Queloide na Orelha – O Que é e Como Tratar

Principalmente depois de colocar brincos ou piercings, algumas pessoas podem desenvolver queloide na orelha. Apesar de ser comum, nem todos sabem o que é ou como tratar. Descubra a seguir o que exatamente é um queloide ou como tratar a condição.

Quer saber com detalhes quais são as formas de lidar com o queloide seja por meio de medicamentos, tratamentos caseiros, intervenções cirúrgicas ou até mesmo uma combinação de duas ou mais técnicas? Pode rolar a página para encontrar todas essas informações e dicas de prevenção que evitam que novos queloides apareçam.

Em determinados casos, a dor do queloide pode ser forte e bem incômoda. Sendo assim, é sempre bom estar preparado e buscar possíveis soluções para essa dor sempre que possível. Não deixe de conferir os 14 poderosos alimentos anti-inflamatórios e os 10 chás anti-inflamatórios que são rápidos e fáceis de preparar.

Queloide – O Que é

O queloide é uma cicatriz que acaba crescendo mais do que uma cicatriz normal. Em um queloide, o tecido cicatricial vai aumentando de tamanho ao longo do tempo e dá a pessoa a sensação de que o trauma nunca é cicatrizado.

Um queloide acontece quando o corpo reconhece uma lesão como algo mais grave do que realmente é. É como se o corpo apresentasse uma resposta exagerada de cura, criando uma cicatriz maior do que seria necessário.

À medida que a ferida vai cicatrizando, o tecido fibroso substitui a pele antiga para que a lesão seja curada. No entanto, pessoas propensas a desenvolver queloides produzem tecido cicatricial em excesso. Nesses casos, a cicatriz vai se espalhando, causando uma protuberância maior do que a lesão inicial no local.

Características que permitem distinguir os queloides de outras lesões cicatriciais é que os queloides podem variar de tons de rosa claro a marrom escuro, que eles podem ser grossos e que eles tendem a aumentar de tamanho conforme o tempo vai passando.

Queloide na Orelha

Na orelha, os queloides geralmente surgem depois de furar o local. Embora furar a orelha seja algo simples, algumas pessoas podem desenvolver queloides no local.

Quando a orelha é perfurada, a resposta normal do organismo é tentar curar aquela lesão. É por isso que quando furamos a orelha para colocar um brinco ou um piercing, por exemplo, é importante manter o brinco no furo por várias semanas. Se isso não for feito, provavelmente o organismo vai curar a “ferida” e fechar o buraco.

Pessoas que desenvolvem queloides na orelha geralmente apresentam pequena protuberâncias em formato redondo ao redor da perfuração. Elas podem surgir logo depois do furo ser feito ou apenas vários meses depois. Da mesma forma, o crescimento do queloide pode ser muito lento.

Além de queloide na cartilagem da orelha causada por brinco ou piercing, outros tipos de lesões que podem causar queloides são:

  • Cicatrizes de acne;
  • Marcas de catapora;
  • Picadas de inseto;
  • Tatuagens;
  • Cicatrizes de cirurgias.

Se mesmo com a descrição acima você ainda está em dúvida do que é um queloide, veja abaixo algumas fotos de queloide na orelha.

As imagens mostradas acima são casos mais graves de queloide. O início de queloide na orelha pode ser mais suave e demorar para chegar nesse estado. Nas imagens abaixo, é possível observar como um queloide pode parecer quando está se formando na pele da orelha.

Fatores de Risco

Embora seja comum o desenvolvimento de queloides na orelha, não é todo mundo que desenvolve queloides. Alguns fatores que contribuem para o surgimento de um queloide são:

  • Cor da pele: de acordo com uma publicação de 2009 do periódico American Family Physician, pessoas com pele mais escura apresentam de 15 a 20 vezes mais risco de ter um queloide;
  • Idade: estimativas do mesmo estudo citado acima mostram que queloides são mais comuns em pessoas com menos de 30 anos de idade;
  • Genética: pessoas que tem parentes próximos com queloides podem ter uma chance maior de também sofrer da mesma condição.

Apesar de não representar nenhum risco à saúde, o queloide pode prejudicar a autoestima das pessoas. Principalmente quando a lesão surge em um local visível como a orelha.

Assim, vamos mostrar quais são as formas de tratar um queloide na orelha e o que esperar de cada tipo de tratamento disponível.

Como Tratar

Existem diversas maneiras de tratar um queloide, mas nenhuma delas é 100% eficaz. O queloide é muito difícil de tratar e o maior desafio dos médicos não é remover o queloide, mas sim garantir que ele não volte, o que é bastante comum.

