6 exames para detectar o câncer de intestino

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atualizado em 04/07/2022

A detecção do câncer de intestino pode se dar de forma precoce em pessoas sintomáticas, que fazem exames clínicos, laboratoriais, endoscópicos e radiológicos, para descobrir a causa dos sintomas, e em pessoas assintomáticas, que fazem exames de rastreamento, devido a algum fator de risco. 

O termo câncer de intestino é usado para se referir aos tumores que se desenvolvem no cólon, no reto e no ânus, por isso também é chamado de câncer colorretal. Quando o câncer de intestino é diagnosticado de forma precoce, há maiores chances de cura. 

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Muitos casos de câncer de intestino têm origem em pólipos, que se formam na parede deste órgão. Os pólipos são pequenos agrupamentos de células que se aderem na mucosa do cólon ou do reto e não causam sintomas, sendo identificados em exames de rastreamento, como a colonoscopia.

O ideal é que o câncer de intestino seja detectado nas fases iniciais da doença, para que a resposta ao tratamento seja mais eficiente e evite o espalhamento do câncer para outros órgãos. 

Veja quais são os exames utilizados para detectar o câncer de intestino.   

Teste imunoquímico fecal 

Este teste serve para detectar a presença de sangue nas fezes, por meio da ligação de anticorpos à hemoglobina, uma proteína presente nas células do sangue, que lhe confere a típica cor vermelha. 

A amostra de fezes é coletada com um kit, que contém todos os acessórios e instruções necessárias para a realização do procedimento em casa. Não há nenhuma recomendação especial quanto à alimentação ou medicamentos antes de realizar o exame, pois eles não interferem em seu resultado. 

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Se o resultado for positivo para a presença de sangue nas fezes, a pessoa é encaminhada para um outro exame, a colonoscopia, para que o médico ou médica consiga rastrear a fonte desse sangramento. Isso porque, o sangue pode não ter sido originado de pólipos ou tumores, mas de úlceras ou hemorroidas, por exemplo. 

Como um exame de rastreamento, a recomendação é que ele seja feito anualmente. 

Exame de sangue oculto nas fezes

Sangue nas fezes
O exame serve para identificar a presença de sangue nas fezes

O exame de sangue oculto nas fezes, como o nome sugere, serve para identificar a presença de sangue nas fezes, mesmo que esteja em quantidades muito baixas, imperceptíveis aos nossos olhos. 

Diferentemente do teste imunoquímico fecal, que utiliza anticorpos para se ligar à hemoglobina, este exame emprega um reagente químico. Se houver sangue nessa amostra de fezes, o reagente reage com a hemoglobina e deixa a amostra azulada. 

Antes do exame, são necessárias algumas preparações:

  • Evite tomar anti-inflamatórios não esteroidais, naproxeno e ácido acetilsalicílico sete dias antes de fazer o exame, pois esses medicamentos podem causar sangramento e gerar um resultado falso-positivo. 
  • Ingerir vitamina C em excesso, que é o equivalente a 250 mg/dia (em torno de 5 laranjas), também deve ser evitado por 3 a 7 dias antes do exame, pois ela pode interferir na ação do reagente usado no teste e gerar um resultado falso-negativo. 
  • Por fim, deve-se evitar comer carne vermelha três dias antes do exame, pois as substâncias presentes nesse tipo de carne interferem no resultado, podendo gerar um resultado falso positivo. 

Da mesma forma que o teste imunoquímico fecal, é necessário realizar uma colonoscopia para identificar a origem do sangramento, caso o resultado dê positivo. 

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Pesquisa de DNA fecal

Os tumores se originam de células normais, que sofrem alguma mutação em seu DNA e, por isso, começam a se multiplicar descontroladamente.

Com o passar do tempo, essas células se desprendem da mucosa do cólon ou do reto e atingem o lúmen, o interior do órgão, onde se juntam às fezes. Como as células cancerígenas são abundantes, por conta da alta taxa de proliferação, elas são facilmente encontradas nas fezes. 

Além disso, as células cancerígenas resistem a um processo natural das células saudáveis, que é a morte celular programada. Por isso, elas conseguem ficar viáveis por mais tempo nas fezes. 

A pesquisa de DNA fecal busca, então, por alterações do DNA, que indiquem a presença de células cancerígenas no intestino. 

