Exame de Ferro Sérico Baixo ou Alto Demais – O Que Fazer

Especialista:
atualizado em 22/01/2020

Alterações nos níveis de ferro sérico podem resultar em sérios problemas de saúde. Por isso, ao desconfiar de que um paciente não apresenta uma quantidade adequada de ferro no sangue, um médico pode solicitar um exame de ferro sérico.

Além de entender tudo sobre o exame de ferro sérico, você também vai encontrar nesse artigo quais são os intervalos de referência considerados normais e o que fazer se estiver com o ferro sérico baixo ou alto demais.

Exame de ferro sérico

O exame de ferro sérico nada mais é do que um teste para medir a quantidade de ferro presente no soro sanguíneo. Trata-se de uma medida do ferro ligada à transferrina que circula por todo o corpo. O exame é útil para verificar os níveis de ferro no sangue de uma pessoa e determinar se estes são saudáveis ou não.

Normalmente, ele é requerido quando o médico desconfia que o paciente está sofrendo de uma grave deficiência de ferro, que pode levar a complicações de saúde como a anemia.

O exame de ferro sérico usa o soro, que é o líquido que sobra quando o laboratório processa a amostra sanguínea e remove os fatores de coagulação e as células sanguíneas.

Os resultados desse exame podem ajudar os médicos a diagnosticar e tratar diversos problemas de saúde já que ele detecta com precisão níveis anormalmente baixos ou altos demais de ferro no sangue.

Para realizar o exame, basta manter o jejum recomendado – que pode variar de 8 a 12 horas – e evitar usar medicamentos ou suplementos vitamínicos durante o jejum. O enfermeiro irá então coletar uma amostra de sangue do braço do indivíduo, que em seguida será enviada para análise.

O período da manhã é o melhor para coletar a amostra sanguínea, já que nesse momento os níveis de ferro estão mais altos, além de este ser o horário mais cômodo de preservar o jejum.

Interpretação dos resultados

Além dos níveis de ferro sérico, são solicitados também a saturação de transferrina e a capacidade total de ligação de ferro em um exame de ferro sérico.

– Ferro sérico

O exame mede o nível total de ferro presente no soro na unidade de microgramas de ferro por decilitro de sangue (mcg / dL).

O teste de ferro sérico não é pedido com frequência. Ele geralmente é solicitado depois que outros exames como um hemograma completo ou um teste de hemoglobina mostram resultados anormais ou quando o paciente mostra sinais de anemia.

– Saturação de transferrina

No nível sérico de transferrina, é avaliado como está o transporte de ferro através do sangue, já que a transferrina é um tipo de proteína envolvida diretamente nesse transporte. Desta forma, o exame serve para avaliar se há muito ou pouco ferro no sangue. A unidade utilizada é em miligramas de ferro por decilitro de sangue (mg / dL).

Outro teste incluso em um exame de ferro sérico serve para medir a capacidade total de ligação de ferro, conhecido como TIBC (da sigla em inglês Total Iron-Binding Capacity) e que é medido em mcg / dL. Ele serve para verificar se a transferrina está transportando o ferro pelo corpo de forma adequada e para indicar a quantidade de ferro que ela pode ligar ao sangue.

Valores de referência

O valor de referência considerado adequado para um exame de ferro sérico total é de 26 a 170 mcg / dL em mulheres e de 76 a 198 mcg / dL em homens.

Quanto à saturação de transferrina e ao TIBC, os intervalos de referência são:

  • TIBC: 262 a 474 mcg / dL;
  • Saturação de transferrina: 204 a 360 mg / dL ou 25 a 35%.

Os resultados alterados no exame de ferro sérico podem significar diversas anormalidades no organismo.

É sempre importante conferir também os intervalos de referência adotados no laboratório em que seu exame foi processado, pois podem haver pequenas diferenças nos valores de referência informados nesse artigo.

Alterações nos resultados

O ferro sérico baixo ou alto demais pode indicar vários problemas de saúde.

O ferro sérico baixo é detectado quando mulheres apresentam níveis menores do que 26 mcg / dL e homens têm níveis mais baixos do que 76 mcg / dL. Já o ferro sérico alto pode ser encontrado quando os valores para as mulheres estão acima de 170 mcg / dL ou acima de 198 mcg / dL para os homens.

Causas de ferro sérico baixo

Níveis baixos de ferro sérico podem indicar uma dieta inadequada em que o indivíduo não está consumindo ferro o bastante para que seu corpo funcione corretamente ou que o organismo não está conseguindo absorver o ferro da maneira correta. Também pode indicar que o corpo está sofrendo de alguma doença que prejudica o metabolismo do ferro.

Em mulheres, ciclos menstruais intensos também podem contribuir para níveis mais baixos de ferro já que tais mulheres podem perder o nutriente por meio da menstruação.

Outras causas possíveis podem incluir:

  • Gravidez;
  • Anemia;
  • Perda de sangue por meio do trato gastrointestinal;
  • Perda de sangue por outras partes do corpo.

Sintomas de ferro sérico baixo

Alguns sintomas comuns de deficiência de ferro no organismo incluem:

  • Dor de cabeça;
  • Fraqueza muscular;
  • Tontura;
  • Fadiga crônica.

