Muitos podem não fazer essa associação, mas o exercício físico também tem uma relação direta com o funcionamento do intestino. Um estudo publicado no Journal of the International Society of Sports Nutrition mostra que a intensidade do treino pode altera de forma significativa a microbiota intestinal.

A microbiota intestinal, conjunto de trilhões de bactérias que vivem no trato digestivo, participa da digestão, regula o sistema imunológico e produz substâncias importantes para o equilíbrio do organismo. A intensidade do treino, então, seria capaz de modificar esse ecossistema interno.
O estudo acompanhou 23 remadores de alto rendimento, com idade média de 19 a 20 anos, comparando dois momentos distintos: um período de alta carga de treinamento, antes de competições, e uma fase de baixa carga, durante o descanso.
Diferenças entre treino pesado e leve
Durante as duas fases da pesquisa, os atletas forneceram amostras de fezes ao longo de 24 horas e registraram a alimentação. O experimento revelou que, no período de treino pesado, houve aumento nos níveis de butirato e propionato, dois ácidos graxos de cadeia curta produzidos pelas bactérias intestinais.
Tais substâncias são consideradas importantes para a saúde da mucosa intestinal e têm efeito anti-inflamatório. Ademais, a diversidade das bactérias foi maior durante a fase de alta carga.
Em termos científicos, maior diversidade costuma estar associada a um ambiente intestinal mais equilibrado. Também foi observada maior frequência de evacuação nessa fase, enquanto na etapa de descanso alguns atletas sequer produziram fezes nas 24 horas avaliadas.
Os cientistas destacam que a dieta também foi diferente entre os períodos, com melhor qualidade alimentar durante a fase de treinamento intenso.
Isso indica que as mudanças na microbiota provavelmente não se devem apenas ao exercício, mas ao conjunto de fatores que acompanham a rotina de treinos, incluindo alimentação e funcionamento intestinal.
Os pesquisadores utilizaram o termo “reprogramação” para descrever a mudança no perfil das bactérias conforme a carga de treino aumenta. Entretanto, o experimento não afirma se essas alterações são permanentes ou apenas respostas adaptativas do organismo ás novas demandas físicas.
Os dados reforçam que o intestino não é um sistema isolado. Ele responde rapidamente ás mudanças no estilo de vida. Quando o corpo é submetido a maior estresse físico, o ambiente intestinal também se reorganiza.
A pesquisa foi realizada com atletas de elite, mas os resultados reforçam uma ideia cada vez mais consolidada de que o exercício físico influencia não apenas a composição física e o sistema cardiovascular, mas também a microbiota intestinal.
Ainda são necessários mais estudos para entender se essas alterações impactam diretamente o desempenho esportivo ou a saúde a longo prazo. Ainda assim, o trabalho amplia a compreensão sobre como atividade física, alimentação e intestino estão interligados.








