Cirurgia de Pterígio – Antes e Depois, Preço, Riscos, Recuperação e Cuidados

Especialista:
atualizado em 16/01/2020

O pterígio é uma doença ocular que afeta muitas pessoas. Trata-se de um crescimento anormal de tecido rosado e carnudo no canto dos olhos. Na maioria dos casos, a doença causa vermelhidão excessiva, irritação e dor nos olhos. Em alguns deles, o pterígio pode ser mais grave e causar perda de visão e cicatrizes na região.

Alguns oftalmologistas sugerem a remoção cirúrgica desse tecido para evitar problemas de visão e outras complicações.

Aqui vamos falar sobre como funciona a cirurgia de pterígio, como é o processo de recuperação, quais são os benefícios e os riscos do procedimento e tirar todas as suas dúvidas sobre esse assunto.

Pterígio

O pterígio, conhecido também como olho de surfista, é uma doença que afeta os olhos e é caracterizada pelo crescimento de um tecido carnudo benigno na parte branca do olho. A menção ao olho de surfista tem a ver com o fato de os surfistas passarem muito tempo ao ar livre em climas ensolarados. Essa exposição excessiva ao sol e ao mar pode causar irritação e inflamação nos olhos, o que facilita o desenvolvimento do pterígio, causando coceira, sensação de ardência e vermelhidão.

Geralmente, o tecido é rosado ou avermelhado e surge na parte mais interna do olho, próxima ao nariz. A lesão cresce lentamente se expandindo através da córnea ao longo da vida. Em algumas pessoas, o tecido pode parar de crescer em um certo momento, enquanto que, em casos raros, o pterígio pode crescer tanto que pode até cobrir a pupila do olho e interferir diretamente na visão.

Em grande parte dos casos, o problema causa um certo desconforto, mas não representa um risco grave à saúde. No entanto, quando o pterígio cresce demais, podem ocorrer problemas sérios de visão. Nestes casos, a cirurgia de pterígio pode ser necessária.

Sintomas

Os sintomas de pterígio são muito fáceis de identificar e incluem:

  • Vermelhidão;
  • Inflamação;
  • Irritação;
  • Comichão ou coceira;
  • Visão embaçada;
  • Queimação;
  • Sensação de ter um corpo estranho no olho.

Quando o pterígio cresce acima da média, o tecido rosado pode distorcer o formato original da córnea, causando astigmatismo ou cicatrizes na córnea.

Pessoas que usam lentes de contato podem ter dificuldades para continuar usando devido ao desconforto causado pelo pterígio.

Causas

As causas do pterígio não são conhecidas, mas os especialistas acreditam que o seu desenvolvimento tem relação com a exposição excessiva ao vento, à luz ultravioleta do sol e à areia. Por esse motivo, o pterígio é mais comum na população que mora em climas ensolarados e com praia, mas nada impede que o problema atinja também pessoas de outras regiões.

A doença atinge mais adultos entre 20 e 40 anos e é mais comum nos homens do que nas mulheres. Além disso, há evidências de que pessoas que se expõem mais frequentemente ao pólen, à fumaça, à areia e ao vento têm um maior risco de desenvolver a doença.

Como diagnosticar

Além do exame físico em que o oftalmologista deve verificar os sintomas, exames adicionais podem ser solicitados, como:

  • Teste de acuidade visual: consiste na leitura de algumas cartas com apenas um olho de cada vez;
  • Topografia da córnea: exame que serve para mapear e medir alterações na curvatura das córneas;
  • Documentação fotográfica: caso você tenha tirado fotos do progresso do pterígio, pode ser interessante mostrar esses registros para o oftalmologista para ele ter uma ideia de como a doença está progredindo.

Tratamentos disponíveis

Quando os sintomas são leves, o pterígio geralmente não precisa de tratamento. No entanto, quando a irritação e a vermelhidão no olho forem muito fortes, pode ser preciso intervir com medicamentos e colírios especiais.

O pterígio não dói, mas pode causar um grande desconforto. Para amenizar os sintomas, o médico oftalmologista pode indicar o uso de colírios lubrificantes ou esteroides em doses baixas para aumentar a lubrificação dos olhos e tratar a irritação e inflamação.

Se esses tratamentos não forem suficientes para aliviar a condição e o pterígio continuar progredindo e causando muito desconforto ou interferindo na qualidade da visão, será necessário realizar uma intervenção cirúrgica.