Vamos ver então quais são as opções que uma pessoa com queloide na orelha tem e como elas funcionam.

Remoção cirúrgica

A cirurgia de queloide na orelha pode ser recomendada em casos em que o queloide é muito grande e causa grande desconforto.

Para ser efetiva, depois da cirurgia o paciente deve seguir as recomendações médicas e se submeter a tratamentos complementares como o uso de brincos de pressão, a exposição à terapia de radiação, o uso de adesivos de silicone ou injeções de corticosteroides, por exemplo.

– Cirurgia

A remoção cirúrgica de um queloide se dá com um bisturi, o que leva à criação de uma nova ferida no local.

Como pessoas com queloides são muito sensíveis a desenvolver o problema novamente, é preciso combinar a cirurgia com outro tipo de tratamento para evitar que o queloide se instale novamente naquele lugar e, claro, seguir todos os cuidados pós-cirúrgicos relacionados à higiene.

– Brincos de pressão

Depois de uma cirurgia de queloide da orelha, o uso de brincos de pressão pode ser recomendado para exercer uma pressão uniforme no local, impedindo a formação de um novo queloide na orelha.

Esse brinco deve ser usado por ao menos 16 horas por dia durante um período que varia de 6 a 12 meses.

– Radiação

A terapia com radiação normalmente é parte do tratamento cirúrgico. No fim da cirurgia de remoção, a região do queloide é exposta a doses controladas de radiação para evitar que outro queloide se forme no mesmo local durante a cicatrização.

Remoção não cirúrgica

As opções de tratamento abaixo não envolvem cirurgias e são bem menos invasivas do que qualquer procedimento cirúrgico. Elas não promovem a remoção completa do queloide, mas costumam suavizar de forma significativa a aparência do queloide e diminuem o seu tamanho.

– Injeções de esteroides

Os esteroides ajudam a diminuir a inflamação, causando o encolhimento do queloide. O corticosteroide é o tipo de esteroide mais usado nesses casos.

Geralmente, uma média de 4 injeções são aplicadas ao longo do tratamento. O paciente deve ir até o dermatologista a cada 3 ou 4 semanas para a aplicação do esteroide diretamente no queloide.

De acordo com a American Academy of Dermatology (AAD), a taxa de sucesso dessa técnica varia de 50 a 80% dos casos. Apesar de o queloide ser reduzido de forma significativa com as injeções de corticosteroides, os especialistas observam uma reincidência do queloide dentro de 5 anos.

Por isso, é importante combinar as injeções com outro tipo de terapia para potencializar os resultados e também adotar medidas preventivas para evitar que o queloide volte.

Uma revisão de 2009 publicada na revista American Family Physician sugere que o uso de esteroides é mais eficaz no tratamento de queloides recentes ou quando combinada com remoção cirúrgica ou crioterapia.

– Crioterapia

A crioterapia é uma técnica de congelamento temporário. No caso dos queloides, os tecidos ao redor da ferida são congelados com o uso de um dispositivo específico. Algumas pessoas podem sentir dor intensa, mas geralmente o procedimento é bem tolerado.

Uma pesquisa publicada no Journal of Cutaneous and Aesthetic Surgery em 2012 indica que a crioterapia pode diminuir o tamanho dos queloides em até 50% depois de várias sessões.

São necessárias pelo menos 3 ou mais sessões de tratamento e a crioterapia funciona melhor quando combinada com outros tipos de tratamentos, como a injeção de esteroides, por exemplo, que pode ocorrer antes ou depois da crioterapia de acordo com a recomendação de um dermatologista.

Apesar de trazer bons resultados, a crioterapia é mais eficaz em queloides com menos de 3 anos de existência.

– Ligadura de compressão

Trata-se de uma técnica em que um fio cirúrgico é amarrado em torno da base do queloide. Com o passar do tempo, esse fio corta o queloide aos poucos e faz com que ele caia.

É preciso amarrar um novo fio a cada 3 ou 4 semanas até que o queloide seja removido. Nessa técnica, você não arranca o queloide de uma vez e vai suavemente removendo a cicatriz, o que pode ser uma boa estratégia para queloides grandes difíceis de tratar.

– Tratamento a laser

Tratamentos a laser podem ajudar a diminuir o tamanho e a desbotar a cor dos queloides. Mas em geral, a terapia a laser só funciona como um complemento a outra técnica e nunca deve ser a única abordagem para remoção de queloides.

– Retinoides

O retinoide é um ótimo creme ou pomada para queloide na orelha. Uma pesquisa de 2010 publicada no Journal of Clinical and Aesthetic Dermatology mostrou que produtos contendo retinoides podem reduzir o tamanho de um queloide e amenizar sintomas como a coceira na pele.

