Exame Antidoping – Como é e Quais São as Substâncias Proibidas

Especialista:
atualizado em 20/07/2020

Veja o que é e como é um exame antidoping, quais são as substâncias e métodos proibidos de acordo com o Wada (Agência Mundial Antidoping).

Muitas coisas fazem parte da rotina de um atleta profissional que disputa grandes competições oficiais: treinamentos constantes, viagens frequentes, cuidados extensivos com a alimentação e hidratação, manutenção de uma boa performance e até compromissos com patrocinadores e federações. Além disso tudo, algo que faz parte da vida de um atleta profissional é o exame antidoping.

A existência do teste é importante para manter o jogo limpo no esporte e exige que os esportistas tomem muito cuidado com os suplementos alimentares, medicamentos e até produtos à base de plantas que usam.

Mas você já parou para pensar como funciona um exame antidoping e o que é antidoping afinal?

Sobre doping e antidoping

Quem nunca se assustou com a notícia de que um esportista famoso foi pego no exame antidoping? Entretanto, para entender o que é antidoping é necessário compreender o significado de doping.

De acordo com o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio 2020, o doping é o uso não somente de substâncias como também de métodos proibidos para aumentar a performance de um atleta. A definição também envolve esconder ou a tentativa de ocultar esse uso.

Existe toda uma amplitude de substâncias e métodos para melhorar a performance atlética de modo trapaceiro nas competições que, com o avanço científico, tem se tornado progressivamente diversificada.

O antidoping é definido como um conjunto de atividades que têm o objetivo de eliminar o doping do esporte, ao mesmo tempo em que protege os atletas limpos (que não fazem uso de substâncias ou métodos ilegais) e a integridade do esporte, de acordo com explicação do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio 2020.

No ano de 1999, a Agência Mundial Antidoping (WADA, sigla em inglês) foi estabelecida com o intuito de promover as atividades internacionais antidoping em todos os esportes. Mais tarde, foi publicado o Código Mundial Antidoping para servir como um conjunto de regulações universais para a comunidade esportiva internacional.

O que é e como é o exame antidoping?

Os chamados controles de dopagem são exames que consistem na coleta de amostras de urina e/ou sangue que são enviadas para laboratórios credenciados pela WADA, onde ocorre a verificação da presença ou não de substâncias ou métodos proibidos.

Os profissionais responsáveis por lidar com as amostras nos laboratórios não recebem a informação da identidade do atleta analisado, apenas dados referentes ao número da amostra, modalidade esportiva, evento (no caso do exame antidoping durante competição), gênero, federação e data e hora da coleta do material.

Um atleta pode ser testado tanto durante os campeonatos, quanto em períodos fora de competições, podendo ser abordado por um oficial de controle de dopagem em sua casa ou no local onde treina, por exemplo. Não existe uma quantidade máxima de vezes por ano que um atleta pode ser submetido a exames antidoping.

A estratégia de testes fora da época de competições serve para prevenir que o esportista que pratica o doping use de mecanismos para mascarar a dopagem ou interromper o uso da substância ou método proibido temporariamente, baseando-se no calendário das competições.

Na época de competições, o atleta pode ser chamado para o exame antidoping por meio de seleção aleatória ou de outro critério como a colocação que ele alcançou no campeonato; nos períodos fora de competição, a seleção também pode ocorrer de maneira aleatória ou dirigida em qualquer momento e lugar, sem aviso prévio.

É permitido ao atleta alegar que não recebeu a notificação a respeito do exame antidoping, entretanto, ele precisará comprovar tal afirmação, uma vez que a recusa em participar do teste configura uma violação da regra antidopagem, de acordo com o Código Mundial Antidopagem.

Uma vez que recebe a notificação de que foi escolhido para se submeter ao exame antidoping, o esportista deve permanecer sendo observado diretamente pelo agente do controle de dopagem até o final do processo de coleta de amostras. Ele também deve conceder a sua identificação conforme for exigido, cumprir todos os procedimentos de coleta de amostra e se apresentar imediatamente na estação de controle de dopagem.

O exame antidoping consiste, então, no fornecimento de uma amostra de urina ou sangue, o que precisa ocorrer na presença de um oficial de controle de dopagem do mesmo sexo do atleta a ser examinado.

O esportista maior de idade tem a opção de submeter-se ao teste na presença de um representante de sua escolha. Já para o atleta menor de idade ou que apresente algum tipo de necessidades especiais, a presença desse representante é obrigatória.

A amostra é distribuída pelo próprio atleta em dois recipientes separados, denominados amostra A e amostra B. Enquanto a amostra A será analisada pelo laboratório, a amostra B fica armazenada para a eventual necessidade de uma contraprova, caso o resultado do teste dê positivo para um doping.