Cirurgia de pterígio

As primeiras cirurgias de pterígio que foram feitas consistiam apenas na remoção do tecido anormal do olho e na espera pela cicatrização no local. O problema é que através dessa abordagem, a taxa de reincidência do pterígio era de até 50%. Ou seja, em metade dos casos o problema não era resolvido.

Com o passar do tempo e o desenvolvimento de novas técnicas, as chances de o pterígio voltar foram drasticamente reduzidas. Para evitar que o pterígio volte, o ideal é substituí-lo por um tecido saudável. Além disso, técnicas envolvendo radiação e uso de medicamentos antimetabólicos podem ser adotadas para inibir o crescimento de um novo tecido carnudo.

O procedimento

Atualmente, a cirurgia de pterígio é feita com o paciente sob o efeito de anestesia local por meio de técnicas seguras que reduzem o risco de recorrência da doença. O pterígio é geralmente removido por uma técnica de raspagem do tecido em excesso e um enxerto é colocado no local para diminuir as taxas de recorrência. Se essa etapa não for feita, ficará um espaço vazio em que um novo pterígio pode surgir após a cirurgia.

Tipos de enxerto

O enxerto pode ser composto por tecidos saudáveis como um pedaço de membrana amniótica ou por uma porção da conjuntiva, a membrana mucosa que reveste o olho e fica abaixo da pálpebra e que pode ser colhida e transferida para outra parte do olho.

O uso da membrana mucosa é chamado de autoenxerto, já que a pálpebra do próprio paciente é utilizada. Já no caso da membrana amniótica, o doador da membrana é outra pessoa, já que esse material é derivado da placenta e só pode ser usado através de doações de mães que passam por um checkup e concordam em disponibilizar esse material para fins médicos.

A membrana amniótica tem a vantagem de ser um material com propriedades anti-inflamatórias e cicatrizantes naturais. Já a membrana conjuntiva tem a vantagem de ser do paciente e por isso apresentar um menor risco de rejeição.

Esses enxertos são colocados no local do pterígio por meio de sutura ou cola. A cola promove um resultado estético melhor e é mais confortável do que as suturas.

Duração da cirurgia de pterígio e pós-operatório

O procedimento é rápido e costuma durar uma média de 30 minutos. O olho precisa ficar com um curativo durante a primeira noite. Após remover o curativo, é necessário aplicar algumas gotas (seguindo orientações médicas) de colírios antibióticos e anti-inflamatórios durante uma semana. Colírios contendo esteroides em sua composição também são usados por 1 a 2 meses após a cirurgia.

Riscos

Toda cirurgia tem seus benefícios e também seus riscos. A cirurgia de pterígio é um procedimento relativamente rápido e simples que não costuma causar complicações se feita por um bom profissional. No entanto, após a recuperação, pode ser que seu olho fique seco e irritado. Além disso, há uma chance de o pterígio voltar a crescer mesmo após o procedimento.

Em alguns casos, o procedimento pode causar cicatrizes conjuntivais ou na região da córnea onde o pterígio estava.

Outros riscos podem incluir uma visão dupla ou embaçada por algumas semanas. Em alguns casos, o problema pode ser persistente, necessitando de correção com óculos ou lentes de contato. Infecções e descolamento do enxerto podem ocorrer quando as instruções do pós-operatório não são seguidas à risca. Também pode acontecer uma pequena mudança no formato do olho e o caimento da pálpebra. A rejeição do enxerto também é possível, mas é muito rara.

Em casos como esses, é essencial marcar uma consulta com o cirurgião que executou o procedimento para sugerir o que precisa ser feito.

Preço

É muito difícil saber quanto custa uma cirurgia de pterígio, pois isso vai depender da gravidade de cada caso e da técnica que será utilizada. Em geral, a cirurgia pode variar de 500 até 3.000 mil reais, dependendo do profissional que irá realizar o procedimento, do tipo de anestésico e da técnica usada na cirurgia.

O indicado é procurar um oftalmologista para avaliar cada caso de modo específico. Só assim será possível saber realmente qual será o valor do procedimento.

Em casos em que o pterígio prejudica a visão, é bem provável que convênios médicos cubram os custos da cirurgia.

