Linfonodos aumentados: o que são e quando podem ser câncer

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atualizado em 26/05/2022

A linfadenopatia, ou linfonodos aumentados, é quando há um aumento palpável dos linfonodos, que ficam com mais de 1 cm. 

Os linfonodos são pequenos órgãos com formato de feijão, responsáveis por filtrar a linfa, como um mecanismo de defesa do corpo contra infecções e câncer. 

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Veja o que significa linfonodos aumentados e quando podem ser um câncer.

O que são linfonodos aumentados?

linfonodos
Os linfonodos estão presentes no corpo todo

Os linfonodos estão presentes no corpo todo, alguns são mais superficiais, enquanto outros são mais profundos e ficam entre os pulmões e ao redor do intestino. Os grupos de linfonodos mais superficiais estão concentrados no pescoço, nas axilas e na virilha. Uma pessoa tem entre 500 a 600 linfonodos espalhados pelo corpo. 

Quando os linfonodos de apenas uma região ficam aumentados, a linfadenopatia é dita localizada. Quando o inchaço dos linfonodos atinge mais de duas áreas do corpo, trata-se de uma linfadenopatia generalizada

Células cancerosas, microrganismos causadores de doenças e substâncias alérgicas entram nos vasos linfáticos e passam a compor o líquido linfático ou linfa, um líquido transparente, que recebe todos os produtos do metabolismo das células. 

Os linfonodos são os locais onde o líquido linfático passa para ser filtrado, para ficar livre de qualquer substância danosa, antes de voltar com sais minerais e proteínas para a circulação sanguínea. 

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Quando as células de defesa, que estão nos linfonodos, encontram corpos estranhos, como um vírus, uma bactéria ou uma célula cancerosa, elas ativam a resposta imunológica, recrutando mais células de defesa para combater o invasor. Essa proliferação de células deixa os linfonodos aumentados

Causas comuns de linfonodos aumentados

Os linfonodos estão diretamente associados com o nosso sistema imunológico, então várias doenças e cânceres podem causar o aumento dos linfonodos:

  • Idiopática e autolimitada: quando os linfonodos estão aumentados, mas a causa não é identificada. Apesar da não identificação, ela é autolimitada, ou seja, se resolve naturalmente em um curto espaço de tempo. 
  • Infecções do trato respiratório superior: rinite e sinusite, resfriado, gripe, faringite e laringite. 
  • Infecções dos tecidos moles: vasos sanguíneos, vasos linfáticos, músculos, tecido adiposo, tendões, nervos e tecidos sinoviais. 
  • Câncer
  • Infecção pelo HIV
  • Tuberculose

A maioria dos casos de linfonodos aumentados ocorrem por infecções locais e doenças benignas, e poucos casos representam um tumor maligno, ou câncer. 

Algumas pessoas conhecem o problema de linfonodos aumentados como “íngua” e se referem, na maior parte dos casos, às ínguas que surgem no pescoço

Linfonodo
Um dos locais mais comuns de te ter linfonodos aumentados é o pescoço

Esses linfonodos costumam ficar inchados quando há uma infecção nas vias aéreas, garganta inflamada ou quando um dente está inflamado. Isso porque, os linfonodos mais próximos do local do problema são responsáveis por combater a causa, como se fosse uma medida de contenção, para impedir que o problema se espalhe. 

Outro exemplo, em casos de infecção urinária e doenças sexualmente transmissíveis, é comum que os linfonodos da virilha fiquem aumentados. 

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Feridas e infecções na pele, por causa de cortes, pelos encravados, arranhões de animais, furúnculos podem deixar os linfonodos das axilas aumentados. 

Células cancerosas de um tumor já existente podem se alojar nos linfonodos e começar a crescer ali, o que configura um processo originado de uma metástase. Ou então, uma mutação genética pode ocorrer nos linfócitos e levar ao desenvolvimento de linfoma, o câncer do sistema linfático.

A metástase ocorre quando uma célula cancerosa se solta do tumor de origem e atinge a linfa, chegando aos linfonodos. Se a célula cancerosa acessar a corrente sanguínea, ela pode se instalar em outro órgão e ali iniciar um tumor secundário. 

Tratamento dos linfonodos aumentados

O tratamento dos linfonodos aumentados é direcionado à causa. Por exemplo, se a causa é uma infecção bacteriana, o tratamento é feito com antibióticos apropriados àquela infecção. 

Quando a causa é uma escoriação na pele ou uma infecção viral, nenhum tratamento é necessário, pois o problema se resolve naturalmente. 

Se os linfonodos aumentados não se resolverem em, no máximo, 4 semanas, é necessário avaliar o problema com uma biópsia. 

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Sinais e sintomas de alerta

Linfonodo
O ideal é que você procure ajuda médica para avaliação e diagnóstico

Ter linfonodos aumentados, em geral, não é um caso de emergência médica. Mas, existem alguns sinais e sintomas que sinalizam a necessidade de procurar ajuda médica, para uma avaliação do caso: 

  • Linfonodos muito aumentados, com mais de 2,5 cm, palpáveis ou perceptíveis na pele. 
  • Linfonodos que expelem pus
  • Linfonodos endurecidos
  • Febre 
  • Perda de peso não intencional
  • Sinais de infecção: sensibilidade, rubor e calor. 

Nesses casos, podem ser necessários alguns exames e testes para tentar descobrir a causa dos linfonodos aumentados e tratar. 

Quando os linfonodos aumentados podem ser câncer

Os sinais e sintomas que podem indicar que os linfonodos estão aumentados por causa de um câncer são:

  • Linfonodos endurecidos
  • Linfonodos muito aumentados
  • Linfonodos sem mobilidade, quando empurrados
  • Linfonodos com superfície irregular
  • Ausência de dor ao tocar nos linfonodos aumentados
  • Febre noturna e suor
  • Duração superior a 4 semanas

Quando há suspeita de câncer ou linfoma, o médico ou médica faz uma biópsia por agulha do linfonodo aumentado.

Se a linfadenopatia for generalizada, quando mais de dois linfonodos estão aumentados, e não se curarem em 3 a 4 semanas, também é feita uma biópsia, para investigação de câncer. 

Na presença de um tumor, é feita uma cirurgia para a sua retirada, juntamente com os linfonodos próximos. Em alguns casos, muitos linfonodos precisam ser removidos.

Quando o câncer está muito espalhado para linfonodos distantes do tumor de origem, as chances de recidiva após a cirurgia são maiores, por isso o tratamento pode ser complementado com quimioterapia, radioterapia, imunoterapia ou terapia alvo. 

Fontes e referências adicionais

Você já conhecia esses pequenos órgãos chamados linfonodos? Em que situação você observou que os seus linfonodos ficaram ou ficam aumentados? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco é Cirurgião do aparelho digestivo, Cirurgião geral - CRM 597798 RJ/ CBCD. Formou-se em Medicina pela UFRJ em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento em transplantes no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela UFRJ em 2010. Dr. Lucio Pacheco é autor de diversos livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico-cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D'Or e do Hospital Copa D'Or. Além disso é diretor médico do Instituto de Transplantes. Suas áreas de atuação principais são: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia, e transplante de fígado. Para mais informações, entre em contato.

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