6 Alimentos que Causam Câncer Segundo a Ciência

Especialista:
atualizado em 04/03/2020

Uma prova de como o câncer é uma doença grave e indesejável é o fato do número de mortes provocadas por ela ter aumentado 31% em 15 anos por aqui no Brasil, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Segundo pesquisamos, o aumento em questão foi entre o período do ano 2000 até o ano de 2015 e o número de vítimas fatais em decorrência do câncer passou dos 223 mil. Ainda encontramos que o câncer é o segundo fator que mais provoca mortes no Brasil, perdendo somente para as doenças cardiovasculares.

Por isso, é fundamental fazermos tudo o que estiver ao nosso alcance para evitar que o nosso organismo desenvolva o problema, não é mesmo? Isso inclui ficar bem longe de alimentos que causam câncer apontados pela ciência. Vamos conhecer quais são alguns deles?

6 alimentos que causam câncer

1. Muita carne vermelha e muita carne processada

De acordo com informações da organização Cancer Research UK (Pesquisa de Câncer do Reino Unido, tradução livre), uma dieta rica em carne vermelha e carne processada pode aumentar os riscos de desenvolvimento de câncer no intestino.

Segundo a instituição, exemplos de carne vermelha são bife, carne de porco ou carne de cordeiro fresca, moída ou congelada e as carnes processadas incluem presunto, bacon, salames e salsicha/linguiça, por exemplo.

A organização revelou ainda que a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer classifica a carne processada como uma causa do câncer e a carne vermelha como uma causa provável de câncer. Ainda segundo o Cancer Research UK, o risco de câncer no intestino aumenta aproximadamente 17% para cada 100 g de carne vermelha consumida por dia e em cerca de 18% para cada 50 g de carne processada consumida diariamente.

A instituição disse ainda que no Reino Unido, o governo aconselha que as pessoas que consomem mais de 90 g de carne vermelha e processada diariamente limitem a ingestão do alimento para 70 g diárias.

Já as evidências que ligam à carne vermelha ao câncer na próstata e no pâncreas e a carne processada ao câncer de estômago ainda são consideradas incertas, completou a organização.

De acordo com o Cancer Research UK, as razões biológicas para a relação entre a carne processada e a carne e o câncer ainda não estão claras, porém é provável que substâncias químicas encontradas nos alimentos sejam um dos fatores por trás dessa associação.

2. Alimentos preservados com sal

O Cancer Research UK também informou que existe alguma evidência de que o consumo de comidas preservadas com sal pode elevar os riscos de desenvolvimento de câncer estomacal. Entretanto, a organização ressaltou que a maior parte dessa evidência vem de países como o Japão.

A instituição explicou que o sal poderia afetar o risco de ter câncer estomacal devido ao fato de danificar o revestimento do estômago e causar inflamação ou por tornar o revestimento do estômago mais sensível à ação de carcinógenos (substâncias que provocam o câncer).

Outra hipótese é que o sal poderia interagir com a bactéria Helicobacter pylori, que pode causar úlceras e câncer no estômago, completou a organização.

Porém, mesmo que a ligação entre o total de sal e o desenvolvimento do câncer não seja muito claro, isso não é motivo para consumir o ingrediente além da conta, já que muito sal pode aumentar a pressão arterial, o que aumenta os riscos de ter doença no coração ou acidente vascular cerebral (AVC), conforme indicou o Cancer Research UK.

Segundo o Portal do Departamento de Atenção Básica do Ministério da Saúde do Brasil, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda uma ingestão de no máximo 2 mil mg ou 2 g de sódio por dia, o que equivale a 5 g de sal.

3. Bebidas alcoólicas

Elas não poderiam ficar de fora da lista de alimentos que causam câncer porque quanto menos álcool uma pessoa consome, menor é o seu risco de desenvolver a doença, alertou o Cancer Research UK.

Segundo a organização, nenhum tipo de álcool é pior ou melhor do que o outro e o cenário fica ainda pior caso a pessoa também tenha o hábito de fumar.

Não são todas as pessoas que consomem álcool que desenvolvem o câncer, porém, os cientistas descobriram que alguns tipos de câncer são mais comuns em quem costuma beber, completou a instituição, que também informou que todos os anos o álcool é responsável por 4% dos cânceres no Reino Unido, o que corresponde a 12,8 mil ocorrências.

Os cânceres associados à ingestão regular de bebidas alcoólicas são: câncer de boca, câncer faríngeo, câncer de esôfago, câncer da laringe, câncer de mama, câncer no intestino e câncer no fígado.

A instituição explicou que dentro do nosso organismo o álcool se transforma em uma substância química tóxica chamada de acetaldeído, que pode provocar o câncer por danificar o DNA e impedir que as células reparem esse dano.

A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer classificou o acetaldeído formado pelo consumo de bebidas alcoólicas como uma das causas do câncer.

O acetaldeído faz com que as células hepáticas cresçam mais rápido do que o normal e essas células são mais propensas de pegar em seus genes essas mudanças que podem provocar o câncer, explicou a organização.

Além disso, o álcool pode aumentar os níveis de alguns hormônios como o estrogênio – os níveis anormalmente elevados desse hormônio aumentam os riscos de desenvolvimento de câncer de mama, informou o Cancer Research UK.

De acordo com a instituição, consumir muita bebida alcoólica danifica as células hepáticas, causando a cirrose, doença que torna a pessoa mais propensa a desenvolver o câncer hepático.

