Fosfatidilcolina – O Que é, Para Que Serve e Efeitos Colaterais

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atualizado em 18/04/2018

Apesar de ser bastante conhecida por auxiliar em tratamentos para doenças mentais e até prevenir o desenvolvimento de algumas condições que afetam a saúde do cérebro, a fosfatidilcolina é uma substância bastante versátil que pode ajudar a tratar problemas hepáticos e a ajustar os níveis de colesterol, por exemplo.

Vamos explorar os benefícios da fosfatidilcolina e discutir os seus possíveis efeitos colaterais?

Fosfatidilcolina – O que é?

A fosfatidilcolina é uma molécula de ocorrência natural. Trata-se de um fosfolipídio, que é o principal lipídio (gordura) constituinte das membranas celulares e proteínas presentes no sangue, ligado a uma molécula de colina. Desta forma, a fosfatidilcolina é uma das principais fontes de colina no corpo.

A colina é um nutriente essencial para o organismo que atua como precursor do neurotransmissor acetilcolina, importantíssimo para que as funções cerebrais mantenham-se adequadas.

A fosfatidilcolina também é necessária para produzir substâncias chamadas surfactantes, que atuam para manter a função pulmonar e a saúde gastrointestinal em dia.

Os fosfolipídios são moléculas compostas por ácidos graxos, glicerol e fósforo. A parte fosfórica da substância é chamada de lecitina e por esse motivo, às vezes os termos fosfatidilcolina e lecitina são usados para indicar a mesma coisa. Porém, são substâncias diferentes.

A lecitina é uma classe de compostos que indica uma mistura de quaisquer tipos de lipídios e fosfolipídios, enquanto que a fosfatidilcolina é um tipo de molécula específica.

Para que Serve?

– Saúde do fígado

A fosfatidilcolina é necessária para compor e reparar as membranas celulares do corpo e é vital para a função adequada do fígado. Pesquisas indicam que o papel mais importante da fosfatidilclina é na prevenção e também no tratamento de diversas formas de doença hepática e toxicidade hepática. Isso porque a fosfatidilcolina protege as células hepáticas de dano viral, reduz a fibrose e evita a morte celular devido ao uso de substâncias prejudiciais como drogas, álcool e outros compostos tóxicos.

Vários estudos mostram que a fosfatidilcolina apresenta um efeito protetor e cicatrizante em pacientes com hepatite do tipo A, B e C. Em um estudo publicado pela revista científica Liver, por exemplo, a administração de fosfatidilcolina em pacientes com hepatite crônica e ativa resultou em uma redução significativa da atividade da doença.

Já outra pesquisa publicada na revista Hepatology comprovou que pacientes com deficiência de colina apresentaram uma reversão da condição de esteatose hepática (doença hepática gordurosa), após serem submetidos a uma dieta com suplementos de fosfatidilcolina.

Mais um estudo, publicado pela revista científica Alcoholism: Clinical and Experimental Research, mostrou que o uso de fosfatidilcolina resultou em proteção das células do fígado em ratos intoxicados por álcool.

Em outro estudo realizado em 2010 com pessoas com gordura no fígado foi observado que a ingestão de fosfatidilcolina reduziu o nível dos lipídios acumulados no órgão.

Os autores dessas pesquisas sugerem que a fosfatidilcolina é responsável por reduzir a morte celular por meio de uma diminuição no estresse oxidativo.

– Saúde intestinal

A fosfatidilcolina é um lipídio muito importante na camada de proteção do muco do trato gastrointestinal. Assim, ela é capaz de tratar lesões gastrointestinais causando um efeito anti-inflamatório. Um estudo recente publicado em um artigo científico da revista BMC Gastroenterology mostrou que a fosfatidilcolina inibe substâncias que causam inflamação, sendo benéfica para pessoas que sofrem de colite ulcerativa, por exemplo, que é uma inflamação no intestino.

Também existem evidências científicas de que a fosfatidilcolina pode proteger o estômago e o revestimento intestinal de efeitos nocivos de medicamentos anti-inflamatórios não esteroides usados comumente no dia a dia, como a aspirina, por exemplo, que agem contra a inflamação, febre e dor.

Tais medicamentos podem causar efeitos colaterais gastrointestinais graves com o uso prolongado, como dor estomacal, sangramento gástrico e até perfuração intestinal. Um estudo realizado em 2012 mostrou que o uso a longo prazo de medicamentos anti-inflamatórios pode levar a uma ruptura da camada de fosfolipídio do trato gastrointestinal, causando diversas lesões. Assim, a fosfatidilcolina seria capaz de prevenir e evitar esses danos.

