Artrose Tem Cura? O Que é, Sintomas e Tratamento

Especialista:
atualizado em 01/04/2016

A artrose é uma doença crônica que atinge cerca de 20% da população mundial e já é a terceira causa de afastamento do trabalho no Brasil.

Também conhecida como osteoartrite ou artrite degenerativa, a artrose afeta as cartilagens e pode até mesmo levar à incapacitação. Hereditariedade, obesidade, diabetes e a própria idade são alguns dos principais fatores de risco associados à condição.

Mas a artrose tem cura? É possível prevenir a artrose ou não existe nada que possa ser feito?

O que é artrose?

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Especialistas definem a artrose como sendo um processo degenerativo que afeta as cartilagens. Como é possível ver na imagem da articulação do joelho logo acima, a cartilagem atua como um amortecedor entre dois ossos, impedindo que as estruturas entrem em contato e se desgastem.

Com o passar do tempo, como exemplificado na figura abaixo, essa cartilagem sofre um desgaste natural e os ossos entram em atrito.

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No início do processo de desgaste pode haver um inchaço e inflamação ao redor da articulação. A perda do amortecimento natural também causa dor e diminui a amplitude dos movimentos da articulação, resultando em rigidez e perda de mobilidade.

A artrose não é uma doença sistêmica, isto é, ela não se propaga pelo corpo, mas apenas afeta as articulações onde há um desgaste das cartilagens.

As articulações mais afetadas pela artrose são o joelho, quadris, coluna vertebral, mãos e dedos dos pés.

Diferença entre artrose e artrite

A artrose é o tipo mais comum de artrite, e muito embora tenham sintomas similares, as duas doenças diferem entre si.

Enquanto a artrose se refere a um desgaste das cartilagens pelo uso excessivo, a artrite é definida como uma condição que causa inflamação e inchaço nas articulações.

Sintomas da Artrose

Os sintomas da artrose possuem evolução lenta, mas tendem a piorar com o passar da idade. Além do inchaço na articulação afetada, outros sintomas da doença incluem:

  • Dor: a dor articular pode ser profunda e tende a piorar com determinados movimentos e também ao final do dia. Há casos em que a dor da artrose é quase constante;
  • Calor: a inflamação da região que sofreu desgaste cartilaginoso pode provocar um aumento da temperatura, facilmente notável ao toque;
  • Rigidez: a falta de uma “almofada” entre os ossos provoca uma rigidez nas articulações afetadas, sobretudo no período da manhã e após sentar-se por mais de 15 minutos;
  • Diminuição da flexibilidade: ocorre uma limitação na amplitude do movimento (pode ficar mais difícil dobrar o joelho, por exemplo);
  • Crepitação: há uma perceptível sensação de atrito ao mover a articulação;
  • Esporões: pode haver a formação de espículas ósseas (crescimento anormal de uma parte do osso) ao redor da articulação afetada;
  • Fraqueza muscular: a artrose não causa uma perda da função muscular, mas ao deixar de utilizar a articulação para evitar a dor, os músculos ao redor podem sofrer atrofia.

Causas da Artrose

A artrose pode ser tanto um resultado das décadas de uso da articulação como também de um trauma. É possível separar a osteoartrite em duas categorias:

  • Artrose primária: ocorre naturalmente com a idade, e tem como causa um aumento na quantidade de água e uma redução da porção proteica da cartilagem (a cartilagem fica menos sólida e mais suscetível a rupturas);
  • Artrose secundária: um outro fator ou doença causa a osteoartrite. Pode ser uma doença infecciosa, obesidade, fraturas ou microtraumas repetitivos.

O excesso de peso é uma das causas mais comuns da artrose, uma vez que a carga extra sobre a articulação tende a ir desgastando a cartilagem aos poucos.

No início da artrose, poderá haver apenas um pequeno sinal de desgaste, como pequenas rupturas ou fendas.

