Esteatose hepática – O que é, tratamento, grau e dicas

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atualizado em 21/07/2021

Existem muitas doenças causadas por problemas relacionados à alimentação ruim e a um estilo de vida sedentário. A esteatose hepática é uma delas, e já é uma doença considerada como um problema de saúde pública, pois está bastante associada, principalmente, aos casos de excesso de peso, obesidade e diabetes.

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O que é a esteatose hepática?

fígado doente vs fígado saudável

O fígado é o segundo maior órgão do corpo humano e tem a função de processar e filtrar todas as substâncias tóxicas obtidas através dos alimentos digeridos, para que sejam eliminadas.

Normalmente, o fígado consegue produzir novas células hepáticas que irão substituir as células danificadas. No entanto, alguns problemas de saúde podem danificar permanentemente estas células, causando sintomas para o resto da vida.

A esteatose hepática é uma doença caracterizada pelo acúmulo de triglicerídeos e outros tipos de gorduras nas células do fígado. É normal que exista uma determinada quantidade de gordura no fígado, mas, para que seja considerado saudável, o fígado geralmente deve possuir, no máximo, 10% do seu peso correspondente à gordura.

Quando ocorre a entrada excessiva de gordura no fígado, ocorre um acúmulo dela que pode causar a inflamação das células hepáticas e o aumento de volume do fígado.

Estudos mostraram que de 10% a 20% dos americanos têm gordura no fígado, mas não apresentam danos ou inflamações nas células hepáticas. O diagnóstico da doença normalmente é tardio e realizado, na sua grande maioria, em pessoas com idade entre 40 e 60 anos. A quantidade de gordura acumulada no fígado pode ser avaliada através de diversos exames, entre eles a ultrassonografia.

Existem, basicamente, dois tipos de gordura no fígado: a doença hepática gordurosa alcoólica e a doença hepática gordurosa não alcoólica. O primeiro tipo está diretamente relacionado ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas. O segundo tipo está relacionado ao excesso de peso, à obesidade e aos maus hábitos de alimentação. Neste caso, as pessoas podem também apresentar um quadro de colesterol alto e também diabetes.

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A esteatose hepática pode ser diagnosticada e definida por diferentes graus, de acordo com o desenvolvimento da doença. A esteatose hepática leve, também chamada de esteatose hepática grau 1, ocorre quando há um pequeno acúmulo de gordura no fígado, sendo, normalmente, assintomática e mais difícil de ser rapidamente diagnosticada.

A esteatose hepática moderada, também chamada de esteatose hepática grau 2, ocorre quando há um acúmulo maior de gordura, podendo apresentar alguns sintomas mais leves. Por fim, já em grau mais avançado, existe a esteatose hepática difusa, também chamada de esteatose hepática grau 3, que é definida pelo aumento expressivo do volume do fígado, podendo provocar dor e apresentando diversos sintomas aparentes.

As causas desta doença ainda não são totalmente conhecidas, mas acredita-se que este acúmulo de gordura ocorra em função de uma resposta do fígado às agressões causadas pelos maus hábitos em relação à saúde.

Causas da esteatose hepática

estágios do fígado até chegar na cirrose

Veja, a seguir, algumas das possíveis causas da doença:

Doença hepática gordurosa não alcoólica

Esta é a principal causa desta doença, representando em torno de 70% dos casos. Ela está diretamente associada à diabetes, à obesidade, ao aumento das taxas de colesterol e de triglicerídeos, sendo decorrente de diversas alterações metabólicas.

Doenças hepáticas

Diversas doenças no fígado apresentam a esteatose hepática como uma manifestação delas, como por exemplo as hepatites B e C, a doença de Wilson, doenças colestáticas e a doença hepática alcoólica. Em boa parte das pessoas que fazem uso abusivo de álcool, ocorre o diagnóstico da esteatose no fígado.

