Retocolite ulcerativa – O que é, sintomas e tratamento

Especialista:
atualizado em 19/08/2020

Há muitas doenças que afetam o trato gastrointestinal e a retocolite é uma delas. Confira o que é a retocolite ulcerativa e saiba se a retocolite tem cura.

Primeiramente, a retocolite ulcerativa é uma doença inflamatória intestinal em que o revestimento do intestino grosso, do reto ou ambos ficam inflamados.

A inflamação no intestino pode gerar feridas dolorosas que se espalham pela região e que podem alterar o funcionamento normal do órgão.

A maioria das pessoas com retocolite ulcerativa é diagnosticada entre os 15 e 35 anos de idade. Além disso, após os 50 anos de idade, o índice de desenvolvimento da doença aumenta nos homens.

mulher com dor na barriga e inflamação do intestino

Apesar da dor, sintomas desagradáveis e complicações que a retocolite pode causar, a doença pode ser tratada através de uma combinação de tratamento medicamentoso e dieta para colite, com o consumo de alimentos que contribuem para reduzir o processo inflamatório.

Retocolite ulcerativa – O que é

Chamada também de colite ulcerativa ou retocolite ulcerosa, a retocolite ulcerativa é uma inflamação no cólon (intestino grosso) que pode se tornar um grande problema se os devidos cuidados não forem tomados.

A inflamação prolongada pode causar úlceras no trato digestivo, que causam sintomas que interferem na qualidade de vida como dores frequentes e diarreia, por exemplo.

Existem quatro tipos de inflamação que são classificadas de acordo com o local atingido. São elas:

  1. Proctite: inflamação que atinge o reto (próximo do ânus) e que causa sangramento retal como principal sintoma;
  2. Proctosigmoidite: inflamação afeta o reto e o cólon sigmoide (porção inferior do intestino grosso) e que desencadeia sintomas como diarreia com sangue, dor, cólica abdominal e dificuldade para evacuar;
  3. Retocolite distal ou do lado esquerdo: a inflamação ocorre desde o reto até o colón sigmoide e descendente. Os principais sinais desse tipo de colite são a cólica abdominal, a dor no lado esquerdo, a perda de peso e a diarreia com sangue;
  4. Pancolite: inflamação que atinge todo o intestino grosso e que costuma causar diarreia com sangramento, cólica, fadiga, dor abdominal e perda de peso.

A propósito, um caso grave e raro de retocolite é a colite ulcerativa aguda grave ou colite fulminante. Nesse tipo, a inflamação afeta o cólon inteiro, causando dor intensa e debilitante, muita diarreia, sangramento, febre e incapacidade de se alimentar.

A retocolite pode ocorrer por causa da hiperatividade do sistema imunológico em algumas pessoas, mas os cientistas ainda não sabem por que o sistema imune ataca as células saudáveis do intestino grosso (cólon).

ilustração retocolite ulcerativa

Entretanto, apesar da causa duvidosa, a retocolite ulcerativa pode ser influenciada por fatores de risco como um gene herdado dos pais, a presença de doenças autoimunes e fatores ambientais como o contato com bactérias, vírus e antígenos.

Sintomas da retocolite

Dentre os sintomas mais comuns da retocolite ulcerativa, destacam-se:

  • Dor abdominal;
  • Perda de peso;
  • Fadiga;
  • Anemia;
  • Desnutrição;
  • Febre;
  • Diarreia que pode apresentar sangue ou pus;
  • Dor retal;
  • Aumento no volume dos sons abdominais;
  • Dores e cólicas abdominais.

Além disso, algumas pessoas têm sinais extras como:

  • Inchaço e dor nas articulações;
  • Náusea;
  • Redução do apetite;
  • Inflamação ocular;
  • Aftas;
  • Problemas de pele.

Contudo a gravidade dos sintomas varia muito de pessoa para pessoa e também é possível que os sintomas mudem ao longo do tempo.

Há períodos de remissão em que o paciente pode ser assintomático ou apresentar apenas sintomas leves, além de períodos de surtos, em que os sintomas são mais graves.

Mas quando deixada sem tratamento, a colite ulcerativa pode fazer surgirem complicações de saúde como:

  • Hemorragia;
  • Desidratação grave;
  • Perfuração no cólon;
  • Risco de câncer de cólon;
  • Coágulos sanguíneos nas veias e nas artérias;
  • Crescimento do cólon.

Confira também o que é a síndrome do intestino irritável e a doença de Crohn, que são outras doenças inflamatórias intestinais que causam sintomas similares aos da colite.

Tratamento

Além dos exames habituais de sangue e de fezes, a confirmação da colite ulcerativa é geralmente feita por meio de um diagnóstico endoscópico que pode envolver exames como uma colonoscopia e uma sigmoidoscopia flexível para identificar o local da inflamação.

Fora isso, testes adicionais de imagem como raios X, tomografia computadorizada e enterografia por tomografia computadorizada ou por ressonância magnética podem ser solicitados.

A retocolite tem cura?

A retocolite é uma doença crônica sem cura que pode ser tratada com o objetivo de controlar a inflamação e, assim, diminuir os sintomas. Dessa forma o tratamento funciona evitando os surtos da doença e prolongando os períodos de remissão em que os sintomas são quase ou totalmente imperceptíveis.

Resumindo, a doença pode ser tratada com uma combinação de medicamentos, remédios naturais e, em alguns casos, cirurgia.

Medicamentos

É preciso ressaltar que apenas um médico é capaz de prescrever um remédio para tratar a retocolite porque cada caso é um caso e a eficácia dos medicamentos pode variar de pessoa para pessoa.

É necessária uma boa dose de paciência e um bom profissional para encontrar o melhor tratamento para você.

