Como os Seus Sentimentos Podem Afetar a Saúde do Seu Coração

Especialista:
atualizado em 14/04/2020

Não existe um exame do coração para comprovar isso, mas que atire a primeira pedra quem nunca sofreu de coração partido.

Um clássico momento em que o sentimento aparece é após o término de um relacionamento amoroso, mas não é apenas isso que causa um coração partido. Ele também pode aparecer depois da demissão do emprego, de não passar no vestibular ou Enem, da morte de uma pessoa querida ou de uma briga com um familiar ou amigo.

Mas você já parou para pensar em como todos esses sentimentos difíceis e negativos podem afetar a saúde do coração?

Bem, sabe-se que fortes emoções negativas como depressão, raiva e medo, que podem ser despertados pelo acontecimento que provocou o coração partido, já foram associadas ao desenvolvimento de doença no coração. No entanto, abaixo vamos conhecer com mais detalhes como isso pode funcionar.

A síndrome do coração partido

Fato é que realmente existe uma possibilidade de literalmente morrer por conta de um coração partido. Entretanto, felizmente, isso é extremamente improvável.

Trata-se de uma condição temporária que recebe o nome de síndrome do coração partido, mas também é conhecida como cardiomiopatia de Takotsubo, uma referência ao médico japonês que descobriu a doença. A condição é desenvolvida quando uma situação extremamente emocional ou traumática desencadeia um surto de hormônios do estresse.

É raro, mas também é possível que alguns medicamentos como epinefrina, duloxetina, venlafaxina, levotiroxina e estimulantes ilegais ou não prescritos pelo médico provoquem esse surto hormonal. Esses hormônios podem resultar em uma insuficiência cardíaca de curto prazo, que pode ser fatal. A condição também está associada a outras complicações como edema pulmonar, hipotensão (pressão baixa) e interrupção nos batimentos cardíacos.

Ainda não está esclarecido como esses hormônios podem causar danos ao coração ou se algum outro fator pode ser responsável por isso; entretanto, acredita-se que isso possa estar associado a uma constrição temporária de artérias do coração ou que as pessoas que desenvolvem a condição possuam uma diferença na estrutura do seu músculo cardíaco.

Além disso, outra probabilidade é que a condição seja provocada por espamos em uma artéria, apontou o cardiologista Marc Gillinov. Na maioria dos casos, quando os espamos relaxam e o fluxo sanguíneo é retomado, a insuficiência cardíaca é solucionada. No entanto, se a insuficiência cardíaca não for resolvida, poderá ocorrer o falecimento. Porém, isso ocorre em circunstâncias extremamente raras.

Dor no peito e dificuldade para respirar são os sintomas comuns da síndrome do coração partido e quem desenvolve o problema pode suspeitar que está sofrendo um ataque no coração. De acordo com o cardiologista, a diferença é que um ataque cardíaco é provocado pela presença de um coágulo sanguíneo nas artérias.

Por sua vez, a síndrome do coração partido atinge somente parte do coração e prejudica temporariamente o seu bombeamento normal, enquanto a parte não afetada pela síndrome pode continuar a funcionar normalmente ou ter contrações mais fortes.

Como os sintomas da síndrome do coração partido podem ser parecidos com os de um ataque cardíaco, ao experimentar dor no peito, batimento cardíaco muito rápido ou irregular e dificuldade para respirar depois de um acontecimento estressante ou traumático é fundamental procurar o atendimento médico de emergência para saber qual é o problema e receber o tratamento apropriado.

Mulheres, pessoas com mais de 50 anos de idade, pessoas com histórico de problemas neurológicos como lesão na cabeça ou epilepsia e pacientes que já sofreram ou sofrem com um distúrbio psicológico como ansiedade ou depressão fazem parte do grupo de pessoas com mais chance de desenvolver a síndrome do coração partido – aproveite para conhecer os sintomas da ansiedade.

A relação entre a depressão e as doenças no coração

Enquanto as pessoas que sofrem com a depressão apresentam maiores chances de desenvolver doença no coração, os pacientes que têm doença no coração também possuem risco de ter depressão.

Essa associação entre as duas condições é forte ao ponto dos pacientes com depressão precisarem ser avaliados em relação à saúde do coração e das pessoas que sofrem com problemas cardíacos precisarem ser avaliados em relação às suas chances de ter depressão. Da mesma forma, tratar uma das condições diminui os riscos de que a outra seja desenvolvida.

Um ferramenta em comum que pode ser útil para ambos os casos são os exercícios físicos: para os pacientes com problemas no coração, os exercícios de reabilitação cardíaca podem contribuir com o bem-estar emocional e prevenir a depressão, ao passo que as pessoas diagnosticadas com depressão podem diminuir os seus riscos de ter um ataque cardíaco e beneficiar a saúde do sistema cardiovascular ao praticar atividades físicas.

Se ter depressão já é ruim, desenvolver uma doença cardiovascular junto dela é pior ainda. E olha que a relação da saúde do coração com outros aspectos da saúde não se encerra por aí: acredita-se que cuidar da saúde do coração também protege o cérebro contra o envelhecimento.

O perigo da raiva, do medo e de outras emoções negativas: tudo começa com a pressão alta

De acordo com o cardiologista Marc Gillinov, as emoções negativas podem fazer com que a pressão arterial fique elevada, aumentar a reatividade vascular e a probabilidade de desenvolver coágulos sanguíneos.

O especialista ressaltou que é por esse motivo que as emoções estressantes podem estimular um ataque cardíaco em pessoas que são vulneráveis ao problema. Isso sem contar que há uma relação entre o estresse e a pressão arterial.

Por outro lado, as emoções positivas podem auxiliar os pacientes que sofrem com a doença no coração a viver mais. Além disso, acredita-se que as pessoas com laços sociais fortes e laços emocionais íntimos com outros têm menos doenças no coração e apresentam uma tendência de passar melhor pela condição caso cheguem a desenvolver uma doença cardíaca.

A mensagem que fica é a de se esforçar para cuidar não somente da saúde física, mas também para manter a saúde emocional nos eixos e tentar se afastar das emoções negativas.

Sabemos que nem sempre é possível mantê-las completamente longe, uma vez que não podemos controlar os acontecimentos ruins que as causam. Entretanto, é possível procurar ajuda de um psicólogo para aprender a lidar com eles e a não passar mais tempo que o necessário remoendo coisas que aconteceram no passado e as emoções negativas que essas lembranças carregam.

Por exemplo, no período que vivemos atualmente, é muito importante saber como preservar a sua saúde mental durante a quarentena do Covid-19.

As informações são do centro médico acadêmico americano Cleveland Clinic e da Mayo Clinic, organização da área de serviços médicos e pesquisas médico-hospitalares dos Estados Unidos.

Fontes e Referências adicionais:

Você já sabia como seus sentimentos podem afetar a saúde do seu coração? O que isso pode mudar na sua vida? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Rafael Ferreira de Moraes

Dr. Rafael Moraes formou-se em Medicina pela Universidade do Grande Rio Professor José de Souza Herdy em 2013. Pós-graduado em Psiquiatria pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, onde atuou nos atendimentos ambulatoriais da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro e Casa de Medicina da PUC-Rio. Atualmente, exerce sua especialidade em três municípios do estado do Rio de Janeiro: Teresópolis, Magé e Rio de Janeiro, capital. Dr. Rafael é a promessa da Psiquiatria atual, jovem, que preza pelo acolhimento ao paciente unido ao que há de mais recente nesta área em constante evolução. Para mais informações, entre em contato com ele em sua conta oficial no Instagram (@rafafmoraes)

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