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Causas secundárias

Quando as causas são secundárias, pode haver uma reversão do quadro da doença. Existem vários fatores que podem causar a doença, tais como o hipotireoidismo, a exposição a produtos químicos, o uso abusivo de medicamentos, entre eles as substâncias anabolizantes, a cortisona, os medicamentos para o combate do câncer, remédios para o tratamento de arritmias cardíacas, entre outros.

Quais os sintomas da esteatose hepática?

A esteatose hepática leve (esteatose hepática grau 1) não possui sintomas aparentes, pois este é o início da doença. Por este motivo, muitas vezes o diagnóstico é feito por acaso através de outros tipos de exames de imagens (ultrassonografia de abdômen, tomografia computadorizada ou ressonância magnética), e é comum que se encontre pessoas com a doença já em estado avançado e que não foram corretamente diagnosticadas.

Quando os sintomas são aparentes, como acontece com a esteatose hepática moderada e a esteatose hepática difusa, entre eles estão os quadros de vômitos, enjoos, inchaço na região abdominal, dor localizada, presença de pele e olhos amarelados, cansaço, perda de peso, perda de apetite, fraqueza, dificuldade de concentração, presença de manchas escuras na pele, entre outros.

Todos os pacientes que apresentem gordura no fígado, mesmo que ainda não tenham sido diagnosticados com esteatose hepática, apresentam maior risco de desenvolver outras doenças ao longo dos anos, entre elas a diabetes e as doenças cardiovasculares, tais como as doenças coronarianas, derrame e infarto.

O diagnóstico da doença é feito através de avaliação da história clínica e também do exame físico para se detectar o aumento de volume na região do fígado. No exame de sangue também é possível verificar as alterações nas enzimas hepáticas, assim como através dos exames de imagem. Alguns casos, no entanto, só podem ser confirmados com a biópsia do fígado.

Qual o tratamento para a esteatose hepática?

desenho fígado machucado

Dependendo do grau da doença e também do quanto ela está avançada, a esteatose hepática grau 1 e a esteatose hepática grau 2 podem ser reversíveis. Primeiramente, é preciso identificar a possível causa da doença para que se defina um tratamento mais adequado.

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O tratamento, geralmente, envolve tanto a intervenção médica quanto a orientação nutricional e também o acompanhamento de algum profissional da saúde para que se faça um plano de atividade física programada.

A maior parte das pessoas tem uma alteração estável no fígado que pode ser reduzida ao longo do tratamento até que o problema metabólico seja sanado ou, pelo menos, controlado. A esteatose hepática que ocorre com o acúmulo de gordura no fígado pode evoluir para um quadro de esteatohepatite, que é caracterizada pela inflamação causada pela gordura, e, por fim, podendo chegar a um quadro de cirrose hepática, passando a não ser mais reversível.

1. Dicas de dieta e alimentação

Aqueles com a doença devem mudar o estilo de vida e adotar hábitos saudáveis, já que essa é a principal causa do problema, podendo ser necessário também o uso de medicamentos.

É importante ter muitos cuidados em relação ao tipo de alimento que será consumido, tendo como objetivo adotar uma dieta rica em nutrientes, hipocalórica, com baixa ingestão de gorduras ruins e contendo gorduras saudáveis, como as gorduras poli-insaturadas, e contendo uma boa quantidade de fibras

Veja, a seguir, alguns alimentos que são recomendados e que podem ser utilizados na alimentação feita durante o tratamento daqueles com esteatose hepática:

  • Azeite de oliva extravirgem;
  • Óleos de origem vegetal, tais como os óleos de milho, arroz, canola, soja, entre outros;
  • Farelo de aveia;
  • Linhaça;
  • Carnes magras de boi e frango;
  • Leite desnatado;
  • Queijos magros, tais como o queijo minas frescal, a ricota e o cottage;
  • Frutas e verduras;
  • Alimentos ricos em fibras e integrais, tais como o pão integral e o arroz integral;

Os alimentos ricos em gorduras saturadas devem ser ao máximo evitados, assim como aqueles contendo altas doses de açúcar e carboidratos simples. Veja, a seguir, alguns dos alimentos que não devem ser consumidos na dieta daqueles com esteatose hepática:

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  • Alimentos ricos em gorduras saturadas, como as carnes gordurosas, embutidos, salgadinhos, frituras, entre outros;
  • Alimentos ricos em açúcar, tais como os refrigerantes, doces, biscoitos recheados, sorvetes, caldas, achocolatados, massas, molhos, entre outros;
  • Não se deve fazer o consumo de bebida alcoólica.