Recuperação e cuidados

Após a cirurgia de pterígio, será recomendado que você fique ao menos uma semana de folga para uma boa recuperação. Além de usar os colírios e medicamentos indicados pelo médico, é importante tomar alguns cuidados extras como:

  • Usar um tapa-olho ou um curativo durante as primeiras 24 horas ou pelo tempo que seu médico solicitar;
  • Aplicar o colírio ou pomada prescrita nos horários corretos;
  • Não esfregar o olho em hipótese alguma para que o enxerto não seja desalojado e para evitar infecções;
  • Não lavar o rosto em água corrente ou no chuveiro para evitar problemas de cicatrização.

Também será importante se acostumar com alguns sintomas esquisitos que podem surgir durante a recuperação, como sensibilidade, secreção de fluidos, cor amarelada ou presença de cicatriz nos olhos.

No pós-operatório, pode ser que você sinta um pouco de dor. Nesses casos, um analgésico como o paracetamol pode ajudar e em poucos dias você não sentirá dor nem desconforto nos olhos.

Pode ser que seu olho fique vermelho ou que você fique com a visão embaçada por algumas semanas. Isso é normal. A vermelhidão vai desaparecer com o passar do tempo e pode ser que você precise usar óculos para corrigir a visão embaçada se isso não melhorar devido à leve alteração que pode ocorrer no formato do olho.

Antes e depois

Em geral, principalmente os procedimentos envolvendo o uso de enxertos conjuntivais, o procedimento é eficiente e seguro com baixo risco de complicações.

Nas imagens a seguir, é possível observar que os resultados são satisfatórios e que o pterígio normalmente é removido com grande sucesso e sem efeitos colaterais nos olhos.

Dicas de prevenção

Ainda que a causa exata do pterígio não seja bem definida, é possível evitá-lo ou a sua recorrência através de simples medidas como:

  • Evitar exposição excessiva dos olhos contra o vento e o sol;
  • Usar óculos escuros com proteção ultravioleta e chapéus com abas em dias ensolaradas e com ventos constantes;
  • Evitar contato dos olhos com areia e muita poeira;
  • Manter os olhos lubrificados.

Essas dicas são importantes não só para proteger a saúde dos olhos como um todo, mas também para reduzir a taxa de reincidência do pterígio após a cirurgia. Além disso, limitar a exposição ao sol ajuda a proteger também a saúde da pele.

Mesmo que qualquer cirurgia traga riscos, é importante tratar o pterígio, já que ele causa muita irritação, desconforto e pode até prejudicar a visão. Se esse for o seu caso, converse com um oftalmologista e decida com ele qual é a melhor alternativa para o seu problema e não hesite em cuidar da sua saúde.

Fontes e Referências Adicionais:

Você conhece alguém que tenha passado por uma cirurgia de pterígio? Tem necessidade dessa intervenção também? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Haroldo Vieira de Moraes Junior

Dr Haroldo se formou em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1981. Em seguida concluiu Mestrado em Oftalmologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1986 e Doutorado em Oftalmologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1994. Pos-Doutorado no National Eye Institute do National Institutes of Health (NIH/NEI) durante 1998/1999 e Livre Docente em Oftalmologia pela Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP (2001), atualmente é Professor Titular de Oftalmologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Oftalmologia clinica e cirúrgica, atuando como Coordenador de Pos-Graduacao em Oftalmologia com área de atuação em inflamação ocular (uveites, sarcoidose e toxoplasmose). Dr. Haroldo é uma referência profissional em sua área e autor de artigos científicos. Para mais informações, entre em contato com ele.

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5 comentários em “Cirurgia de Pterígio – Antes e Depois, Preço, Riscos, Recuperação e Cuidados”

  1. Boa tarde, fiz cirurgia a 28 dias, sinto o olho seco e no olho esquerdo esta alto no canto do olho,onde pele era grudada.

  2. Boa tarde, fiz cirurgia a 28 dias, sinto o olho seco e no olho esquerdo esta alto onde a pele to safe estava retira..

  3. Fiz cirurgia de pterígio há quase dois meses.A cirurgia foi tranquila, porém o pós operatório nem tanto.Nos três primeiros dias senti muita dor,quase não conseguia dormir.E durante uns vinte dias desenvolvi um tipo de fotofobia não conseguia enxergar direito.Agora quase dois meses depois já praticamente estou recuperada.Só lembrando que fiz a cirurgia nos dois olhos de uma só vez, talvez por a minha recuperação foi mais lenta.

  4. Boa tarde

    ja fiz cirurgia de pterigio tres vezes no mesmo olho e sempre volta queria saber se tem outro metodo que na volte mas