Colonoscopia

Colonoscopia
Uma câmera na extremidade do tubo é usada para realizar as imagens

A colonoscopia é um exame indolor, que permite a visualização de toda a extensão do reto e do cólon com um colonoscópio, que tem uma câmera em sua extremidade. 

No colonoscópio também podem ser adicionados acessórios que permitem a retirada de um fragmento de qualquer massa suspeita, como pólipos, na parede do cólon ou do reto. Esse fragmento de tecido é encaminhado para análise laboratorial, em que se verifica a natureza das células, ou seja, se é benigna ou maligna. 

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Para fazer este exame, é necessária uma preparação do intestino, que inclui o seu esvaziamento e limpeza com o uso de laxantes e mudanças na dieta, evitando alimentos e bebidas com corantes vermelhos. Também é preciso ficar em jejum, na véspera do exame. 

Durante o exame, a pessoa é sedada, para minimizar o desconforto. Durante o procedimento, a pessoa fica deitada de lado, com os joelhos flexionados e seus sinais vitais são monitorados. 

Depois do exame, a pessoa pode sentir desconforto abdominal e cólicas, porque é injetado ar durante o exame, para facilitar a visualização do interior do intestino. 

Colonoscopia virtual

A colonoscopia virtual é, na verdade, uma tomografia computadorizada do cólon e do reto, que produz imagens seccionais, ou seja, de várias “fatias” desse órgão, permitindo a visualização de pólipos e tumores.

Esse procedimento é mais rápido do que uma colonoscopia normal, dura cerca de 10 minutos. Mas, da mesma forma que na colonoscopia, é preciso realizar uma preparação do intestino antes do exame, para que as imagens capturadas sejam de boa qualidade. Antes do exame, um profissional da enfermagem pede que a pessoa tome uma solução de contraste. 

Durante o exame, é inserido um tubo no reto, que preenche o cólon de ar, para uma boa aquisição de imagens. 

Uma desvantagem desse exame é que se for encontrado um pólipo ou tumor no intestino, será necessário realizar a colonoscopia para retirada de um fragmento da massa suspeita, para exame de biópsia. 

Sigmoidoscopia flexível

O exame de sigmoidoscopia flexível é semelhante à colonoscopia, a diferença está no tubo flexível utilizado, o sigmoidoscópio, que é uma versão mais curta do colonoscópio. Com o sigmoidoscópio, que tem apenas 60 cm, é possível visualizar o interior do reto e apenas uma parte do cólon. 

Com o sigmoidoscópio também é possível retirar fragmentos de massas suspeitas presentes no reto e na parte final do cólon, para biópsia. 

A preparação do exame é muito semelhante à da colonoscopia, com o uso de laxantes e dieta líquida. O procedimento dura em torno de 10 a 20 minutos e não requer sedação. Mas, a pessoa pode optar pela sedação, pois ela reduz os desconfortos do exame.

Depois do procedimento, a pessoa pode sentir cólicas, por causa do ar injetado no cólon, e até perceber um pouco de sangue nas fezes. 

Sinais e sintomas de câncer de intestino

Dor de barriga
A dor abdominal forte pode ser um sintoma

Em grande parte dos casos, o câncer não causa sintomas nos estágios iniciais. Mas, existem alguns sinais e sintomas envolvendo o intestino, que podem contribuir para a detecção precoce do câncer, não devendo ser ignorados, principalmente se forem persistentes:

A idade é um grande fator de risco para o câncer de intestino, por isso a Organização Mundial da Saúde recomenda que pessoas acima de 50 anos façam o exame de sangue oculto nas fezes anualmente. 

Caso o resultado dê positivo, deve-se fazer uma colonoscopia ou sigmoidoscopia, para verificar a presença de pólipos ou tumores e realizar a biópsia, que indicará se o tumor é benigno ou maligno. 

Fontes e referências adicionais

Qual ou quais desses exames para detecção de câncer de intestino você já fez? Quais sintomas te levaram a procurar ajuda médica? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco é Cirurgião do aparelho digestivo, Cirurgião geral - CRM 597798 RJ/ CBCD. Formou-se em Medicina pela UFRJ em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento em transplantes no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela UFRJ em 2010. Dr. Lucio Pacheco é autor de diversos livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico-cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D'Or e do Hospital Copa D'Or. Além disso é diretor médico do Instituto de Transplantes. Suas áreas de atuação principais são: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia, e transplante de fígado. Para mais informações, entre em contato.

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