Queloide na Orelha – O Que é e Como Tratar

Especialista:
atualizado em 20/07/2020

Apesar de ser comum, nem todos sabem o que é. Descubra o que exatamente é um queloide na orelha e como tratar a condição.

Um queloide é uma cicatriz que cresce mais que uma cicatriz normal e pode gerar uma dor do forte e incômoda Ele acontece quando o corpo reconhece uma lesão como algo mais grave do que realmente é: é como se o corpo apresentasse uma resposta exagerada de cura, criando uma cicatriz maior do que o necessário.

À medida que a ferida vai cicatrizando, o tecido fibroso substitui a pele antiga para que a lesão seja curada. No entanto, pessoas propensas a desenvolver queloides produzem tecido cicatricial em excesso. Nesses casos, a cicatriz vai se espalhando, causando uma protuberância maior do que a lesão inicial no local.

Características que permitem distinguir os queloides de outras lesões cicatriciais são: os queloides podem variar de tons de rosa claro a marrom escuro, podem ser grossos e tendem a aumentar de tamanho conforme o passar do tempo.

Queloide na orelha

Na orelha, os queloides geralmente surgem depois de furar o local. Quando a orelha é perfurada, a resposta normal do organismo é tentar curar aquela lesão. É por isso que quando furamos a orelha para colocar um brinco ou um piercing, por exemplo, é importante manter o brinco no furo por várias semanas. Se isso não for feito, provavelmente o organismo vai curar a ferida e fechar o buraco.

Pessoas que desenvolvem queloides na orelha geralmente apresentam pequenas protuberâncias em formato redondo ao redor da perfuração. Elas podem surgir logo depois do furo ser feito ou apenas vários meses depois. Da mesma forma, o crescimento do queloide pode ser muito lento.

Além de queloide na cartilagem da orelha causada por brinco ou piercing, outros tipos de lesões que podem causar queloides são:

  • Cicatrizes de acne;
  • Marcas de catapora;
  • Picadas de inseto;
  • Tatuagens;
  • Cicatrizes de cirurgias.

Se mesmo com a descrição acima você ainda está em dúvida do que é um queloide, veja abaixo algumas fotos de queloide na orelha.

As imagens mostradas acima são casos mais graves de queloide. O início de queloide na orelha pode ser mais suave e demorar para chegar nesse estado. Nas imagens abaixo, é possível observar como um queloide pode parecer quando está se formando na pele da orelha.

Fatores de risco

Embora seja comum o desenvolvimento de queloides na orelha, não é todo mundo que desenvolve queloides. Alguns fatores que contribuem para o surgimento são:

  • Cor da pele: de acordo com uma publicação de 2009 do periódico American Family Physician, pessoas com pele mais escura apresentam de 15 a 20 vezes mais risco de ter um queloide;
  • Idade: estimativas do mesmo estudo citado acima mostram que queloides são mais comuns em pessoas com menos de 30 anos de idade;
  • Genética: pessoas que tem parentes próximos com queloides podem ter uma chance maior de também sofrer da mesma condição.

Como tratar

Existem várias formas de tratar um queloide, mas nenhuma delas é 100% eficaz. O queloide é muito difícil de tratar e o maior desafio dos médicos não é remover o queloide, mas sim garantir que ele não volte, o que é bastante comum. Conheça abaixo as opções de tratamento contra um queloide na orelha:

Remoção cirúrgica

A remoção cirúrgica do queloide na orelha pode envolver as seguintes etapas:

– Cirurgia

A remoção cirúrgica de um queloide se dá com um bisturi, o que leva à criação de uma nova ferida no local. Como pessoas com queloides são muito sensíveis a desenvolver o problema novamente, é preciso combinar a cirurgia com outro tipo de tratamento para evitar que o queloide se instale novamente naquele lugar e, claro, seguir todos os cuidados pós-cirúrgicos relacionados à higiene.