Caso não sejam tomadas precauções para desacelerar a degeneração, a cartilagem será cada vez mais afetada, chegando até o ponto em que praticamente não há mais nada que separa um osso do outro.

Fatores de risco para a artrose

A idade ainda é um grande fator de risco para a artrose. Se aos 45 anos 2 em cada 10 pessoas podem começar a apresentar sintomas da doença, esse número sobe para 8 em 10 acima dos 65 anos.

Outros fatores que aumentam a predisposição à osteoartrite:

  • Sexo: por motivos ainda desconhecidos, a artrose acomete mais a parcela feminina da população;
  • Obesidade: os quilos a mais são um fator de risco para a artrose por dois motivos. Primeiro, porque aumentam a pressão sobre as cartilagens que carregam mais peso, como os joelhos e os quadris.

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Depois, porque as células de gordura produzem determinadas proteínas que podem provocar uma resposta inflamatória na articulação com desgaste.

  • Lesões: acidentes e ferimentos (inclusive esportivos) que resultam em trauma na articulação elevam o risco de artrose;
  • Atividade profissional: determinadas ocupações exigem movimentos repetitivos das articulações, elevando o risco de dano permanente às cartilagens;
  • Hereditariedade: um histórico de artrose na família aumenta o risco para o desenvolvimento da condição;
  • Outros: deformidades ósseas, diabetes, outras doenças reumáticas (como a gota) e certas disfunções hormonais também são fatores de risco para a artrose.

Diagnóstico

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Caso esteja com dores em uma determinada articulação, ou então note que seus movimentos estão mais “travados”, procure ajuda profissional, evitando se automedicar.

Para fazer o diagnóstico de artrose o médico irá fazer um exame clínico completo, levando em consideração a presença de calor, aumento da sensibilidade e limitação do movimento da articulação.

Exames de imagem (radiografia e ressonância magnética) e testes de laboratório (exames de sangue e do líquido sinovial, por exemplo) podem ajudar a desconsiderar outras doenças com sintomas similares.

Artrose tem cura?

Embora pesquisas estejam sendo desenvolvidas no intuito de desenvolver um tratamento eficaz para reparar a integridade das cartilagens degeneradas, até o presente momento não é possível dizer que a artrose tem cura definitiva.

É possível reduzir o risco de desenvolver a condição e retardar o agravamento do quadro através de um cuidado com os fatores de risco e um controle dos sintomas da artrose.

Exercícios físicos, maior cuidado com articulações lesionadas, emagrecimento e redução dos movimentos repetitivos são algumas maneiras de diminuir o risco de sofrer com a osteoartrite.

Tratamento

Já que sabemos que não é correto dizer que a artrose tem cura, o seu tratamento ao menos tem como objetivo controlar a dor e os inchaços, retardar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida do paciente.

As terapias utilizadas irão depender do estágio da patologia, e podem ou não envolver o uso de medicamentos – e em casos extremos, cirurgia para corrigir a articulação.

1. Mudanças no estilo de vida

O primeiro passo para o tratamento da artrose é a mudança nos hábitos que podem estar acelerando o desenvolvimento da doença.

– Sobrepeso

Cada quilo a mais na balança representa uma pressão extra de 4 kg sobre os joelhos. De acordo com o Dr. Roy Altman, professor da Universidade da California, muitas pessoas vêem seus sintomas desaparecerem com uma perda de peso de apenas 4-8 kg;

– Atividade física

Até pouco tempo atrás se acreditava que os exercícios poderiam piorar os sintomas da osteoartrite, mas o que ocorre é exatamente oposto.

Atividades de baixo impacto – como natação, ciclismo e caminhada – ajudam a fortalecer os músculos, melhorando a estabilidade ao redor da articulação.

Já os exercícios que trabalham a flexibilidade – como yoga, Pilates, alongamento e Tai chi chuan – podem prevenir lesões nas articulações e melhorar a amplitude dos movimentos.

– Dieta

Uma alimentação com excesso de alimentos industrializados e pobre em vegetais pode aumentar as inflamações e piorar a rigidez articular.