2. Atividade física e estilo de vida

A atividade física é fundamental para auxiliar na redução de peso das pessoas com o problema, assim como na diminuição do percentual de gordura corporal, ajudando assim na redução da quantidade de gordura no fígado. Recomenda-se a montagem de um plano de atividade física que inclua, pelo menos, 30 minutos de exercícios durante 3 vezes por semana.

Caso a pessoa tenha uma vida sedentária, é importante a escolha de atividades mais leves, tais como a caminhada, a hidroginástica, a dança ou qualquer outro exercício aeróbico de baixo impacto.

Caso a pessoa esteja com excesso de peso ou obesidade, é necessário ter um programa de perda de peso para que se consiga atingir níveis saudáveis de composição corporal, auxiliando, assim, na redução da quantidade de gordura no fígado. O processo de emagrecimento pode contribuir bastante para a redução das alterações metabólicas e hepáticas que ocorrem em função da esteatose.

Você já foi diagnosticado com algum grau de esteatose hepática? Que tratamento foi indicado e que mudanças fez em sua dieta? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Marcos Marinho

Dr. Marcos Marinho é especialista em Gastroenterologia, Endoscopia Digestiva e Ultrassonografia - CRM 52.104130-4. Formou-se em Medicina pela Universidade do Grande Rio (Unigranrio) e é pós-graduado em Gastroenterologia pelo IPEMED. Realizou cursos de ultrassonografia geral e intervencionista pela Unisom, ultrassonografia musculoesquelética e Doppler pelo CETRUS. Atualmente, é pós-graduando de Endoscopia Digestiva pela Faculdade Suprema de Juiz de Fora-MG. No momento, atua em vários municípios do estado do Rio de Janeiro como na capital, Niterói, Magé e Araruama. Dr. Marcos Marinho tem experiência em setores variados de sua especialização e continua em constante aprendizado e evolução para ser uma referência da área. Para mais informações, entre em contato através de seu Instagram oficial @drmarcosmarinho

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14 comentários em “Esteatose hepática – O que é, tratamento, grau e dicas”

  1. Fui diagnosticado com esteatose hepático grau 3 meu médico fala que é só com exercícios físicos e alimentação correta so que fiz uma tomografia computadorizada acusou aumento do volume hepático associado difusa estou preocupado

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  2. Olá Dr fui diagnosticado com esteatose hepático grau 3 gostaria de saber se com dietas e exercícios físicos ajuda a diminuir a gordura fiz uma tomografia computadorizada acusou aumento do volume hepático

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  3. Sim, sim. A difusa. estou tomando Legalon e Pankreoflat.

    Vou caminhando e já perdi peso, conquanto eu nunca fora pessoa gorda, apenas bem constituída.
    Sou hipertensa e sei que devo ingerir, pelo menos, 1 litro de água por dia. Tomo medicação, tal como
    Losartan e Coversyl

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  4. Fui diagnosticada com ESTEATOSE hepatica difusa
    Sou diabética tipo 2
    Meu tiglicerideos é alto e tenho hipertireoidismo
    Tem cura? Como devo fazer?

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  5. Fui diagnosticado com esteatose hepática grau 3,sou portador de ICC, Dislipidemia, Diabetes tipo 2,sou sequelado de AVC (hemiparesia lado direito), DPOC e triglicérides alto, agora fui encaminhado para um hepatologista.aguardando consulta. Preciso me preocupar com algo mais sério? Obrigado

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  6. O que significa: Sinais de aumento difuso do teor lipídico hepático? É uma Esteatose já avançada?
    Grata pela atenção
    Rita Zani

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