1. Sulfasalazina e derivados

A sulfasalizina e medicamentos derivados como a mesalazina, a olsalazina e a balsalazida são geralmente a primeira sugestão de tratamento para a retocolite ulcerativa.

Esses remédios são do tipo ácido 5-aminosalicílico (5-ASA) e podem ser tomados por via oral ou usado como supositório, dependendo da região do cólon afetada pela inflamação.

2. Corticoides

Os corticoides são anti-inflamatórios esteroides que aliviam os sintomas moderados ou graves da retocolite. Exemplos incluem a prednisona, a budesonida e a hidrocortisona.

Entretanto, como esses remédios podem causar efeitos colaterais graves, eles são usados apenas para reduzir a inflamação durante os surtos.

3. Imunossupressores

Os imunossupressores diminuem a inflamação por meio da supressão da resposta do sistema imunológico, que geralmente começa o processo inflamatório. Ao suprimir esse processo, cessa também a inflamação.

Exemplos são a azatioprina, a ciclosporina, o tofacitinibe e a 6-mercaptopurina.

Portanto o acompanhamento médico frequente é indispensável durante o uso de imunossupressores já que esses remédios podem deixar o seu sistema imunológico enfraquecido e suscetível a outras doenças.

4. Agentes biológicos ou anti-TNF

Os agentes biológicos são remédios como o infliximabe, adalimumabe, golimumabe e vedolizumabe. Eles atuam neutralizando o TNF (fator de necrose tumoral), que é uma proteína produzida pelo sistema imunológico.

Isso porque quando essa proteína é desativada, a inflamação no intestino grosso é reduzida e os sintomas da retocolite tendem a entrar em remissão.

Outros remédios

O tratamento sintomático pode contar com o apoio de remédios como analgésicos para a dor como o acetaminofeno, os antibióticos em casos de infecções e a loperamida para controlar a diarreia.

Anti-inflamatórios como o ibuprofeno, a aspirina e o naproxeno devem ser evitados por pessoas com colite pois em alguns casos eles podem piorar os sintomas.

Opções naturais

Em alguns casos, os remédios naturais podem ajudar a controlar a inflamação e a regular os movimentos intestinais. Mas eles devem ser usados como complemento à terapia medicamentosa e nunca como única forma de tratamento.

Exemplos incluem o psyllium, a cúrcuma, os probióticos, a bromelina, a boswellia, a babosa e o óleo de peixe.

Dieta

A retocolite ulcerativa não pode ser tratada apenas com uma dieta específica, contudo é possível diminuir a duração dos surtos de sintomas ao evitar certos alimentos e ao usar suplementos e vitaminas prescritos por um médico.

É importante se hidratar bastante e evitar o consumo de bebidas contendo cafeína ou álcool. Além disso, fazer refeições com porções menores e frequentes também contribui para diminuir a inflamação.

Também pode ser bom para quem tem retocolite adotar uma dieta com pouca gordura, pouco sal e com uma quantidade moderada de fibras e de produtos lácteos.

Suplementos como a vitamina C podem ajudar a prolongar os períodos de remissão, já que ela tem um efeito anti-inflamatório importante. Você pode encontrar a vitamina C em praticamente todas as frutas cítricas e em vegetais como o pimentão, o espinafre e o brócolis.

Confira ainda quanto de vitamina C por dia é bom para aumentar a imunidade.

Intervenção cirúrgica

Casos graves de retocolite ulcerativa requerem um tratamento cirúrgico chamado de colectomia parcial ou total.

Então, na colectomia parcial, apenas as partes do intestino inflamadas são removidas.

Por outro lado, já no caso da colectomia total (ou proctocolectomia), todo intestino grosso é removido e o paciente deve usar uma bolsa acoplada a uma abertura permanente no abdômen onde os resíduos fecais são depositados.

Infelizmente a adaptação a uma colectomia total desse tipo pode ser difícil e como há o risco constante de infecção, ele não é o procedimento escolhido se houver outra forma de tratar o problema.

Além dessa, outra opção cirúrgica consiste na construção de uma bolsa interna no final do intestino delgado que é ligada ao ânus e que permite a saída natural das fezes.

A cirurgia é a solução mais próxima da cura da retocolite ulcerativa até o momento, mas nem sempre essa é a melhor opção devido aos riscos envolvidos em qualquer procedimento cirúrgico.

Dessa maneira, antes de se submeter a uma cirurgia, é importante analisar todas as suas opções de tratamento e escolher aquela que mais se adequa às suas necessidades.

Com o tempo, o tratamento se torna parte natural da sua rotina e você aprenderá a controlar os seus sintomas seguindo as orientações médicas e tendo cuidados simples na sua alimentação diária.

Fontes e Referências adicionais:

Você já foi diagnosticado com retocolite ulcerativa? Que sintomas foram os mais desgastantes e que tipo de tratamento foi passado? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Marcos Marinho

Dr. Marcos Marinho formou-se em Medicina pela Universidade do Grande Rio (Unigranrio) e é pós-graduado em Gastroenterologia pelo IPEMED. Realizou cursos de ultrassonografia geral e intervencionista pela Unisom, ultrassonografia musculoesquelética e Doppler pelo CETRUS. Atualmente, é pós-graduando de Endoscopia Digestiva pela Faculdade Suprema de Juiz de Fora-MG. No momento, atua em vários municípios do estado do Rio de Janeiro como na capital, Niterói, Magé e Araruama. Dr. Marcos Marinho tem experiência em setores variados de sua especialização e continua em constante aprendizado e evolução para ser uma referência da área. Para mais informações, entre em contato através de seu Instagram oficial @drmarcosmarinho

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