Lembre-se de incluir no seu cardápio diário alimentos anti-inflamatórios, como salmão, azeite, soja, cereja, brócolis, frutas ricas em vitamina C e nozes. Gengibre, açafrão e chá verde também são ótimas adições à dieta para artrose.

Já as frituras, o açúcar e os laticínios em excesso podem aumentar as inflamações e devem ser consumidos com bastante moderação a fim de minimizar os sintomas da artrose.

– Suplementos

Pesquisas publicadas em renomadas revistas científicas têm demonstrado que a suplementação com condroitina e a glucosamina (substâncias naturalmente presentes nas cartilagens) pode trazer benefícios aos portadores de artrose.

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Cápsulas de óleo de peixe (ômega 3) e extratos insaponificáveis de soja e abacate também são eficazes no combate às inflamações e podem auxiliar no controle das dores articulares.

2. Terapias

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  • Fisioterapia: exercícios específicos indicados por um fisioterapeuta auxiliam no fortalecimento muscular e aumentam a proteção às articulações;
  • Acupuntura: testes clínicos demonstraram que a técnica milenar chinesa pode reduzir as dores causadas pela osteoartrite, além de também melhorar a rigidez das articulações.

3. Medicamentos

  • Analgésicos: remédios como o acetaminofeno (paracetamol) e a dipirona trazem algum alívio para as dores, mas têm efeito apenas temporário, uma vez que não reduzem as inflamações. Em casos mais severos de artrose, o médico pode prescrever analgésicos opioides, que reduzem as dores, mas podem provocar dependência;
  • Anti-inflamatórios não esteroides: como reduzem a inflamação podem acabar controlando as dores, mas causam dores no estômago e outros efeitos colaterais quando utilizados por um período prolongado. Ibuprofeno e naproxeno costumam ser os remédios mais utilizados no tratamento da artrose.

4. Cirurgia e outros procedimentos

Embora menos comum, já que não podemos dizer que a artrose tem cura, a indicação da cirurgia poderá ocorrer nos casos em que os tratamentos mais conservadores enumerados acima não surtem o efeito esperado.

Alguns dos procedimentos para restaurar as articulações lesionadas:

  • Artroplastia: substituição parcial ou total de uma determinada articulação por uma prótese (de plástico ou metal);
  • Osteotomia: realinhamento dos ossos para reduzir o estresse sobre a articulação;
  • Viscossuplementação: uso de injeções intra-articulares (infiltrações) de ácido hialurônico, uma substância encontrada naturalmente no líquido sinovial que lubrifica as articulações. Cada injeção pode trazer alívio para a dor por um período de até seis meses;
  • Cortisona: injeções do medicamento anti-inflamatório esteroide diretamente no local em que a cartilagem sofreu desgaste trazem alívio para a dor, mas em excesso podem danificar ainda mais a articulação.

5. Remédios naturais

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  • Garra do diabo: a planta medicinal é um poderoso anti-inflamatório natural e tem sido utilizada há muito tempo no tratamento da artrose. Faça um chá com os tubérculos da planta e tome duas ou três xícaras ao dia;
  • Alecrim: o chá preparado com a planta aromática contém antioxidantes que minimizam a resposta inflamatória do organismo;
  • Capsaicina: a substância que confere o sabor picante às pimentas tem ação anti-inflamatória e analgésica. O creme de capsaicina pode ser aplicado sobre a articulação afetada a fim de reduzir o inchaço e reduzir as dores.

6. Compressas

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A aplicação de compressa quente na articulação inflamada melhora a vascularização e pode reduzir as dores, controlando os espasmos musculares.

Para melhores resultados, aplique calor no local diversas vezes ao dia, sempre tomando cuidado para não queimar a pele.

Fontes e Referências Adicionais:

Você achava que a artrose tem cura? Já tentou algum destes tratamentos para minimizar os sintomas? Comente abaixo!

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Sobre Julio Bittar e Dra. Patricia Leite

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