Quer Emagrecer? Gastar Calorias é Mais Eficiente que Restringir a Alimentação, Diz Estudo

Especialista:
atualizado em 27/02/2020

Todo mundo já deve ter ouvido falar ao menos uma vez que para perder peso ou manter um peso saudável e não engordar é necessário controlar a alimentação e evitar os alimentos cheios de calorias, açúcares e gorduras ruins.

Existem ainda as pessoas que aderem às dietas low carb, restringindo o consumo de carboidratos para estimular a diminuição do peso. Isso sem contar os adeptos do jejum intermitente, que intercalam horas sem comer com janelas de alimentação para favorecer o emagrecimento.

Independente do método escolhido, algo que já se sabia é que para reduzir o peso é necessário criar um déficit calórico, ou seja, consumir uma quantidade de calorias mais baixa do que o teor calórico queimado pelo corpo.

Entretanto, uma pesquisa do ano de 2015, publicada no The American Journal of Clinical Nutrition (O Jornal Americano de Nutrição Clínica, tradução livre) apontou que aumentar o gasto de energia (ou seja, de calorias) pode ser mais eficiente para diminuir a gordura corporal do que a restrição da ingestão de calorias.

Para chegar a essa conclusão, os cientistas selecionaram 162 adolescentes, 80 do sexo masculino e 82 do sexo feminino, e 91 mulheres em idade universitária – entre os 18 e os 20 anos de idade. Ao longo de duas semanas, ambos os grupos foram submetidos a avaliações referentes às suas taxas metabólicas basais, seus percentuais de gordura corporal.

O percentual de gordura continuou a ser avaliado durante os próximos três anos para o grupo das adolescentes e ao longo dos dois anos seguintes para o grupo das mulheres com idade universitária. Resultado: os cientistas identificaram que foi um baixo fluxo (gasto) de energia no corpo e não um excesso de energia (calorias) que previu futuros crescimentos nos índices de gordura corporal para os dois grupos.

“Além disso, o fluxo elevado de energia aparentou prevenir o ganho de gordura corporal, em parte porque estava associado a uma taxa metabólica de repouso mais elevada”, escreveram os pesquisadores.

É importante mencionar aqui que a taxa metabólica basal ou de repouso corresponde à taxa de queima de energia por parte do corpo enquanto ele encontra-se em um estágio de descanso completo.

Os cientistas também apontaram que os resultados observados no experimento são consistentes com a tese de que a regulação homeostática (processo de autorregulação do corpo para obter estabilidade enquanto se ajusta a condições ideais para a sobrevivência) do peso corporal é mais eficiente quando o equilíbrio de energia é baseado tanto em um gasto elevado de energia quanto em uma ingestão elevada de energia.

Para eles, isso oferece suporte ao conceito de que as dietas com restrição de calorias podem não ser ideais para a diminuição do peso, especialmente quando são combinadas com um nível baixo da prática de exercícios físicos.

“Um maior fluxo de energia também pode reduzir o ganho de gordura corporal porque o exercício reduz a resposta da região de recompensa do cérebro. O exercício agudo de alta intensidade diminuiu a resposta da região de recompensa e gustativa a imagens de alimentos de alta e baixa caloria, em comparação à resposta depois de uma condição sedentária. Além disso, os exercícios reduzem a preferência por alimentos ricos em gorduras, se comparado a uma condição de controle, sem exercícios”, completaram os pesquisadores.

Embora não tenham avaliado a atividade física dos participantes do estudo em questão, os cientistas destacaram que as descobertas insinuam que a prática frequente de atividade física pode ser essencial para o controle efetivo do peso em longo prazo.

Segundo os pesquisadores, isso dá sequência a evidências anteriores que apontam que o exercício é o melhor indicador de uma manutenção bem-sucedida da perda de peso. “O exercício diário pode atenuar e até mesmo prevenir aumentos no tecido adiposo visceral na presença da comilança em excesso”, descreveram.

Mas calma: essas conclusões não são tão definitivas assim

Os cientistas também alertaram que o estudo possui uma série de limitações. Uma deles é que eles não tiveram possibilidades o suficiente para detectar efeitos pequenos. Eles também ressaltaram que embora o fluxo ou gasto de energia, mas não o equilíbrio de energia, tenha previsto o futuro ganho de peso corporal em adolescentes de peso saudáveis e jovens adultas com um peso ligeiramente maior, os resultados podem não se aplicar a outros grupos populacionais como crianças e adultos mais velhos.

“Terceiro, porque nós não avaliamos repetidamente a ingestão total de energia e o gasto total de energia durante o acompanhamento, nós não pudemos confirmar a estabilidade temporal de fluxo de energia e de equilíbrio de energia ou testar se o fluxo baixo crônico de energia está associado com o ganho de futuro de gordura corporal e se o fluxo alto crônico de energia (está associado) com a perda futura de gordura”, ponderaram os pesquisadores.

Eles também afirmaram que não incluíram uma medida objetiva em relação à ingestão de macronutrientes, o que teria sido útil para determinar se os participantes que têm um alto fluxo de energia consomem alimentos com baixa densidade energética e com um perfil nutricional mais favorável do que aqueles com um baixo fluxo de energia.

“Quinto, nós não incluímos uma medida objetiva de atividade física, de modo que pudéssemos investigar o efeito da atividade física crônica na gordura corporal ao longo do tempo”, avisaram os cientistas.

Portanto, cuidado!

Não utilize os apontamentos da pesquisa como justificativa para deixar de cuidar da dieta e se jogar nos alimentos calóricos, de baixa qualidade nutricional, ricos em açúcar e/ou lotados em gorduras ruins.

Além dessa prática fazer bem mal para a saúde do organismo, não é exatamente isso que a pesquisa sugere, não é mesmo? O recado que podemos tirar dela é que a prática de exercícios físicos pode ser ainda mais importante do que imaginávamos para auxiliar a diminuir o peso corporal e que pode ser possível emagrecer sem restringir muito a dieta em termos de calorias.

Entretanto, enquanto aguardamos mais pesquisas sobre o tema para confirmar as conclusões do estudo, o conselho que fica é o de procurar um equilíbrio entre a dieta e a atividade física para emagrecer.

Isso significa manter uma alimentação saudável, equilibrada, nutritiva e controlada e praticar exercícios físicos com regularidade. Para assegurar que o processo seja eficiente e seguro é fundamental contar com o acompanhamento de nutricionista e do educador físico.

Fontes e Referências Adicionais:

Você costuma restringir calorias da alimentação ou praticar mais exercícios físicos quando deseja perder peso? Pretende mudar sua rotina agora? Comente abaixo!

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