O que é risco cirúrgico e como é feita a avaliação pré-operatória

Especialista da área:
atualizado em 27/06/2022

O termo risco cirúrgico é muito utilizado nos preparativos que antecedem a realização de alguma cirurgia. Isso ocorre porque saber a classificação do seu risco cirúrgico é essencial para identificar e minimizar qualquer complicação que possa ocorrer durante a cirurgia.

Dependendo da cirurgia, além da anamnese e exame físico, exames específicos são solicitados pelo anestesiologista ou cirurgião. Alguns resultados e informações obtidas com eles podem ser decisivos para o decorrer da operação.

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A avaliação de risco cirúrgico deve ser realizada, no máximo, 6 semanas antes da cirurgia.

A classificação por tipo de cirurgia varia em:

  • Baixo risco (<1% complicações): cirurgias superficiais, mama, dentária, tireoide, ocular, etc.
  • Risco intermediário (1–5% complicações): intraperitoneal, aneurismas, cabeça e pescoço, etc.
  • Alto risco (>5% complicações): aórtica e vascular, hepática, transplante pulmonar ou hepático, revascularização, etc.

Histórico e anamnese

Histórico médico
O histórico médico é importante para a avaliação do risco cirúrgico

A primeira coisa a ser feita para definir o risco cirúrgico é um levantamento do histórico de saúde do paciente e da sua família, com atenção a qualquer ocorrência envolvendo hemorragias. Um exame físico também é realizado nessa etapa. 

Alguns pontos avaliados na anamnese:

  • Idade, altura e peso
  • Uso de medicações, como anticoagulantes, analgésicos e anti-hipertensivos
  • Histórico de outras cirurgias e anestesias anteriores
  • Alergias e intolerâncias
  • Doenças metabólicas
  • Estado de saúde do coração, pulmões, vasos, fígado, rins, esôfago, estômago, intestino, glândulas, ossos, musculatura, sistema nervoso, olhos, ouvidos, área oral e maxilofacial e sistema reprodutivo feminino
  • Consumo de substâncias, como álcool, tabaco e outras drogas ilícitas
  • Histórico de sangramento
  • Distúrbio de coagulação
  • Problemas com cicatrização.

Um levantamento de histórico correto e preciso associado ao exame físico são a base para qualquer decisão médica que possa afetar o risco cirúrgico.

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Exames 

Nem todos os casos irão demandar muitos exames. Se não houver nenhuma alteração na anamnese, os pedidos de exames serão reduzidos. Ao contrário, mais exames serão solicitados quanto mais alterações forem observadas na primeira etapa.

Exames que podem ser solicitados de acordo com alteração encontrada:

ExamesCoração e
Pulmões
FígadoRimSangue
Hemoglobina++++
Leucócitos+
Plaquetas++
Sódio/Potássio++++
Creatinina++++
TGO, TTPa, bilirrubina +

O exame de glicemia é, geralmente, solicitado para descartar ou detectar casos de diabete desconhecida. Algumas informações nem sempre podem ser obtidas apenas com o histórico, principalmente, em situações que o paciente mesmo desconhece. Esse exame também é pedido antes de operações de alto risco e em casos de excesso de peso.

O eletrocardiograma (ECG) pré-operatório pode ser indicado mesmo se você não possui sinais de cardiopatia, mas irá passar por uma cirurgia com alto risco cardíaco. Além disso, ele é indicado para pacientes com mais de um fator de risco cardíaco que passarão por cirurgia de risco intermediário. Ele também vai ser solicitado quando for afirmado, no histórico, a presença de doenças cardíacas.

O raio-X do tórax pode ser solicitado para pacientes com mais de 40 anos ou com risco cirúrgico intermediário e alto. Outros exames podem ser pedidos pelo médico conforme o aparecimento de novas alterações e a descoberta de novos fatores de risco.

Classificação ASA

O ASA é um sistema de classificação de status físico do paciente muito utilizado para avaliação de risco cirúrgico. Veja abaixo o que significa cada nível do ASA:

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  • ASA I: Paciente normal e saudável
  • ASA II: Paciente com doença sistêmica leve
  • ASA III: Paciente com doença sistêmica grave
  • ASA IV: Paciente com doença sistêmica grave que represente uma ameaça constante à vida
  • ASA V: Paciente de alto risco que não se espera que sobreviva sem a operação
  • ASA VI: Paciente com morte encefálica em que os órgãos estão sendo removidos para com a intenção de transplantá-los para outro paciente

Risco cardíaco

Risco cardíaco
A condição cardíaca do paciente é parte fundamental na definição do seu risco cirúrgico

Algumas condições são consideradas para estabelecer o risco cardíaco, como:

  • Hipertensão arterial
  • Insuficiência cardíaca
  • Arritmia cardíaca prévia
  • Arritmia cardíaca encontrada nos exames pré-operatórios
  • Valvulopatia
  • Insuficiência coronariana.

Para cada uma dessas condições, existe um protocolo e uma orientação específica. Por isso, é tão importante comunicar ou detectar quaisquer alterações cardíacas antes da cirurgia.

Riscos pulmonares e renais também devem ser avaliados se forem encontradas alterações prévias nos primeiros exames.

Após definir o risco cirúrgico

Com a finalização do processo de definição do risco cirúrgico, o cirurgião e toda equipe poderão definir o melhor plano para a sua operação, ou podem optar pela não realização da dela se assim entenderem que será mais seguro.

Se for encontrado um fator de risco que possa ser modificado, a cirurgia pode ser adiada por alguns meses e você será orientada para seguir um tratamento. O tempo e a aderência ao tratamento serão cruciais para diminuir o seu risco cirúrgico.

Telemedicina

Telemedicina
A telemedicina pode ser uma ferramenta quando o risco cirúrgico não é alto

Hoje já é possível usar a telemedicina para avaliação do risco cirúrgico de forma rápida. Quando se trata de conhecer o histórico do paciente, isso pode ser facilmente realizado através de uma videoconferência, telefone ou aplicação de um formulário enviado pelo médico.

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No entanto, a definição só será mais rápida se você possuir um risco baixo ou intermediário. A telemedicina não substitui os exames físicos e muitos casos precisam ser acompanhados de perto.

Existem algumas calculadoras de risco cirúrgico em sites específicos da American College of Surgeons (Faculdade Americana de Cirurgiões) que você pode simular o seu risco cirúrgico. Porém, é importante confiar no seu médico para definir qual é o seu atual risco.

Fontes e referências adicionais

Você já sabia como o risco cirúrgico é definido? O que mais chamou a sua atenção? Comente abaixo!

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