Se o Coronavírus Não Sobrevive no Cobre, Por Que as Superfícies Não São Cobertas Pelo Material?

Especialista:
atualizado em 20/03/2020

Se você está preocupado em como se manter imune e saudável durante o surto de coronavírus, não tiramos a sua razão – a doença realmente tem se espalhado rapidamente e exige a nossa prudência e cautela.

Ela, que também é chamada de COVID-19, pode ser transmitida pelo contato direto por uma pessoa infectada ou ao enconstar em uma superfície, como corrimão, parede ou maçaneta, onde o vírus estiver presente. Não é à toa que somos fortemente aconselhados a evitar apertos de mão, abraços e beijos, a lavar bem as mãos com água e sabonete por 20 segundos e a usar álcool em gel.

Quando as influenzas (gripes), bactérias como Escherichia coli (E. coli), Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA, sigla em inglês) ou até mesmo os vírus do grupo dos coronavírus aterrissam na maioria das superfícies duras, eles podem sobreviver nelas por até cinco a seis dias. Entretanto, quando pousam no cobre, eles morrem dentro de minutos.

Segundo o professor de cuidados de saúde ambientais da Universidade de Southampton, no Reino Unido, Bill Keevil, já foram observados vírus implodindo: “Eles aterrisam no cobre e ele os degrada”, afirmou Keevil.

No ano de 1983, a pesquisadora da área médica Phyllis Kuhn escreveu a primeira crítica ao desaparecimento do cobre em hospitais. Durante um exercício de treinamento conduzido em um centro médico de Pittsburgh, nos Estados Unidos, estudantes esfregaram várias superfícies do hospital, como vasos sanitários e maçanetas de portas.

Foi aí que ela percebeu que enquanto os banheiros estavam livres de micróbios, algumas das instalações estavam particularmente sujas. Quando permitidas a se multiplicar em placas de ágar, elas cultivaram bactérias perigosas.

“Placas de ‘empurre’ e maçanetas de porta de aço inoxidável elegantes e brilhantes em uma porta de hospital aparentam ser tranquilizadoramente limpas. Em contrapartida, maçanetas de porta e placas de ‘empurre’ de latão manchado aparentam ser sujas e contaminadoras. Mas mesmo quando manchado, o latão – uma liga (feita) tipicamente de 67% cobre e 33% zinco – (mata bactérias), enquanto o aço inoxidável – (feito de) aproximadamente 88% de ferro e 12% de cromo – faz pouco para impedir o crescimento bacterial”, escreveu Kuhn na época.

A pesquisadora da área médica finalizou o seu artigo com as seguintes recomendações: conservar as instalações físicas antigas de latão ou recolocá-lo, no caso dos hospitais que estejam passando por reformas, e desifentar diariamente as instalações com aço inoxidável, especialmente nas áreas de cuidado críticos.

Décadas mais tarde – e com o financiamento da Associação de Desenvolvimento do Cobre (um grupo comercial da indústria do cobre), diga-se de passagem -, o professor da Universidade de Southampton testou patógenos (micro-organismos causadores de doenças) perigosos em seu laboratório e observou que o cobre mata não somente as bactérias, como também os vírus com eficiência.

Keevil explicou que quando um vírus ou bactéria atinge uma placa de cobre, ele é inundado pelos íons de cobre, que penetram as células dos vírus ou bactérias como se fossem projéteis.

No ano de 2015, pesquisadores que trabalharam em um financiamento do Departamento de Defesa dos Estados Unidos compararam as taxas de infecção em três hospitais e identificaram que quando as ligas de cobre foram utilizadas nas instalações, houve uma diminuição de 58% nesses índices. Porém, vale ressaltar que a pesquisa foi referente a bactérias.

Um estudo parecido do ano de 2016, que foi realizado em uma unidade de terapia intensiva pediátrica, apontou que a exposição dos pacientes pediátricos a objetos com superfície de cobre no ambiente fechado da unidade trouxe uma diminuição nas taxas de infecção associados ao atendimento de saúde, em comparação à exposição aos objetos sem cobre.

