Emoções Humanas São Afetadas Pelas Bactérias do Intestino, Segundo Estudo

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atualizado em 29/01/2020

Quanto mais descobrimos sobre as bactérias que vivem em nossos intestinos, mais nós percebemos como essas microbiotas podem ter impacto em todas as facetas de nossas vidas – e não apenas na nossa saúde física e bem-estar, mas nos nossos pensamentos e emoções também.

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Um novo estudo identificou associações entre dois tipos de microbiota intestinal e como eles afetam as respostas emocionais das pessoas, e os pesquisadores dizem que essa é a primeira evidência de diferenças comportamentais relacionadas à composição microbiana em seres humanos saudáveis.

Até agora, a maioria das pesquisas sobre como os organismos intestinais influenciam as emoções foi conduzida em animais, com cientistas descobrindo que a composição bacteriana do intestino de roedores pode ter um efeito sobre o comportamento dos animais.

Agora, uma equipe liderada pelo gastroenterologista Kirsten Tillisch na UCLA, EUA, mostrou que o mesmo tipo de associações parece estar afetando reações emocionais humanas.

Os pesquisadores analisaram amostras fecais de 40 mulheres saudáveis entre as idades de 18 e 55 anos. Quando as amostras foram analisadas, as participantes foram divididas em dois grupos com base em sua composição de microbiota.

Um dos grupos mostrou uma maior abundância de um gênero de bactéria chamado Bacteroides, enquanto o outro grupo demonstrou mais cachos de um gênero chamado Prevotella.

Em seguida, a equipe escaneou os cérebros das participantes através da ressonância magnética funcional, enquanto mostrava imagens projetadas para provocar uma resposta emocional positiva, negativa ou neutra.

O que os pesquisadores descobriram foi que o grupo com maior abundância de Bacteroides em suas bactérias intestinais apresentou maior espessura da matéria cinzenta no córtex frontal e nas regiões insulares que processam informações complexas – e também um volume maior do hipocampo, que é relacionado à memória.

Por outro lado, as mulheres com níveis mais altos de Prevotella demonstraram menor volume nessas áreas e maiores conexões entre as regiões emocional, de atenção e sensorial do cérebro.

Quando mostradas as imagens negativas, as participantes da Prevotella mostraram menor atividade no hipocampo – mas relataram níveis mais altos de ansiedade, angústia e irritabilidade depois de observar as fotos.

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De acordo com os pesquisadores, isso pode ocorrer porque o hipocampo nos ajuda a regular nossas emoções e, portanto, com menor volume de hipocampo – o que possivelmente está relacionado de alguma forma com a formação da microbiota intestinal – imagens negativas podem conter uma maior sensação emocional.

“O engajamento reduzido do hipocampo em imagens negativas pode estar associado a uma maior excitação emocional”, escreveram os autores em seu artigo.

É importante ter em mente que a amostra estudada aqui era muito pequena – um ponto que os pesquisadores admitem livremente em seu artigo, reconhecendo que serão necessárias novas pesquisas com um número maior de participantes para que possamos realmente entender o que está acontecendo.

Mas está claro que há alguma relação entre os organismos em nosso intestino e os pensamentos e sentimentos que experimentamos, e quanto mais cedo possamos entender isso, mais cedo perceberemos o quão emocionalmente poderoso é o nosso “segundo cérebro”.

Os resultados foram relatados em Psychosomatic Medicine: Journal of Behavioral Medicine.

Você acredita que nossas emoções podem realmente estar relacionadas à microbiota intestinal? O que achou deste estudo? Comente abaixo!

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