– Brincos de pressão

Após uma cirurgia de queloide da orelha, o uso de brincos de pressão pode ser recomendado para exercer uma pressão uniforme no local, impedindo a formação de um novo queloide na orelha. Esse brinco deve ser usado por ao menos 16 horas por dia durante um período que varia de seis a 12 meses, sempre conforme as instruções do médico responsável pelo tratamento.

– Radiação

A terapia com radiação também costuma ser parte do tratamento cirúrgico. No fim da cirurgia de remoção, a região do queloide é exposta a doses controladas de radiação para evitar que outro queloide se forme no mesmo local durante a cicatrização.

Remoção não cirúrgica

As opções de tratamento abaixo são bem menos invasivas que os procedimentos cirúrgicos. Mas, elas não promovem a remoção completa do queloide, embora costumem suavizar de forma significativa a aparência do queloide e diminuir o seu tamanho:

– Injeções de esteroides

Eles ajudam a diminuir a inflamação, causando o encolhimento do queloide. O corticosteroide é o tipo de esteroide mais usado nesses casos. Segundo a American Academy of Dermatology, a taxa de sucesso da técnica varia de 50% a 80% dos casos. Apesar de o queloide ser reduzido de forma significativa com as injeções de corticosteroides, os especialistas observam uma reincidência do problema em cinco anos.

Assim, é importante combinar as injeções com outro tipo de terapia para potencializar os resultados e adotar medidas preventivas para evitar que o queloide volte. Uma revisão de 2009 publicada na revista American Family Physician sugere que o uso de esteroides é mais eficaz no tratamento de queloides recentes ou quando combinada com remoção cirúrgica ou crioterapia.

– Crioterapia

É uma técnica de congelamento temporário: no caso dos queloides, os tecidos ao redor da ferida são congelados com o uso de um dispositivo. Alguns podem sentir dor intensa, mas geralmente o procedimento é bem tolerado. Uma pesquisa publicada novJournal of Cutaneous and Aesthetic Surgeryvem 2012 indicou que a crioterapia pode diminuir o tamanho dos queloides em até 50% depois de várias sessões.

São necessárias ao menos três ou mais sessões e a crioterapia funciona melhor quando combinada com outros tipos de tratamentos, como a injeção de esteroides, que pode ocorrer antes ou depois da crioterapia de acordo com a recomendação de um dermatologista. A crioterapia é mais eficaz em queloides com menos de três anos de existência.

– Ligadura de compressão

Nesta técnica, um fio cirúrgico é amarrado em torno da base do queloide. Com o passar do tempo, esse fio corta o queloide aos poucos e faz com que ele caia. É preciso amarrar um novo fio a cada três ou quatro semanas até que o queloide seja removido. Na ligadura de compressão, o queloide não é arrancado de uma vez: a cicatriz é suavemente removida, o que pode ser uma boa estratégia para queloides grandes difíceis de tratar.

– Tratamento a laser

Eles podem ajudar a diminuir o tamanho e a desbotar a cor dos queloides. Mas em geral, a terapia a laser só funciona como um complemento a outra técnica e nunca deve ser a única abordagem para remoção de queloides.

– Retinoides

Uma pesquisa de 2010 publicada no Journal of Clinical and Aesthetic Dermatology mostrou que produtos contendo retinoides podem reduzir o tamanho de um queloide e amenizar sintomas como a coceira na pele.

Cremes e pomadas com tretinoína ou isotretinoína podem ser aplicados na pele para acelerar a renovação celular da pele, contribuindo para melhorar a aparência de um queloide.

– Imiquimod

É um quimioterápico de uso tópico muito usado para tratar tumores na pele. Segundo um estudo de 2017 publicado no Journal of Oral and Maxillofacial Surgery, a substância pode diminuir o risco de um queloide voltar depois da sua remoção, mas seu uso deve ser criteriosamente indicado por um médico.

