Dieta para Pedra na Vesícula – O Que Comer e Dicas

Especialista da área:
atualizado em 20/04/2020

Ter uma boa dieta para pedra na vesícula é fundamental para que as complicações se mantenham longe. No entanto, nem todos sabem quais os cuidados alimentares que se deve ter quando uma pessoa é acometida por esse quadro.

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Neste artigo, você irá conferir o que comer para atenuar o quadro e dicas importantes para aprimorar sua dieta.

Também conhecida como cálculo biliar, essa complicação ocorre quando a bílis, que normalmente é fluida, forma pedras na vesícula biliar, que é o órgão que fica abaixo do fígado. Mais comumente, os cálculos biliares contêm pedaços de material gorduroso (semelhante ao colesterol) que se solidifica e endurece, formando o que é conhecido como pedra na vesícula.

Às vezes, formam-se algumas poucas pedras, enquanto outras vezes podem se formar diversas pedras. É possível, ainda, que se forme apenas uma grande pedra no órgão. O fato é que se trata de um quadro muito comum e que atinge, anualmente, cerca de dois milhões de brasileiros.

Confira dicas importantes de como adaptar sua dieta para auxiliar nos casos de pedra na vesícula:

Alimentos Indicados

Dentre os cuidados possíveis para manter a vesícula saudável e atenuar os sintomas dos cálculos biliares, a adequação da dieta compõe uma parte importante do tratamento, pois ela deve ser pensada de forma a evitar o aumento colesterol, uma das principais causas das pedras na vesícula.

Por meio da dieta para pedra na vesícula, é possível conter os danos promovidos por essa complicação e até mesmo evitar que as pedras se formem. Conheça alguns dos alimentos que podem ser incorporados no seu cardápio:

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Frutas e Vegetais

As frutas e vegetais oferecem aos indivíduos inúmeros benefícios no combate ao alto colesterol e, consequentemente, aos cálculos biliares. Isso se deve, dente outros fatores, à presença de fibra nesses alimentos, e o fato de que a maioria possui vitamina C em sua composição.

Em um estudo feito nos Estados Unidos, com mais de 13.000 adultos, por mais de dez anos, constatou-se que as pessoas com altos níveis de vitamina C no sangue apresentaram menos chances de desenvolver pedras na vesícula e outras complicações biliares.

Repolho, couve, couve-flor, tomate, verduras de folhas escuras, frutas cítricas como laranja, kiwi, abacaxi e morango são algumas opções de alimentos ricos nesse tipo de vitamina e que, portanto, devem ser consumidos diariamente. Recomenda-se a ingestão de 5 a 6 porções de frutas e vegetais por dia.

No entanto, uma dica importante é tentar adquirir a vitamina por vias alimentares, pois a suplementação de vitamina C pode estar associada ao surgimento de pedras nos rins.

Grãos Integrais

Ao comer massa, pode ser uma escolha inteligente optar pelas versões integrais, pois são feitas à base de outros grãos que não a farinha refinada. Esses grãos, como aveia, linhaça, quinoa, chia e amaranto são ricos em fibras.

De acordo com uma pesquisa feita pelo Nurse’s Health Study, envolvendo mais de 70.000 mulheres ao longo de 16 anos, constatou-se que aquelas que possuíam uma dieta rica em fibras apresentaram 6% a menos de chances de apresentar complicações biliares que necessitassem de cirurgias.

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No entanto, ao levar em consideração os fatores de risco suspeitos e conhecidos para pedra na vesícula, como idade, índice de massa corporal, prática de atividade física, frequência de consumo de gordura saturada e tabagismo, a correlação entre a ingestão de fibras e o risco reduzido de doença da vesícula biliar tornou-se ainda mais aparente.

Após ajustar as variáveis dos fatores de risco, constatou-se que as pessoas expostas às dietas com grande quantidade de fibra alimentar tiveram 13% menos chances de se submeterem a cirurgia.

Os pesquisadores da área acreditam que os efeitos da fibra alimentar nas doenças biliares estão relacionados aos efeitos do alimento no metabolismo dos ácidos biliares. Nos países ocidentais, cerca de 80% dos cálculos biliares são pedras formadas por colesterol, cuja formação tem sido associada à hipersecreção biliar.