4. Pipoca de micro-ondas

Segundo o professor PhD e presidente do Centro Lautenberg de Pesquisa de Imunologia e Câncer na Universidade Hebraica de Jerusalém, em Israel, Eitan Yefenof, a pipoca de micro-ondas contém um composto tóxico chamado “diacytel”, que está associado ao câncer de pulmão.

Segundo encontramos, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos reconhece o ácido perfluoro-octanoico (PFOA) do revestimento do saco da pipoca para micro-ondas como provavelmente carcinógeno.

5. Salmão de viveiro

O alimento possui níveis maiores de contaminantes que são potenciais causadores do câncer.

O oncologista Steven Eisenberg recomendou trocar o salmão de viveiro pelo salmão de pesca selvagem e assá-lo com o azeite de oliva, que é conhecido por auxiliar a saúde do coração.

6. Comer demais a ponto de ficar com excesso de peso

O que temos aqui não é propriamente um dos alimentos que causam câncer, mas sim todo um tipo de alimentação que pode estar associada à doença. Quando uma pessoa comete excessos em sua dieta, come além da conta, consome muitos itens que provocam o aumento de peso e fica com o peso acima do ideal, ela sofre um perigo maior.

Isso porque, de acordo com informações da Associação Americana do Câncer, estar com excesso de peso pode aumentar em 52% o risco de morrer de câncer.

Considerações 

É importante ter um olhar crítico ao ler notícias a respeito de alimentos que causam câncer, especialmente se elas associaram uma comida já estabelecida como saudável como uma causadora da doença.

De acordo com o oncologista e professor assistente da Escola Médica da Universidade de Harvard, Jonathan Schoenfeld, enquanto alguns fatores realmente estão associados ao câncer, há relatos exagerados a respeito de supostos carcinógenos, o que pode confundir a cabeça dos pacientes.

Por isso, ele se uniu ao médico e especialista em credibilidade de pesquisa médica, John Ionnidis, para revisar a ciência por trás de alegações de que determinados produtos são carcinógenos.

Eles selecionaram aleatoriamente 50 alimentos e recolheram pesquisas que associassem esses itens ao câncer, relatou a publicação. O resultado? 80% dos alimentos selecionados por eles foram ligados ao câncer de alguma maneira.

Entretanto, também contou que quando os pesquisadores analisaram mais de perto essas pesquisas, a maioria dos estudos revelaram-se suspeitos.

Um grande problema encontrado por eles foi a inconsistência: por exemplo, algumas pesquisas associaram o café ao câncer, enquanto outras afirmaram que a bebida diminui o risco de câncer, relatou a publicação.

Ainda assim, eles encontraram alguns alimentos com uma consistência de resultados como bife, bacon, sal e açúcar, mas também relataram que esses estudos costumavam analisar pessoas que ingeriam esses produtos em quantidades extremas.

Schoenfeld disse que mesmo nesses casos, o aumento do risco de desenvolver câncer era pequeno, em torno de 1%.

Segundo o médico, quem deseja fazer todo o possível para diminuir ao máximo o risco de sofrer com câncer pode tentar limitar a ingestão dos alimentos que são consistentemente associados à doença.

Mas ele também disso que algo ainda melhor neste sentido é não fumar, não ingerir muitas bebidas alcoólicas, exercitar-se e manter um peso saudável.

Agora a nossa dica: toda vez que ler que um alimento foi associado ao câncer, pergunte ao seu médico se é verdade e mostre onde leu isso para que ele possa analisar se é uma fonte realmente confiável.

Vídeo:

Gostou das dicas?

Fontes e Referências Adicionais:

Você costuma consumir com certa frequência alguns destes alimentos que causam câncer listados acima? Pretende diminuir a ingestão de quais? Comente abaixo!

1 Estrela2 Estrelas3 Estrelas4 Estrelas5 Estrelas (2 votos, média: 5,00 de 5)
Loading...
Sobre Dra. Patricia Leite

Dra. Patricia é uma das nutricionistas mais conceituadas do país, sendo uma referência profissional em sua área e autora de artigos e vídeos de grande sucesso e reconhecimento. Tem pós-graduação em Nutrição pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, é especialista em Nutrição Esportiva pela Universidad Miguel de Cervantes (España) e é também membro da International Society of Sports Nutrition. É ainda a nutricionista com mais inscritos no YouTube em português. Dra. Patricia Leite é a revisora geral de todo conteúdo desenvolvido pela equipe de redatores especializados do Mundo Boa Forma.

Deixe um comentário

1 comentário em “6 Alimentos que Causam Câncer Segundo a Ciência”

  1. Pois é, tenho 82 anos de idade, somente me abstenho de consumir refrigerantes por serem sintéticos e não têm sabor anunciado em seus rótulos (não tomo nenhum líquido gelado, a não ser o champanhe, razão de identificar o verdadeiro sabor de cada tipo de refrigerante), evito consumir vegetais ricos em gordura vegetal, como carne vermelha (preferencialmente mal passada), não como frituras na rua, não uso óleos vegetais industrialmente processados (óleo CANOLA, óleo de soja, milho, girassol, etc.), tenho uma digestão regulada e não tenho câncer, embora tenha casos na família. Jamais sigo dietas ditadas aqui e acolá como milagrosas. Meu controle pressórico sempre corre em uma faixa de 125/115 por 65/55 e meu peso varia entre 72 a 74 kg para uma altura de 1,82 m. E sempre contesto a pregação religiosa vegetariana, com suas falsidades científicas não fundamentadas e de simples suposição!