Lesões do Menisco – Tipos, Tratamento e Cirurgia

Especialista:
atualizado em 23/09/2020

Veja a seguir quais são os tipos de lesões do menisco, os tipos de tratamento cirúrgico ou não cirúrgico e, claro, antes de mais nada, entenda o que é o menisco.

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O que é o menisco?

O menisco é uma cartilagem em formato de meia lua que fica dentro do joelho, e que funciona como um “amortecedor” para a articulação.

Além disso, ajuda a “encaixar” o fêmur (osso da coxa) sobre a tíbia (osso da perna), aumentando a área de contato entre os dois ossos.

Os meniscos, desta forma, possuem um papel secundário na estabilização do joelho. Cada joelho tem dois meniscos: um na parte interna (medial) e outro na parte externa (lateral).

Em pacientes jovens, as lesões no menisco geralmente ocorrem associadas a outras lesões, principalmente às do Ligamento Cruzado Anterior.

A maior parte das lesões isoladas no meniscos, porém, ocorrem a partir dos 40 anos, quando já é esperado que haja algum grau de fragilização dos meniscos.

Tipos de lesão

As lesões nos meniscos são muito variáveis, de forma que o tratamento e o prognóstico também podem ser muito diferentes. Entre os critérios que devemos considerar na avaliação de uma lesão do menisco, incluem-se:

  1. Qual o acometido: medial ou lateral;
  2. Qual a parte do menisco que está rompida: corno anterior, corpo, corno posterior ou raiz;
  3. O “formato” da lesão: vertical, horizontal, radial, em flap, em rampa, complexa, em alça de balde;
  4. O mecanismo de lesão: traumáticas ou degenerativa;
  5. Se o menisco está extruso (deslocado para fora) ou não.

 Menisco medial X menisco lateral

A anatomia dos compartimentos medial e lateral do joelho são diferentes, da mesma forma que os meniscos medial e lateral também são diferentes:

  • O menisco lateral tem formato semicircular, enquanto o menisco medial tem formato semelhante à letra “c”.
  • Além disso, o osso do compartimento medial (no qual o menisco medial se apoia) tem formato côncavo, enquanto o lateral (onde o menisco lateral se apoia) tem formato convexo;
  • O menisco medial tem uma forte fixação na cápsula articular e no ligamento colateral medial, de forma que sua mobilidade dentro do joelho é relativamente restrita. Estudos demonstram que ele se movimento não mais do que 2 a 3mm em relação à superfície óssea. O menisco lateral, por outro lado, é mais solto, sendo capaz de mover de 9 a 11mm.

Em função destas diferenças, as lesões do menisco medial são mais comuns, porém o prognóstico das lesões do menisco lateral é pior, com maior risco de evolução para artrose.

Localização da lesão

As lesões podem acometer a raiz, o corno posterior, o corpo ou o corno anterior. Cada uma destas lesões se comporta de uma forma diferente.

Lesões em cada um destes segmentos interfere de forma específica na mobilidade e função do menisco, e o quadro clínico do paciente também será bastante variável.

Além disso, as lesões podem estar localizadas mais para a periferia ou mais para o centro do menisco. Quanto mais periférica a lesão, maior a vascularização do menisco e melhor a condição para cicatrização.

Formato da lesão

O “formato” da lesão também trás informações valiosas ao ortopedista. As lesões horizontais, lesões radiais e lesões complexas costumam estar associadas a um desgaste nos meniscos.

Lesões verticais geralmente estão associadas ao rompimento do Ligamento Cruzado Anterior, enquanto as lesões em alça de balde são altamente instáveis e costumam levar ao bloqueio do joelho.

Mecanismo de lesão

Os meniscos sofrem um processo de degeneração com o avanço da idade, ficando mais suscetível a lesões.

As lesões do menisco podem desta forma serem classificadas em traumáticas ou degenerativas:

  • Nas lesões traumáticas os pacientes apresentam dor súbita após um trauma, frequentemente associado a um estalido. Apresentam queixa pontual e conseguem indicar com o dedo o local da dor que, de forma geral, coincide com o local da lesão observada em exames de imagens. Durante testes realizados pelo médico, eles apresentam ainda dor característica. Em alguns casos, principalmente quando ocorre uma lesão denominada “alça de balde”, o fragmento deslocado do menisco pode bloquear o joelho e inviabilizar seu movimento normal;
  • As lesões degenerativas estão associadas ao desgaste que ocorre no joelho como um todo. Aos poucos, esse desgaste vai fragilizando os meniscos até que, com um esforço mínimo, eles se rompem. Muitas vezes, os pacientes apresentam diversos pequenos pontos de lesão. Nas lesões degenerativas, o paciente não sabe ao certo definir quando a dor começou e o local exato dela no joelho. Todo o joelho dói (dor difusa) e, em alguns casos, inclusive durante os testes específicos feitos pelo médico. Também é comum as radiografias apresentarem algum grau de artrose.

A maior parte das lesões, porém, ficam em um espectro intermediário, com características tanto de uma lesão traumática como de uma lesão degenerativa. O exame de ressonância magnética pode ajudar na diferenciação, uma vez que cada uma delas apresentam características sugestivas neste exame.

Avaliação do paciente com lesão do menisco

Não é incomum que lesões no menisco sejam mal avaliadas e o tratamento determinado com base apenas no laudo do exame de ressonância magnética.