As fibras insolúveis que compõem a dieta podem ajudar a acelerar o trânsito intestinal. Isso faz com que haja a redução da produção de ácidos biliares e auxilie na redução dos níveis de colesterol biliar. Alguns tipos de fibras insolúveis incluem soja, feijão, lentilha, brócolis, couve-flor, além dos cereais integrais.

Leite e Laticínios

A ingestão moderada de leite e alimentos derivados de leite também é recomendada para evitar complicações na vesícula, pois o cálcio é aliado à saúde biliar. No entanto, é importante se ater às opções magras, sem gordura.

De 2 a 3 porções por dia é suficiente para suprir as necessidades do organismo e favorecer o trabalho biliar.

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Opte pelas versões desnatadas ou semidesnatadas, pois possuem menos gordura do que a variedade integral, assim como iogurte sem gordura e seus derivados, pois as versões integrais podem favorecer o surgimento do colesterol considerado ruim, ou seja, o LDL, que, por sua vez, promove a formação de placas nos vasos sanguíneos e, potencialmente, complicações na vesícula biliar. 

Já os queijos amarelos, como as variedades minas padrão e parmesão, devem ser evitados, bem como manteiga e margarina.

Carnes Magras

As carnes magras devem compor qualquer dieta que se pretenda saudável, pois a proteína é essencial para a regeneração dos tecidos. Quanto mais gorda uma carne for, maior o índice de colesterol. Embora todas as carnes possuam colesterol, as variedades consideradas magras, como aves, alguns peixes e alguns cortes da carne bovina, como o patinho, por exemplo, possuem um índice menor.

O colesterol está diretamente associado ao surgimento de pedras na vesícula na grande maioria dos casos. Dessa forma, reduzir o consumo de colesterol é fundamental para evitar que o quadro se intensifique ou, até mesmo, para evitar que ele se manifeste.

Além disso, comer pequenas porções por vez é ideal, pois, dessa maneira, o corpo consegue metabolizar mais rapidamente.

Café

O café, quando consumido moderadamente, pode ser aliado na dieta para pedra na vesícula.

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Segundo pesquisas na área, as substâncias presentes na bebida podem ter vários benefícios para a função da vesícula biliar, incluindo o equilíbrio de certos substratos químicos. Além disso, essas substâncias ajudam a promover a ação da vesícula biliar e o funcionamento do intestino.

No entanto, para absorver os benefícios que a bebida oferece, opte por versões adoçadas com açúcares mais saudáveis que a sacarose, ou sem adoçante.

Segundo Tybjaerg-Hansen, médica chefe do departamento de bioquímica clínica da Rigshospitalet no Hospital Universitário de Copenhague, o consumo de café associado a um menor risco de doenças na vesícula biliar. Segundo um estudo coordenado pela médica, os resultados são positivos até mesmo para quem consome de uma a duas xícaras por dia, pois, mesmo em pequena quantidade o café é capaz de reduzir o risco de cálculos biliares.

Comparados aos que se abstiveram de café, os voluntários da pesquisa que bebiam apenas uma xícara de café por dia viram o risco de cálculos biliares caírem cerca de 3%. Enquanto isso, aqueles que consumiam de três a seis xícaras por dia viram o risco cair 17%.

Alimentos a Serem Evitados

Se algumas comidas são responsáveis por promover a saúde e a benesse ao corpo humano, outros devem ter seu consumo limitado, ou até mesmo restrito, pois podem prejudicar o funcionamento de certas funções. Confira os alimentos que devem ser evitados em uma dieta para pedra na vesícula:

Frituras

Qualquer alimento frito estará cheio de gordura. O óleo da fritura não oferece benefícios ao organismo, ao invés disso, o consumo excessivo de alimentos fritos está associado ao surgimento de doenças cardiovasculares, hipertensão, baixa absorção de nutrientes e até mesmo diminuição da fertilidade. Além disso, favorece o surgimento de colesterol, que pode desencadear cálculos biliares.

Carboidratos Refinados

Os carboidratos compõem uma parte significativa na dieta da maioria das pessoas. No entanto, as versões refinadas podem aumentar o risco de distúrbios da vesícula biliar.

Em um estudo, constatou-se que a ingestão de 40 gramas ou mais de açúcar por dia dobra o risco de cálculos biliares.