– Transtornos mentais

A fosfatidilcolina tem grande importância como constituinte da membrana celular, mantendo sua integridade dos neurônios e melhorando a comunicação intracelular entre esses neurônios. Os dados de pesquisas científicas indicam que a suplementação com fosfatidilcolina é capaz de melhorar os sintomas de doenças mentais associadas a baixos níveis de acetilcolina, como a esquizofrenia, transtorno bipolar, síndrome de Tourette, doença de Huntington e doença de Alzheimer.

Isso porque uma pesquisa publicada no Journal Proteome Research revelaram que as anormalidades lipídicas presentes no cérebro são um fator determinante para desencadear processos característicos de doenças como esquizofrenia e transtorno bipolar.

– Função cognitiva

De acordo com estudos sobre demência, a administração de fosfatidilcolina pode resultar em um aumento do neurotransmissor acetilcolina no cérebro. Além disso, o uso desse suplemento pode melhorar funções cognitivas como a memória.

– Lipólise e perda de peso

A fosfatidilcolina pode ajudar a promover a lipólise, que nada mais é do que a quebra de moléculas de gordura no organismo. Assim, ela é interessante não só na perda de peso mas também na prevenção e tratamento de lipomas, que são massas gordurosas benignas que se acumulam em algumas regiões e dependendo do tamanho precisam ser removidas cirurgicamente.

– Cálculos Biliares e Colesterol

As famosas pedras na vesícula biliar são um grande problema para diversas pessoas. Tratam-se de depósitos rígidos na vesícula que vão se acumulando até formar uma espécie de pedra. Geralmente, esses depósitos são compostos por colesterol ou bilirrubina, que é uma substância resultante da degradação da hemoglobina no sangue que permanece nele ou é eliminada pela urina.

Se essas substâncias se acumulam, o indivíduo passa a sentir dores muito fortes na região da vesícula ou até mesmo desenvolver uma pancreatite.

De acordo com um estudo publicado em 2003, o uso de fosfatidilcolina pode reduzir a formação de cálculos biliares ao diminuir os níveis de colesterol, prevenindo o acúmulo desse lipídio no sangue.

Efeitos Colaterais

Os efeitos adversos relatados ocorrem, em sua maior parte, em pessoas que usam uma dose muito maior que a recomendada. Assim, os efeitos colaterais listados abaixo podem ser observados ao ingerir uma dose maior que 30 gramas por dia:

  • Transpiração excessiva;
  • Diarreia;
  • Vômito.

Ao injetar fosfatidilcolina diretamente em uma massa gordurosa, por exemplo, com a intenção de diminuir o inchaço, pode resultar em:

  • Dor;
  • Queimação na região;
  • Comichão;
  • Machucados;
  • Edemas;
  • Vermelhidão.

Outro risco envolvido no uso da fosfatidilcolina é observado quando o indivíduo ingere a substância juntamente com um composto inibidor de acetilcolinestarase (AchE) como o doneprezil ou a tacrina, por exemplo, que aumentam a produção de acetilcolina. Esse excesso de acetilcolina no organismo pode causar efeitos adversos colinérgicos, tais como:

  • Convulsões;
  • Fraqueza muscular;
  • Diminuição do batimento cardíaco;
  • Problemas respiratórios.

Como Usar e Cuidados

Não existe um padrão regularizado de dosagem diária recomendada de fosfatidilcolina na forma de suplemento. Porém, há um consenso entre especialistas que recomendam uma dose de 840 mg até duas vezes ao dia.

Os alimentos ricos em fosfatidilcolina incluem a soja, a gema do ovo, carnes vermelhas como o fígado, o trigo, o amendoim e a lecitina de soja.

Mulheres grávidas ou amamentando devem evitar o suplemento, já que não há dados suficientes para atestar sua segurança em relação à saúde do feto ou do bebê.

É importante buscar sempre suplementos seguros e que não contenham aditivos ou outras substâncias inativas aos quais você pode ser alérgico, por exemplo. Comece sempre com a menor dose possível para evitar efeitos colaterais indesejados.

Fontes e Referências Adicionais:

Você já tinha ouvido falar da fosfatidilcolina e para que serve essa substância no organismo? Foi receitado o uso desse suplemento para a sua saúde? Comente abaixo!

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Sobre Julio Bittar e Dra. Patricia Leite

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2 comentários em “Fosfatidilcolina – O Que é, Para Que Serve e Efeitos Colaterais”

  1. 1 ampola com intervalo de 10 a 15 dias.
    Não exceder a dose pra não sobrecarregar o fígado.
    É necessário fazer drenagem/massagem local 1 a 2 dias depois, de preferência com ultrassom 3mhzt
    Aplicação subcutânea