Entretanto, a pesquisa também apontou que a redução relativa de risco não foi estatisticamente significativa e que são necessárias maiores considerações em relação ao uso do cobre nas superfícies como intervenção para controlar essas infecções.

Mas por que o cobre sumiu?

Embora o cobre tenha estourado durante a Revolução Industrial, sendo usado em objetos, instalações e edifícios e ainda seja utilizado amplamente em redes elétricas, no século XX ele perdeu espaço para materiais mais elegantes e/ou baratos como plástico, vidro temperado, alumínio e aço inoxidável.

Entretanto, para o professor de cuidados de saúde ambientais da Universidade de Southampton Bill Keevil, agora é o momento de trazer o cobre de volta aos espaços públicos, particularmente para os hospitais.

Para os edifícios que ainda não trocaram as instalações e objetos de cobre, o conselho do professor da Universidade de Southampton é jamais removê-los. “Eles são a melhor coisa que você tem”, enfatizou Keevil.

Acredita-se que em frente a um futuro de pandemias globais, deve-se adotar o cobre nos estabelecimentos de saúde, no trânsito e até mesmo dentro de casa. Isso porque embora seja tarde para impedir o COVID-19, que se alastrou mundo afora e já infectou aproximadamente 268 mil pessoas e já matou mais de 11 mil no mundo, não é cedo demais para pensar em uma próxima eventual epidemia.

As recomendações de prevenção contra o coronavírus

Ou seja, usar o cobre agora nas reformas e construções não vai resolver a questão atual do novo coronavírus, uma vez que ele já é uma realidade como pandemia e que pode ser transmitido de outras formas – pelo toque na superfície de outros objetos que não podem ser feitos de cobre e pelo contato pessoal direto com pessoas infectadas.

O que se pode – e se deve – fazer agora é agir com cautela e obedecer às recomendações de prevenção contra o COVID-19, de modo que preserve não somente a própria saúde, como também à saúde das outras pessoas. Essas estratégias incluem:

  • Lavar as mãos com frequência, usando água e sabonete ao longo de pelo menos 20 segundos;
  • Quando não tiver acesso à água e sabonete, higienizar as mãos com um desinfetante próprio para as mãos à base de álcool;
  • Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas;
  • Não ter contato próximo com pessoas que estiverem doentes;
  • Manter pelo menos um metro de distância de alguém que esteja tossindo ou espirrando;
  • Cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar com o cotovelo dobrado ou com um lenço de papel – no caso do lenço, ele deverá ser jogado fora depois da tosse ou espirro;
  • Limpar e desinfetar os objetos e superfícies tocados com frequência, como corrimões de escada, mesas, telefones e utensílios compartilhados de escritório, por exemplo. Sim, até o seu smartphone pode ser responsável pela infecção do vírus!
  • Ficar em casa se estiver sentindo-se mal e procurar o atendimento médico se apresentar febre, tosse e dificuldade para respirar;
  • Evitar aglomerações de pessoas;
  • Manter-se informado sobre os últimos desdobramentos acerca do coronavírus e seguir as instruções das autoridades locais de saúde.

As informações são da OMS e do Ministério da Saúde.

Fontes e Referências Adicionais:

Você já tinha ouvido falar que o coronavírus, assim como outros patógenos, não sobrevive em superfícies de cobre? Já conhece alguém que tenha contraído o COVID-19? Comente abaixo!

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1 comentário em “Se o Coronavírus Não Sobrevive no Cobre, Por Que as Superfícies Não São Cobertas Pelo Material?”

  1. Se os íons de cobre degradam os vírus e bactérias rapidamente e, o uso das mãos é um dos principais meios de proliferaçãodos vírus, porque não fabricar luvas usando fios de cobre na parte externa das mesmas?