas contaminadas que ele expelir e forem depositadas na máscara serão destruídas em um questão de horas. Já na máscara de tecido, eles poderiam sobreviver no material ao longo de diversos dias.

O cientista médico-chefe da Cupron, Gadi Borkow, argumentou que outro benefício das máscaras de cobre é que se o usuário encostar em uma superfície contaminada e ajustar a máscara com as mãos, o cobre da máscara destruiria o vírus. Ao passo que em uma máscara de tecido, o vírus permaneceria no pano, podendo contaminar a pessoa.

Entretanto é importante lembrar que a inativação do vírus no cobre não é instantânea. Além disso, o professor de microbiologia e imunologia da Universidade Médica da Carolina do Sul, Michael Schmidt, ressaltou que a real eficiência de uma máscara de cobre depende da quantidade de cobre que está presente no produto.

Isso porque como as partículas de um vírus são muito pequenas, elas precisariam efetivamente entrar em contato com o cobre para serem desativadas. Se caíssem em uma área da máscara se cobre, isso não ocorreria. As melhores máscaras de cobre seriam aquelas com cobre incorporado em todas as suas fibras, não com apenas um única camada de cobre embutida no interior da máscara.

Cautela na hora de tomar a decisão de comprar a máscara

De acordo com o professor de microbiologia e imunologia da Universidade Médica da Carolina do Sul, Michael Schmidt, se um tecido de cobre foi cientificamente avaliado, ele poderia representar uma melhoria em relação às máscaras comuns de pano.

Entretanto, o grande problema é que a maioria das máscaras de cobre disponíveis no mercado não foram estudadas. O professor de microbiologia e imunologia advertiu que muitas empresas que comercializam as máscaras de cobre não passaram por processos rigorosos para ter os seus produtos registrados e não conduziram estudos para analisar as suas máscaras.

Por isso, para aqueles que estão interessados em adquirir uma máscara de cobre, o especialista recomenda proceder com cautela. “Você precisa saber o que está comprando e como usar isso apropriadamente. Faça a sua lição de casa. Não compre a primeira máscara com a qual esbarrar”, aconselhou o professor da Universidade Médica da Carolina do Sul.

Portanto, quando ouvir falar de máscaras de cobre disponíveis para venda no Brasil ou antes de decidir investir bastante dinheiro em uma máscara de cobre vinda do exterior, pesquise muito para saber se o produto foi avaliado e aprovado pelo órgão responsável de saúde.

É importante frisar ainda que o uso de uma máscara, seja ela de tecido comum, seja ela de cobre, não elimina a necessidade de continuar a reforçar todos os cuidados de prevenção contra a contaminação pelo novo coronavírus.

Fontes e Referências Adicionais:

Você tem usado máscaras faciais de que material contra o coronavírus? O que acha da ideia das máscaras de cobre? Comente abaixo!

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