Cremes e pomadas contendo tretinoína ou isotretinoína podem ser aplicados na pele para acelerar a renovação celular da pele, contribuindo para melhorar a aparência de um queloide.

– Imiquimod

Trata-se de um quimioterápico de uso tópico muito usado para tratar tumores na pele. Segundo um estudo de 2017 publicado no Journal of Oral and Maxillofacial Surgery, essa substância pode diminuir o risco de um queloide voltar depois da sua remoção, mas seu uso deve ser criteriosamente indicado por um médico.

Tratamento Caseiro

Se você quer saber como tirar seu queloide em casa, saiba que isso pode ser perigoso e até piorar a situação. O que sabemos até agora sobre tratamentos caseiros é que os géis de silicone são as melhores opções e que alguns outros estão sendo estudados.

– Gel de silicone

Géis de silicone podem ser bons aliados no tratamento de queloides e podem inclusive ser recomendados por dermatologistas.

Segundo uma pesquisa publicada em 2015 no periódico científico Advances in Wound Care, estudos clínicos mostram que o gel de silicone pode melhorar a textura e desbotar a cor das cicatrizes. De fato, um estudo mostrou que 34% dos queloides ficaram mais achatados depois da aplicação diária de um gel de silicone.

Estudos mais recentes – como o publicado em 2017 no International Journal of Molecular Sciences – mostram que o gel de silicone também pode prevenir a formação de queloides e podem ser úteis para uso pós-cirúrgico em pessoas propensas a queloides, por exemplo.

O gel de silicone também apresenta baixo risco de efeito colateral e é muito simples de usar.

– Cremes ou pomadas

Uma revisão científica publicada em 2012 no International Journal of Cosmetic Science mostrou que alguns produtos para a pele contendo lanolina ou petrolato em sua composição podem ser eficazes no tratamento de cicatrizes.

Segundo o estudo, eles são mais eficientes se usados regularmente para cobrir todo o queloide, especialmente no início da cicatriz.

– Extrato de alho

Um estudo de 2011 publicado na revista Dermatology Reports levantou a hipótese de que o extrato de alho pode ter um potencial para tratar queloides. Mas ainda não existem análises mais detalhadas que comprovem esse benefício.

– Extrato de cebola

Uma pesquisa publicada em 2012 no periódico científico Dermatology Research and Practice indica que um gel feito a partir do extrato de cebola foi capaz de diminuir o tamanho e suavizar os sintomas de cicatrizes elevadas como os queloides.

Como Evitar um Novo Queloide?

Além de serem difíceis de tratar, pessoas que já tiveram um queloide tem um risco alto de desenvolver um queloide novamente. As dicas abaixo podem ajudar a evitar que um novo queloide apareça:

  • Colocar imediatamente um adesivo ou gel de silicone ao sofrer qualquer tipo de lesão na orelha;
  • Evitar furar a orelha ou colocar piercings na região e também em outros locais do corpo;
  • Manter eventuais feridas na orelha sempre limpas e secas para diminuir o risco de cicatrizes;
  • Pedir para o dermatologista realizar um teste em uma área pouco vista do corpo antes de fazer piercings, tatuagens ou se submeter a procedimentos estéticos se alguém da sua família apresentar queloides;
  • Sempre informe seu cirurgião se você é propenso a desenvolver queloides, pois na necessidade de uma cirurgia ele pode optar por técnicas especiais para diminuir o risco de um queloide;
  • Ao sentir a pele ao redor de um piercing ou de um brinco começar a engrossar, remova o brinco;
  • Uma pesquisa de 2015 do Australasian Journal of Dermatology mostrou que a formação de queloides depois de colocar um piercing ou brinco pode ter a ver com o metal dessas joias. Por isso, eles sugerem usar brincos que não sejam metálicos pois eles podem diminuir o risco de um queloide surgir.

Não existe nenhum tratamento infalível para tirar queloides. Assim, os ingredientes principais durante o tratamento são paciência e cautela.

Tratamentos combinados geralmente surtem um melhor efeito no tratamento de queloides, mas é sempre bom contar com o auxílio de um bom dermatologista que pode não só te ajudar a tirar o queloide como a evitar novas experiencias ruins com esse tipo de cicatriz.

Não poder fazer um piercing ou usar um brinco pode ser chato no início, mas hoje existem vários brincos e piercings de pressão que podem ser usados sem colocar a sua orelha em risco de desenvolver um queloide que pode ser bem complicado de se livrar.

Referências Adicionais:

Você já teve um queloide na orelha? Que tipo de tratamento foi recomendado pelo médico? Comente abaixo!

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