Procedimentos cirúrgicos podem ser bastante desastrosos nestas situações, podendo até levar a uma piora significativa das queixas do paciente.

A avaliação do paciente com lesão do menisco deve levar em consideração não apenas os exames de imagem, mas principalmente a história clínica e os achados do exame físico.

Identificar o local exato da dor e correlacionar com o local da lesão observada no exame de ressonância magnética é fundamental, já que muitas lesões podem ocorrer de forma assintomática e serem descobertas incidentalmente ao se investigar uma dor que, no fundo, não está diretamente relacionada à lesão do menisco.

O paciente pode ter dor no joelho e um exame com uma lesão do menisco, e ainda assim a dor não ter relação direta com esta lesão.

Tratamento da lesão do menisco

Até pouco tempo atrás, os meniscos eram considerados estruturas de menor importância. Mesmo frente a pequenas lesões, era comum a retirada de todo o menisco, “para evitar problemas futuros”; hoje sabemos que os meniscos apresentam uma função primordial no joelho.

Para “evitar problemas futuros”, devemos sempre que possível preservá-los. Reconhecer todas as características da lesão como descrito acima é de fundamental importância na escolha do tratamento.

Muitas lesões, principalmente aquelas de aspecto degenerativo, podem ocorrer de forma assintomática e serem descobertas incidentalmente ao se investigar uma dor que, no fundo, não está diretamente relacionada à lesão do menisco.

A associação de artrose, lesões de cartilagem ou até mesmo fraquezas e desequilíbrios musculares é muito comum nestes pacientes e têm muito mais influência no desenvolvimento da dor do que a lesão no menisco em sí.

O tratamento cirúrgico do menisco, nestes casos pode ser bastante frustrante: a lesão é identificada durante a cirurgia, o procedimento é descrito inicialmente pela equipe médica como “bem sucedido” mas, a médio / longo prazo, a dor pode até piorar, em decorrência da perda da função do menisco, frustrando assim tanto a equipe médica como o paciente.

Tratamento não cirúrgico

Indicado em casos de lesões degenerativas ou lesões traumáticas estáveis, o tratamento não cirúrgico visa a melhora da dor no joelho, mesmo que isso aconteça sem a cicatrização dos meniscos rompidos.

No fundo, o tratamento não cirúrgico tem como foco o tratamento das causas reais da dor, que podem ser lesões de cartilagem, artrose ou sobrecarga mecânica, considerando-se a lesão de menisco como secundária no desenvolvimento dos sintomas.

De modo geral, o tratamento pode envolver o uso de medicamentos, infiltrações, fisioterapia, entre outros métodos, a serem discutidos caso a caso.

Muitos pacientes apresentam lesões com características intermediárias e pode deixar dúvidas de qual sua real contribuição para o desenvolvimento da dor que o paciente está sentindo.

Nestes casos, o médico deve iniciar o tratamento de forma não cirúrgica e avaliar a resposta do paciente. Se a dor melhorar, o tratamento poderá ser mantido. Caso contrário, o tratamento cirúrgico pode, então, ser indicado.

Tratamento cirúrgico

Usualmente, as lesões de meniscos são tratadas por meio da artroscopia. O procedimento consiste na visualização das estruturas internas do joelho, através de uma microcâmera introduzida no joelho.

Nos casos das suturas de meniscos, outros cortes podem ser feitos, dependendo da técnica utilizada.

As lesões do menisco podem ser tratadas cirurgicamente de duas formas:

  1. Ressecção da lesão (meniscectomia): neste procedimento, mais simples tecnicamente, o fragmento rompido é cortado e retirado, reduzindo o tamanho do menisco. A técnica permite um retorno mais precoce às atividades. Porém, a redução do menisco aumenta a sobrecarga sobre a cartilagem articular, elevando o risco futuro de desenvolvimento da artrose. Essa desvantagem aumenta proporcionalmente ao tamanho do fragmento a ser retirado;
  2. Sutura do menisco: nesta técnica, o local lesionado recebe pontos, com o objetivo de estabilizar e permitir a cicatrização da lesão. A sutura deve ser o procedimento a ser escolhido sempre que possível.
Fontes e referências adicionais:

Você já sofreu algum destes tipos de lesões do menisco ou conhece alguém que tenha sofrido? Que tipo de tratamento foi recomendado? Comente abaixo!

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Sobre Dr. João Hollanda

Dr. João Hollanda é médico ortopedista formado pela Santa Casa de São Paulo, com especialização em cirurgia do joelho. É também médico da Seleção Brasileira de Futebol Feminino desde 2016 e médico voluntário do Grupo de Traumatologia do Esporte da Santa Casa de São Paulo desde 2010. Tem experiência de trabalho prévio com a Confederação Brasileira de Vela, Cisne Negro Companhia de Dança, Escola de Dança do Teatro Municipal de São Paulo, Equipe de Ginástica Artística de Guarulhos. Já trabalhou como Médico nos Jogos Panamericanos Rio 2007, e foi Médico do Time Brasil para os Jogos Olímpicos Rio 2016. Trabalhou junto a organização Médicos Sem Fronteiras no Afeganistão e no Haiti, e junto a organização Expedicionários da Saúde no Haiti. Dr. João Hollanda é uma referência profissional em sua área e autor de artigos científicos. Você pode entrar em contato com o Dr. João através de seu site.

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