Dessa forma, é uma boa opção trocar alimentos como açúcares refinados, farinha branca, biscoitos e bolos industrializados por alimentos feitos à base de grãos integrais.

Alimentos Ultraprocessados

Os alimentos ultraprocessados como bolachas, pães industrializados, biscoitos, alguns tipos de queijo, doces embalados e carnes embutidas são alguns alimentos que devem ser evitados devido à sua composição ser pobre em termos nutricionais.

Normalmente, nesses alimentos há uma grande concentração de componentes como sódio, açúcar, extratos de carne, gorduras, proteínas do leite, proteína de soja e mais uma série de substâncias que podem promover o colesterol e, consequentemente, o surgimento de pedras na vesícula.

Além disso, nesses tipos de alimentos também podemos encontrar certas substâncias sintetizadas a partir de alimentos e de outras fontes, como carvão, por exemplo. Essas substâncias podem representar danos à saúde e ao funcionamento do organismo, de maneira geral.

Alimentos Ricos em Gordura de Origem Animal

A gordura animal é o principal vetor do colesterol ruim no organismo. O LDL – Low Density Lipoprotein – promove inúmeros malefícios ao organismo, sobretudo à saúde cardiovascular, pois faz com que as artérias sejam entupidas com placas que se acumulam em suas paredes.

No entanto, muitos produtos de origem animal são necessários para a manutenção da saúde dos indivíduos. A dica é optar pelos alimentos que não possuam tanta gordura, como carnes magras, ovos e vegetais.

Dessa maneira, quanto menor o índice de colesterol, menores as chances do surgimento de cálculos nas vesículas.

Causas de Pedra na Vesícula

As causas para o surgimento de cálculos biliares podem ser diversas. Algumas das mais comuns são:

– Bile com muito colesterol: Normalmente, contém substâncias químicas suficientes para dissolver o colesterol excretado pelo fígado. No entanto, quando o fígado libera mais colesterol do que a sua bílis pode dissolver, o excesso de colesterol pode se converter em pedras. Essa é a causa mais comum de cálculos biliares.

– Bile não esvazia adequadamente: Quando a vesícula biliar não esvaziar completamente ou com frequência, a bile pode se tornar muito concentrada. Por se tornar um líquido denso, pode haver a formação de pedras na sua vesícula.

– Bile com muita bilirrubina: A bilirrubina é um produto químico produzido quando o corpo decompõe os glóbulos vermelhos. Certas condições fazem com que o fígado produza bilirrubina em excesso, tais como infecções na vesícula, alguns tipos de distúrbios no sangue e cirrose hepática. Dessa maneira, o excesso de bilirrubina contribui para a formação de cálculos biliares.

Fatores de Risco

Os principais fatores de risco para o surgimento de cálculos biliares são:

  • Obesidade;
  • Ser do sexo feminino;
  • Ter 40 anos ou mais – o risco aumenta à medida que o indivíduo envelhece;
  • Gravidez;
  • Diabetes;
  • Rápida perda de peso;
  • Fazer uso de remédios à base de estrogênio;
  • Dieta rica em gordura;

Se você foi diagnosticado com cálculo biliar, uma das primeiras adaptações que deverão ser feitas é quanto à alimentação com uma dieta para pedra na vesícula. Por via das dúvidas, opte sempre por alimentos naturais, feitos em casa e com grãos integrais, além de bebidas e alimentos sem açúcares refinados. Maiores recomendações devem ser obtidas com o seu médico após a avaliação do seu quadro.

Referências adicionais:

Você já conhecia a dieta para pedra no vesícula? Já foi diagnosticado com isso? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco é Cirurgião do aparelho digestivo, Cirurgião geral - CRM 597798 RJ/ CBCD. Formou-se em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na área de transplantes na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2010. Dr. Lucio Pacheco é um profundo estudioso na área de doença hepática e escreveu dezenas de livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico-cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D´Or e do Hospital Copa D´Or. Além disso é diretor médico do Instituto de Transplantes. Suas áreas de atuação principais são: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia, e transplante de fígado. Dr. Lucio é uma referência profissional em sua área e autor de artigos científicos e diversos. Para mais informações, entre em contato com ele.

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