Grávida Pode Comer Salsicha?

Especialista:
atualizado em 27/12/2019

Você é daqueles que acredita e defende que todo desejo de grávida deve ser atendido? Saiba que nem sempre esse pensamento está correto. Por exemplo, será que grávida pode comer salsicha, que é reconhecida como um dos piores alimentos para a saúde?

Isso porque quando o desejo da gestante é por alguma comida ou bebida que pode fazer mal para ela ou para o seu bebê, não tem jeito: a futura mamãe vai ter mesmo é que passar vontade.

É por isso que é tão importante que a mulher que espera um bebê e as pessoas que a rodeiam saibam quais alimentos podem entrar e quais devem ser banidos da dieta da gestante.

Por exemplo, será que a grávida pode comer salsicha?

A questão com a salsicha não é simplesmente que ela pode fazer mal para a gestante: o alimento é prejudicial para a saúde de todas as pessoas, de maneira geral. Isso porque ela faz parte de um grupo considerado um vilão para a saúde do nosso organismo: os embutidos.

E se a gravidez é o período mais importante da vida para se ter uma alimentação saudável, como destacou a mestra em cinesiologia (ciência do movimento), Michelle Fisk, a futura mamãe precisa tomar muito cuidado com a salsicha.

Todo alimento artificial como a salsicha é rico em substâncias químicas como os estabilizantes. Esses componentes são contraindicados na gravidez porque, durante a gestação, o organismo da mulher fica mais ativo e pode reagir de maneira exagerada em resposta a essas substâncias químicas, gerando assim um quadro de alergia.

Os conservantes

Uma lista colocou os embutidos – que além da salsicha, inclui outros alimentos como linguiça, mortadela, presunto e salame – como um dos piores alimentos para a saúde e destacou que os corantes encontrados nos embutidos podem provocar alergias e problemas no estômago.

Os embutidos são conhecidos por conterem conservantes como o nitrito e o nitrato, substâncias que dentro do nosso organismo são convertidas em compostos potencialmente cancerígenos.

As gorduras saturadas

Os embutidos apresentam um teor de gorduras saturadas mais elevado do que as carnes naturais. As gorduras saturadas oferecem riscos para a saúde quando são consumidas de maneira excessiva.

É importante abordarmos isso quando queremos saber se a grávida pode comer salsicha porque uma das recomendações do Serviço Nacional de Saúde (NHS, sigla em inglês) do Reino Unido para ter uma dieta saudável durante a gestação é justamente tentar cortar a ingestão de gorduras saturadas.

Segundo a Escola Médica da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, uma dieta rica em gorduras saturadas pode aumentar os níveis totais de colesterol e subir as taxas do colesterol ruim, também conhecido como LDL.

A instituição também explicou que essa elevação do LDL incita a formação de obstruções (bloqueios) nas artérias do coração e de outras regiões do corpo.

No entanto, a Escola Médica da universidade americana destacou que uma pesquisa que analisou 21 estudos concluiu que não existem evidências suficientes para determinar que as gorduras saturadas aumentem o risco de doença no coração, porém, identificou que substituí-las pelas gorduras poli-insaturadas pode diminuir os riscos de doença no coração.

Dois estudos importantes a respeito delas concluíram que trocar as gorduras saturadas pelas poli-insaturadas e fontes de carboidratos ricas em fibras é a melhor aposta para diminuir os riscos de doença no coração, porém, substituir as gorduras saturadas por carboidratos altamente processados pode provocar o efeito contrário, completou a Escola Médica de Harvard.

O sódio

Outro problema da salsicha para a saúde de qualquer pessoa é que o alimento apresenta teores elevados de sódio.

Por exemplo, a salsicha da marca Sadia possui 540 mg de sódio em uma unidade de 50 g, ao mesmo tempo em que uma salsicha de 50 g da marca Perdigão contém 640 mg do mineral e a salsicha de frango da marca Seara fornece 550 mg da substância em 50 g.

