Cirurgia para curar diástase abdominal – Como é, cuidados e dicas

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atualizado em 18/11/2021

A diástase abdominal é a separação dos músculos do reto abdominal, aqueles que formam o “tanquinho” na barriga. 

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Esse problema é bem comum entre as gestantes. Um estudo publicado na revista britânica British Journal of Sports Medicine reportou que até 60% das gestantes podem desenvolver diástase abdominal, durante ou após a gravidez. 

Mas, este não é um problema específico do período gestacional, também pode afetar homens, bebês recém-nascidos e praticantes de atividade física, quando fazem o levantamento de pesos com postura incorreta. 

Geralmente, as pessoas percebem que estão com diástase abdominal ao se levantarem da cama ou executarem algum esforço com a barriga. Esse tipo de esforço forma uma saliência no estômago. 

Associado a isso, a diástase abdominal causa dor na região lombar, que fica sobrecarregada com o enfraquecimento dos músculos abdominais. O inchaço abdominal e a constipação também são sintomas comuns da diástase abdominal.  

Existem tratamentos para corrigir a diástase abdominal, que envolvem exercícios, fisioterapia ou cirurgia

Os exercícios devem contar com a supervisão de um profissional qualificado, pois a execução errada dos movimentos pode agravar a diástase. A fisioterapia se concentra no fortalecimento dos músculos abdominais e do assoalho pélvico, com foco na contração muscular. 

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Quando a diástase é severa, na qual o afastamento dos músculos é maior do que 5 cm, geralmente não é revertida com exercícios e fisioterapia, sendo necessária a cirurgia.

Como é a cirurgia para corrigir a diástase abdominal?

Veja como é feita a cirurgia, os cuidados e algumas dicas para evitar a diástase abdominal. 

Videolaparoscopia

A cirurgia feita através da videolaparoscopia deixa poucas cicatrizes no abdômen e resulta em uma recuperação mais rápida. 

A indicação dessa cirurgia é para pessoas que apresentam a diástase sem excesso de pele, que é a flacidez no abdômen, ou de gordura

São feitos 3 pequenos furos perto do púbis, região abaixo do abdômen, para inserir as pinças robóticas. O cirurgião maneja as pinças, conforme monitora a região interna através do vídeo. Assim que o cirurgião identifica a região com diástase abdominal, ele aproxima os músculos afastados, em direção ao centro do abdômen e fecha com vários pontos internos. 

Adicionalmente, pode ser colocada uma tela de reforço para os pontos, em casos de pacientes com hérnia umbilical ou epigástrica.

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Outros procedimentos com fins estéticos podem ser feitos em conjunto com a videolaparoscopia, como a mamoplastia e a lipoaspiração.  

Abdominoplastia

Abdominoplastia

A abdominoplastia é uma cirurgia plástica que retira o excesso de pele e aproxima os músculos abdominais afastados, promovendo o seu fechamento no centro do abdômen.

Essa cirurgia tem caráter estético, pois o objetivo mais comum de quem faz esse procedimento cirúrgico é o de remover o excesso de gordura e de pele na região do abdômen. 

Mas, no caso da diástase abdominal, essa cirurgia também tem caráter funcional, pois visa restaurar a função ao músculo do abdômen. Os músculos dessa região não servem apenas para mostrar uma boa forma, mas sustentam as vísceras e mantêm uma boa postura, prevenindo problemas como incontinência urinária, hérnias de disco e dor nas costas. 

Nesta cirurgia, é utilizada uma anestesia geral ou peridural. Após a anestesia, o cirurgião faz uma incisão no abdômen inferior, bem semelhante a cesárea. A pele é descolada até a região próxima às costelas. O cirurgião localiza o ponto da diástase e fecha com amarração ou sutura, aproximando os músculos afastados. 

Nesta ocasião, também pode ser feita a remoção do excesso de pele e de gordura abdominal, promovendo uma melhor modelagem do abdômen. Há casos em que o umbigo também precisa ser remodelado. 

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Cuidados com a cirurgia para diástase abdominal

Diástase abdominal

Antes de decidir pela cirurgia

No caso das mulheres, a cirurgia só deve ser feita se ela decidir não ter mais filhos, já que é normal os músculos do abdômen se afastarem com o crescimento do útero. 