Tratamento caseiros

Se você quer saber como tirar seu queloide em casa, saiba que isso pode ser perigoso e até piorar a situação. O que sabemos até agora sobre tratamentos caseiros é que os géis de silicone aparentam ser boas opções e que outros métodos estão sendo estudados:

– Gel de silicone

Segundo uma pesquisa publicada em 2015 no periódico científico Advances in Wound Care, estudos clínicos indicaram que o gel de silicone pode melhorar a textura e desbotar a cor das cicatrizes. Um estudo apontou que 34% dos queloides ficaram mais achatados depois da aplicação diária de um gel de silicone.

Estudos mais recentes, como um publicado em 2017 no International Journal of Molecular Sciences, apontaram que o gel de silicone também pode prevenir a formação de queloides e pode ser útil para uso pós-cirúrgico em pessoas propensas a queloides. O gel de silicone apresenta baixo risco de efeito colateral e é simples de usar.

– Cremes ou pomadas

Uma revisão científica publicada em 2012 no International Journal of Cosmetic Science apontou que produtos para a pele com lanolina ou petrolato em sua composição podem ser eficazes no tratamento de cicatrizes. Segundo o estudo, eles são mais eficientes se usados regularmente para cobrir todo o queloide, especialmente no início da cicatriz.

– Extrato de alho

Um estudo de 2011 publicado na revista Dermatology Reports levantou a hipótese de que o extrato de alho pode ter um potencial para tratar queloides. Mas ainda não existem análises mais detalhadas que comprovem esse benefício.

– Extrato de cebola

Uma pesquisa publicada em 2012 no periódico científico Dermatology Research and Practice indica que um gel feito a partir do extrato de cebola foi capaz de diminuir o tamanho e suavizar os sintomas de cicatrizes elevadas como os queloides.

Como evitar um novo queloide?

Além de serem difíceis de tratar, pessoas que já tiveram um queloide tem um risco alto de desenvolver um queloide novamente. As dicas abaixo podem ajudar a evitar que um novo queloide apareça:

  1. Colocar imediatamente um adesivo ou gel de silicone ao sofrer qualquer tipo de lesão na orelha;
  2. Evitar furar a orelha ou colocar piercings na região e também em outros locais do corpo;
  3. Manter eventuais feridas na orelha sempre limpas e secas para diminuir o risco de cicatrizes;
  4. Pedir para o dermatologista realizar um teste em uma área pouco vista do corpo antes de fazer piercings, tatuagens ou se submeter a procedimentos estéticos se alguém da sua família apresentar queloides;
  5. Sempre informe seu cirurgião se você é propenso a desenvolver queloides, pois na necessidade de uma cirurgia ele pode optar por técnicas especiais para diminuir o risco de um queloide;
  6. Ao sentir a pele ao redor de um piercing ou de um brinco começar a engrossar, remova o brinco;
  7. Uma pesquisa de 2015 do Australasian Journal of Dermatology mostrou que a formação de queloides depois de colocar um piercing ou brinco pode ter a ver com o metal dessas joias. Por isso, eles sugerem usar brincos que não sejam metálicos pois eles podem diminuir o risco de um queloide surgir.

Não existe nenhum tratamento infalível para tirar queloides. Assim, os ingredientes principais durante o tratamento são paciência e cautela.

Fontes e Referências Adicionais:

Você já teve um queloide na orelha? Que tipo de tratamento foi recomendado pelo médico? Comente abaixo!

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Sobre Dra. Helena Reich

Dra. Helena Reich Camasmie é médica dermatologista, formada pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Residências em Dermatologia e Hansenologia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Atualmente, cursando mestrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Professora do curso de pós-graduação em dermatologia da Policlínica Geral do Rio de Janeiro (PGRJ), possui título de especialista em Dermatologia e é membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Conta com 5 capítulos publicados em renomados livros da área de dermatologia e 8 artigos publicados nos últimos 5 anos em revistas indexadas. Atua nas áreas de dermatologia clínica, cirúrgica e estética. Para mais informações, entre em contato com ela no seu Instagram (@helenadermato).

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