Ainda que o corpo humano necessite do sódio para o controle da pressão arterial e do volume do sangue e para o funcionamento adequado dos músculos, a ingestão de uma quantidade elevada do nutriente não é nada boa para o organismo.

Os adultos saudáveis não devem consumir mais do que 2,3 mil mg de sódio diariamente, indivíduos com pressão arterial alta não devem ingerir mais do que 1,5 mil mg do mineral a cada dia e quem tem insuficiência cardíaca congestiva, cirrose do fígado e doença renal pode precisa consumir quantias muito menores do que essas.

Já a Associação Americana do Coração recomenda que os adultos limitem a sua ingestão de sódio para 1,5 mil mg do nutriente por dia.

A Academia Nacional de Medicina dos Estados Unidos determinou que o consumo adequado de sódio durante uma gestação também é de 1,5 mil mg por dia.

Entretanto, é fundamental que cada gestante conte com o acompanhamento médico durante toda a gestação para saber qual o limite de sódio indicado para o seu caso, em particular, porque o surgimento de algumas situações ou doenças em uma gravidez pode exigir cortes no consumo do mineral.

A Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, alertou que o excesso de sódio pode provocar problemas como retenção de líquidos, endurecimento dos vasos sanguíneos, pressão arterial alta, ataque cardíaco, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca.

A interferência na pressão arterial é algo particularmente prejudicial dentro de uma gestação.

Outras recomendações

Se mesmo com tudo isso, a gestante decidir comer um cachorro quente ou outra receita com salsicha uma vez ou outra, é essencial que a salsicha utilizada esteja bem cozida.

Além de saber se a grávida pode comer salsicha

É fundamental que a futura mamãe tenha o acompanhamento do médico e do nutricionista desde o momento em que descobre que está esperando um neném para saber todos os cuidados que precisa tomar, o que inclui como a alimentação precisa ser a partir de então.

Isso é essencial para assegurar que a mulher esteja ciente do que necessita comer e o que deve evitar para que ela e o seu neném recebam os nutrientes que precisam em quantidades apropriadas, de modo que o bebê se desenvolva dentro dos conformes e a saúde da futura mamãe seja preservada.

Durante essa conversa com o médico e o nutricionista, ela precisa descobrir qual a quantidade de cada nutriente que deve ingerir por dia – as necessidades nutricionais mudam durante a gestação – e aprender com quais alimentos consegue atingir esses valores.

Já o uso de suplementos deve ocorrer somente com a autorização e o acompanhamento dos profissionais para garantir que a quantidade de nutrientes a ser ingerida realmente esteja nos conformes. Assim como as faltas, os excessos de nutrientes podem fazer mal.

Esse acompanhamento individualizado do médico e do nutricionista torna-se ainda mais importante quando lembramos que cada gestação apresenta as suas particularidades, podendo haver diferentes riscos e necessidades para cada mulher e neném.

Lembre-se de que este artigo serve unicamente para informar e jamais pode substituir a opinião e as recomendações do médico e do nutricionista.

Vídeo:

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Fontes e Referências Adicionais:

Você já tinha ouvido falar que grávida pode comer salsicha ou não? Comeu cachorro quente ou outra receita durante sua gestação? Comente abaixo!

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Sobre Dra. Patricia Leite

Dra. Patricia é uma das nutricionistas mais conceituadas do país, sendo uma referência profissional em sua área e autora de artigos e vídeos de grande sucesso e reconhecimento. Tem pós-graduação em Nutrição pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, é especialista em Nutrição Esportiva pela Universidad Miguel de Cervantes (España) e é também membro da International Society of Sports Nutrition. É ainda a nutricionista com mais inscritos no YouTube em português. Dra. Patricia Leite é a revisora geral de todo conteúdo desenvolvido pela equipe de redatores especializados do Mundo Boa Forma.

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