Se a gestação ocorrer sem planejamento após a cirurgia de diástase ter sido feita, a gestante deve cuidar bem da alimentação, para que não ganhe muito peso, pois isso agrava a diástase e prejudica ainda mais o resultado da abdominoplastia. 

No caso das gestantes que desejam fazer a cirurgia para corrigir a diástase abdominal, deve-se esperar até um ano após o parto

Já os pacientes que fizeram cirurgia bariátrica devem esperar 2 anos e estar com peso estável por pelo menos 2 meses

Pós-operatório

  • Uso de cinta abdominal: deve ser imediato após a cirurgia e ser mantido por, pelo menos, 1 mês. Assim que o médico pedir para interromper o uso, ele deve ser feito, para o que músculo não fique “preguiçoso”;
  • Sessões de drenagem linfática: é aconselhado uma sessão por dia, durante os primeiros 15 dias, para evitar o acúmulo de líquido no local da cicatriz, e para ajudar na eliminação do excesso de fluidos; 
  • Evitar esforço físico: deve ser evitado por pelo menos 40 dias. Aconselha-se que se trabalhe sempre sentado, evite-se levantar objetos pesados, subir ou descer escadas e dirigir;
  • Evitar a exposição ao sol;
  • Ao retornar à prática de exercícios físicos, quando o médico autorizar, opte por exercícios aeróbicos leves, como caminhada, natação e bicicleta. Evite a musculação;
  • Dormir de barriga para cima;
  • Manter os curativos sempre limpos;
  • Usar roupas leves e folgadas
  • Alimentação: mastigar bem os alimentos, comer devagar, não ingerir líquidos enquanto come e aumentar a ingestão de fibras são ações que ajudam a evitar a formação de gases e a prisão de ventre, para que a barriga não fique inchada; 
  • Ingerir alimentos que ajudam na cicatrização, como carnes brancas e ovos; 
  • Banho: deve ser de chuveiro e sentado em um banquinho e, de preferência, com ajuda de uma outra pessoa, para que não haja a necessidade de curvar a barriga. 
  • Sinais de infecção: febre, vazamento de líquido ou sangue no curativo e mau cheiro na cicatriz podem indicar uma infecção. Nesse caso, deve-se ir ao médico ou pronto-socorro. 

Dicas

A primeira dica é em relação à postura. Geralmente, não nos atentamos à postura, ficando com os músculos das costas, peito e abdômen muito relaxados. Manter uma boa postura quando estiver em pé, sentado e até realizando os movimentos durante uma atividade física ajuda a prevenir a diástase abdominal

Ter consciência do músculo abdominal, fazendo uma leve contração, ajuda a fortalecer a região e melhorar a postura. Contrair o abdômen pode ser desafiador, pois não é um músculo que exercitamos com frequência e, saber se estamos contraindo o músculo corretamente, é ainda mais complicado.

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Uma maneira de fazer a contração correta do músculo é forçar o abdômen, como se você estivesse tentando encostar o seu umbigo nas costas. Fazendo essa força conscientemente, você estará contraindo o músculo abdominal correto.

Durante o período de uso da cinta, não deixe o músculo do abdômen relaxado, faça o exercício de contração abdominal, para fortalecer a região. A cinta é apenas uma ajuda inicial, os seus músculos devem ser fortalecidos para que voltem a sustentar a região abdominal. 

Durante a gestação, procure por academias que ofereçam atividades físicas próprias para gestantes, como pilates, yoga e natação. 

Essas atividades realizadas com o acompanhamento de um profissional qualificado irão ajudar a fortalecer os músculos da região abdominal, fornecendo uma melhor sustentação durante o desenvolvimento do bebê. Além disso, com esses músculos mais fortes, a gestante tende a ter menos dores nas costas, pois melhora a sua postura. 

Se após a gravidez, a mulher com diástase abdominal planeja uma segunda gestação, o ideal é que se espere 2 anos, para possibilitar a recuperação completa do corpo, já que as chances de desenvolver diástase abdominal novamente são grandes.

Fontes e referências adicionais

Você tem ou teve diástase abdominal? Conseguiu tratar com exercícios e fisioterapia, ou teve que fazer cirurgia? Comente abaixo!

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