No caso do teste de urina, se a concentração não estiver muito diluída, será necessário o fornecimento de amostras adicionais. O exame antidoping exige no mínimo 90 ml de urina, já que os laboratórios testam toda uma variedade de substâncias proibidas. São necessários pelo menos 60 ml para a amostra A e pelo menos 30 ml para a amostra B.

O chamado formulário de controle de dopagem também faz parte do processo do exame antidoping e serve para registrar todo o processo. Além de apresentar o seu documento de identidade, o esportista precisa confirmar se as informações disponíveis e se os códigos das amostras estão corretos e assinar o formulário. Ele recebe uma cópia do documento ao término do processo.

Um passo importante para o atleta durante o exame antidoping é declarar ao oficial de controle de dopagem todos os medicamentos, suplementos alimentares e produtos à base de plantas que esteja utilizando atualmente. A informação fica registrada no formulário de controle de dopagem.

No Brasil, uma vez que a análise de laboratório das amostras concedidas pelo atleta é finalizada, os resultados são enviados para as entidades responsáveis pelo teste, para a Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) e para a WADA.

Caso haja um resultado analítico adverso, ou seja, um teste positivo para uma substância ou método proibido, o laboratório informa à entidade responsável pelo controle de dopagem o número da amostra onde o resultado foi identificado, o que possibilita a identificação do atleta.

Apenas a entidade responsável pelo controle de dopagem em questão é que tem acesso ao formulário original do controle de dopagem e, portanto, pode identificar o esportista por meio do número da sua amostra. As informações são da ABCD.

Quais são as substâncias e métodos proibidos pelo antidoping?

A WADA, que já publicou a lista atualizada para 2020 com as substâncias e métodos proibidos, esclarece que para fazer parte desta lista, uma substância precisa obedecer a pelo menos dois dos três seguintes critérios: ter o potencial para aumentar ou efetivamente aumentar a performance esportiva, representar um perigo real ou potencial à saúde dos atletas e violar o espírito esportivo.

Por exemplo, os agentes anabolizantes, os hormônios peptídicos, os fatores de crescimento e substâncias associadas ou análogas, os beta-2-agonistas, os moduladores hormonais e metabólicos, os diuréticos, os agentes mascarantes, a manipulação do sangue e dos componentes sanguíneos, manipulação física e química e doping celular e genético fazem parte do grupo de substâncias e métodos proibidos pela WADA em todos os períodos – na época e fora da época de competições.

Já os estimulantes, os narcóticos, os canabinoides e os glicocorticoides estão proibidos pela agência durante os períodos de competições.

Os betabloqueadores (que envolve a classe de medicamentos que pode ser indicada para problemas no coração) são proibidos na época e fora da época de campeonatos para esportes como arco e flecha e tiro. Já esportes como golfe, automobilismo, bilhar, esqui, snowboard e esportes subaquáticos proíbem os betabloqueadores nos períodos de competições.

O atleta profissional precisa conhecer a lista completa e específica das substâncias e métodos proibidos pela regulação antidoping – neste link você confere a lista detalhada da WADA para 2020. Existe ainda uma versão em português deste documento, disponibilizada pela ABCD, que pode ser acessada neste outro link.

É importante também que o esportista esteja cercado de treinadores, médicos, farmacêuticos e outros profissionais éticos, que o auxiliem a evitar as substâncias e os métodos proibidos no antidoping.

Ainda é fundamental que o atleta profissional leia sempre a bula e todas as informações referentes à formulação de todos os medicamentos, suplementos e produtos cosméticos que utilizar para não correr o risco de usar uma substância proibida sem querer ou sem saber.

Fontes e Referências Adicionais:

Você já conhecia o exame antidoping? Já teve que passar por um em alguma competição? Comente abaixo!

1 Estrela2 Estrelas3 Estrelas4 Estrelas5 Estrelas (2 votos, média: 5,00 de 5)
Loading...
Sobre Dr. Alexandre Seraphim

Dr. Alexandre Seraphim formou-se médico pela Universidade do Grande Rio e é pós-graduado em Nutrologia pela Associação Brasileira de Nutrologia. Possui diversos cursos na área de emagrecimento, hipertrofia e medicina ortomolecular que o qualificam ainda mais como um grande especialista da área. Atualmente, exerce sua especialidade em uma clínica localizada na Barra da Tijuca e também em Bangu, ambas no Rio de Janeiro. Para mais informações, entre em contato com ele em sua conta oficial no Instagram (@dr.alexandre.seraphim).

Deixe um comentário