Fissura anal: o que é, sintomas e como tratar

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atualizado em 07/12/2021

Fissura anal é um assunto delicado que pode deixar as pessoas envergonhadas em buscarem ajuda profissional. Dessa forma, acabam sofrendo em silêncio por um problema que pode ser facilmente resolvido e é, inclusive, bastante comum. 

Se você já notou a presença de sangue nas fezes ou no papel higiênico, pode ser um sinal de que você tenha uma fissura anal, principalmente se sente dor durante e após a evacuação. 

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Na maioria das vezes, a fissura anal se resolve em alguns dias, mas é importante cuidar dessa ferida, para que ela não retorne. 

Veja o que é a fissura anal, os sintomas, como é feito o diagnóstico e o tratamento. 

Fissura anal: o que é?

fissura anal

O canal do ânus é internamente revestido por um tecido fino e úmido, a mucosa anal. A fissura anal é um pequeno rasgo nessa mucosa, que acontece com a passagem de fezes muito grandes e duras. A fissura anal pode ser acompanhada de espasmos no esfíncter anal, que é quando o músculo que controla a saída das fezes sofre uma série de contrações involuntárias. 

Pode acometer pessoas de qualquer idade, mas costuma ser comum em crianças, sendo a causa mais frequente de hemorragia digestiva baixa nessa fase. 

Sintomas da fissura anal

Os principais sintomas e sinais, que ajudam a reconhecer a ocorrência de uma fissura anal são: 

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  • Dor intensa durante a evacuação
  • Dor após a evacuação, que pode durar várias horas
  • Sangue de cor vermelho-vivo nas fezes ou no papel higiênico
  • Ferida, como uma laceração, na pele ao redor do ânus
  • Presença de um pequeno caroço ou mancha próximo à fissura anal.

Complicações

  • Fissura anal crônica: quando a ferida não cicatriza em 8 semanas, sendo necessário tratamento
  • Recorrência: é o retorno da fissura anal, após a sua cicatrização
  • Esfíncter: a fissura pode atingir o esfíncter, tornando a cicatrização mais difícil. Alguns casos só são resolvidos com cirurgia. 

O que causa a fissura anal?

Vários fatores podem causar a formação de uma fissura anal, alguns mais comuns e outros menos. As causas mais comuns são: 

  • Fezes grandes e duras
  • Ter constipação, que é quando uma pessoa evacua menos de 3 vezes na semana ou tem muita dificuldade para evacuar. Nesse caso, a força feita no momento da evacuação pode machucar a mucosa anal
  • Diarreia crônica, que é caracterizada pela alteração duradoura da consistência das fezes e pelo aumento da quantidade de evacuações, que duram mais de 4 semanas
  • Sexo anal
  • Parto normal.

Algumas doenças como a Doença de Crohn, câncer anal, HIV e sífilis podem ocasionar a formação de fissura anal. 

Como prevenir

A maneira mais eficiente de prevenir uma fissura anal é por meio da ingestão adequada de fibras, em torno de 20 a 40 gramas por dia, acompanhada de muita água, no mínimo 2 litros, diariamente. Fazendo isso, as fezes ficarão menos ressecadas e duras, o que elimina a necessidade de fazer muita força durante a evacuação. 

A prática regular de atividades físicas também ajuda no movimento intestinal, você pode começar com uma caminhada de 30-40 minutos, que ajudará o seu intestino a funcionar melhor.   

Como é feito o diagnóstico da fissura anal?

Fissura anal

Na consulta, o médico analisa a região anal, para ver se a causa da dor e sangramento é uma fissura anal. 

Na fissura anal aguda, a ferida se parece com um corte fino de papel. Já na fissura anal crônica, que é aquela que persiste por mais de 8 semanas, o corte é mais profundo e pode ser acompanhado de uma pele saliente, o plicoma. 

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Se o médico suspeitar que a fissura anal tem relação com alguma doença, geralmente a Doença de Crohn, podem ser solicitados alguns exames para uma investigação mais detalhada:

  • Anuscopia: é um exame simples feito com um aparelho que tem uma câmera na extremidade, o anuscópio. Ele é inserido a alguns centímetros no ânus, para observar a mucosa anal
  • Retossigmoidoscopia flexível: neste exame que requer sedação, o revestimento interno do reto e parte do intestino grosso são observados
  • Colonoscopia: é um exame que permite analisar todo o cólon, geralmente feito em pacientes acima de 50 anos ou que tenham predisposição para câncer de cólon. O exame também se aplica para pacientes com sintomas de diarreia e dor abdominal. 

Tratamento da fissura anal

Banho de assento

Ao desconfiar que você está com uma fissura anal, o primeiro e mais acessível tratamento é o banho de assento. Para fazer o banho de assento é muito simples:

  • Ferva de 3 a 4 litros de água
  • Deixe a água esfriar um pouco, até ficar morna
  • Transfira a água para uma bacia com abertura suficiente para você se sentar 
  • Permaneça no banho de assento durante 20 minutos
  • Você pode repetir o processo de 2 a 3 vezes por dia
  • Após o banho de assento, você pode passar um pouco de óleo de coco, para manter a região hidratada e acelerar a cicatrização.

Higiene com água

Limpe a região anal apenas com água, não use sabonete, pois ele resseca a mucosa, piorando a fissura anal.

Não use papel higiênico, mas caso não seja possível fazer a lavagem com água, molhe o papel higiênico antes de se limpar. 

Tratamento convencional (não cirúrgico)

Aplicação local de nitroglicerina

Esse tratamento envolve a aplicação de um gel contendo nitroglicerina, que atua na vasodilatação local (aumento do volume de sangue) e relaxa a musculatura do esfíncter. Essas ações combinadas promovem a cicatrização da fissura anal. Um efeito colateral muito comum desse tratamento é uma dor de cabeça intensa. 

Anestésico

Para alívio da dor no local, são usadas pomadas, géis e cremes com anestésicos, como a lidocaína (xilocaína).

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Toxina botulínica tipo A

A injeção local de toxina botulínica tipo A promove o relaxamento do esfíncter, necessário para que a fissura anal cicatrize. Diferentemente da nitroglicerina, a injeção de toxina botulínica não costuma causar dor de cabeça. 

Medicação por via oral

A nifedipina e o diltiazen são medicamentos por via oral que podem ser administrados para promover o relaxamento do esfíncter anal. 

Cirurgia

A cirurgia é indicada para casos que não respondem ao tratamento convencional no período de 4 a 8 semanas. A técnica cirúrgica mais comumente utilizada é a esfincterotomia anal interna lateral subcutânea, que pode ser feita com anestesia local.

Nessa cirurgia é feito um pequeno corte no esfíncter anal, para reduzir os espasmos. Essa ferida cicatriza algumas horas depois da cirurgia e o paciente sente alívio imediato da dor. 

Fontes e referências adicionais

Você sabia o que é a fissura anal? Conhecia os sintomas e os métodos de tratamento? Comente abaixo! 

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Sobre Dr. Marcos Marinho

Dr. Marcos Marinho é especialista em Gastroenterologia, Endoscopia Digestiva e Ultrassonografia - CRM 52.104130-4. Formou-se em Medicina pela Universidade do Grande Rio (Unigranrio) e é pós-graduado em Gastroenterologia pelo IPEMED. Realizou cursos de ultrassonografia geral e intervencionista pela Unisom, ultrassonografia musculoesquelética e Doppler pelo CETRUS. Para mais informações, entre em contato através de seu Instagram oficial @drmarcosmarinho

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