Se a falta de ferro ficar ainda mais grave, outros sintomas podem ser observados, tais como:

  • Dificuldade de concentração;
  • Unhas deformadas;
  • Compulsão em comer produtos não alimentícios como gelo ou papel;
  • Feridas na língua e na boca.

Causas de ferro sérico alto

O ferro sérico alto pode sugerir que uma pessoa está consumindo muito ferro, vitamina B6 ou vitamina B12 através da alimentação. Isso também pode indicar que o paciente sofre de uma doença conhecida como hemocromatose hereditária.

Os níveis altos de ferro no sangue também podem indicar condições de saúde como:

  • Envenenamento por ferro após tomar uma quantidade muito grande de suplementos do mineral acima do que foi recomendado pelo médico ou do que está descrito na bula;
  • Sobrecarga de ferro, que ocorre quando o organismo naturalmente retém muito ferro;
  • Anemia hemolítica, condição em que a contagem de glóbulos vermelhos cai devido à uma quebra anormal de células vermelhas do sangue;
  • Doença hepática crônica como a cirrose hepática, a hepatite ou a insuficiência hepática;
  • Transfusões de concentrado de glóbulos vermelhos.

Sintomas de ferro sérico alto

Quando há ferro em excesso no organismo, podem existir sintomas como:

  • Fadiga;
  • Problemas cardíacos;
  • Bronzeamento ou escurecimento da pele;
  • Dor no abdômen;
  • Perda de peso;
  • Dor nas articulações;
  • Fraqueza muscular;
  • Falta de desejo sexual;
  • Pouca energia.

Os sintomas mencionados acima podem ficar mais intensos conforme a condição relacionada ao excesso de ferro piora.

O que fazer

Após obter os resultados anormais de um exame de ferro sérico e solicitar também os exames complementares mencionados nesse artigo, o médico pode sugerir algumas maneiras de corrigir os níveis de ferro.

– Normalizando níveis baixos de ferro

Quando o ferro sérico está baixo, pode ser necessário fazer alterações na dieta para incluir mais alimentos ricos em ferro ou usar suplementos de ferro.

Algumas boas fontes de ferro na alimentação são:

  • Grãos integrais;
  • Carne vermelha;
  • Feijão;
  • Vegetais de folhas verdes escuras;
  • Melaço;
  • Bife de fígado.

– Normalizando níveis altos de ferro

Para aqueles que sofrem com quantidades elevadas de ferro no sangue, é necessário adotar outro tipo de medida.

Pode ser preciso limitar o consumo de alguns alimentos ricos em ferro pelo menos até ocorrer uma normalização nos níveis de ferro sérico. Também pode ser necessário evitar o uso de suplementos de vitamina C, já que essa vitamina facilita a absorção de ferro.

Quando há uma doença como uma doença hepática, por exemplo, é necessário evitar o consumo de substâncias que possam prejudicar ainda mais o fígado. Assim, será importante evitar o consumo de álcool e tomar cuidado com o uso de certos medicamentos que podem ser difíceis para o fígado metabolizar.

Em casos em que o ferro não diminui, o paciente pode passar por um procedimento chamado de flebotomia, em que o sangue é temporariamente removido do corpo para que o excesso de ferro seja eliminado.

Toda vez que uma doença for a responsável pelo excesso de ferro no sangue, será preciso tratar a condição para que os níveis de ferro sejam normalizados. Daí a importância de um bom diagnóstico.

Importância do teste de ferro sérico

Como o ferro é um mineral muito importante para transportar oxigênio e nutrientes através do sangue, quantidades adequadas são essenciais para uma boa saúde.

O exame de ferro sérico é uma ferramenta segura e rápida para obtenção de informações sobre os níveis desse mineral no sangue.

Nem sempre, alterações mínimas em um exame de ferro sérico indicam problemas de saúde. Pode ser que o uso de certos medicamentos ou a ausência de jejum influenciem nos resultados do exame. Algumas pílulas anticoncepcionais, por exemplo, podem interferir no resultado do exame.

Dessa forma, é muito importante ser sincero na hora de coletar o exame para que os resultados possam ser avaliados adequadamente, sempre informando o uso de medicamentos, suplementos e a quantidade de horas pelas quais você ficou em jejum antes do exame.

Geralmente, alterações simples na dieta são eficazes para normalizar os níveis de ferro sérico. No entanto, se mudanças na dieta não forem suficientes para normalizar os níveis séricos de ferro, podem ser necessários mais exames para diagnosticar a condição, que pode ser uma condição mais séria como um dano hepático, a anemia grave ou a hemocromatose, por exemplo.

Fontes e Referências Adicionais:      

Você já precisou fazer um exame de ferro sérico? O resultado deu baixo ou alto demais? Qual foi o tratamento recomendado pelo seu médico? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco é Cirurgião do aparelho digestivo, Cirurgião geral - CRM 597798 RJ/ CBCD. Formou-se em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na área de transplantes na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2010. Dr. Lucio Pacheco é um profundo estudioso na área de doença hepática e escreveu dezenas de livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico-cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D´Or e do Hospital Copa D´Or. Além disso é diretor médico do Instituto de Transplantes. Suas áreas de atuação principais são: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia, e transplante de fígado. Dr. Lucio é uma referência profissional em sua área e autor de artigos científicos e diversos. Para mais informações, entre em contato com ele.

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