Consumir brócolis regularmente pode ajudar na prevenção do câncer de mama, segundo um conjunto de estudos de grande porte com ais de 160 mil mulheres. O experimento foi apresentado por pesquisadores da Universidade de Harvard durante o congresso mundial sobre câncer de mama, em San Antonio, Estados Unidos.

Os compostos bioativos do brócolis atuam em diferentes frentes do desenvolvimento do câncer, criando uma espécie de “ataque coordenado”. “O interessante é que não estamos falando de um único mecanismo isolado, mas de uma espécie de ataque coordenado em várias frentes da carcinogênese”, explicou o oncologista Stephen Stefani, do grupo Oncoclínicas e da Américas Health Foundation, ao portal de notícias g1.
Dentre os efeitos, estão a redução da inflamação, a proteção do DNA e a autodestruição de células danificadas. “Eles diminuem a atividade de enzimas que transformariam essas substâncias em agentes capazes de causar câncer. Com isso, cai a chance de agressão direta ao DNA”, detalhou o profissional.
“Essas proteínas avisam: essa célula não está saudável. Se ela não se corrige, o caminho é a autodestruição”, completou.
Para aproveitar seus benefícios da melhor maneira, os especialistas recomendam consumir brócolis regularmente, sozinho ou junto a outros vegetais crucíferos, como couve-flor, couve e repolho. Preparos simples, como vapor rápido, salteados leves ou refogados rápidos, ajudam a preservar os compostos bioativos.
Ademais, é possível incluir o brócolis em sopas, omeletes, cremes ou saladas, garantindo variedade e sabor sem perder nutrientes. Ainda dá para potencializar os efeitos combinando o vegetal com alimentos ricos em vitamina C, como o pimentão e o limão, que auxiliam na absorção dos antioxidantes.
Embora o consumo de brócolis seja um aliado, ele não substitui cuidados médicos. A prevenção envolve manter peso adequado, praticar atividades físicas, evitar tabagismo e álcool em excesso, além de realizar exames de rotina.
Stefani salienta que a alimentação é uma ferramenta poderosa de prevenção, mas deve estar inserida em um estilo de vida saudável num todo.
Como foi feito o estudo
Para investigar a relação de forma mais direta, os pesquisadores analisaram dados de duas grandes coortes: o Estudo de Saúde das Enfermeiras, que acompanhou 76.713 mulheres entre 1984 e 2019, e o Estudo de Saúde das Enfermeiras II, com 92.810 participantes monitoradas de 1991 a 2019.
A avaliação das voluntárias foi avaliada por questionários de frequência alimentar validados, aplicados no início do estudo e atualizados a cada quatro anos ao longo do acompanhamento.
Os pesquisadores utilizaram modelos estatísticos avançados para estimar a associação entre a ingestão média cumulativa de vegetais crucíferos, o consumo total e específico de glucosinolatos e o risco de câncer de mama invasivo, incluindo seus diferentes subtipos. Foram considerados vegetais como brócolis, repolho, acelga, couve-flor, couve-de-bruxelas, couve e mostarda.
Foram identificados 11.181 casos de câncer de mama invasivo nas duas coortes. Mulheres que consumiam mais de uma porção diária de vegetais crucíferos, no entanto, apresentaram um risco significativamente menor da doença quando comparadas àquelas que ingeriram menos de uma porção por semana. Mesmo após ajustes na quantidade geral da dieta, a associação protetora se manteve, ainda que de forma um pouco mais discreta.
Outro dado interessante surgiu quando os pesquisadores levaram em conta o índice de massa corporal, ou IMC. A associação protetora foi mais evidente em mulheres com IMC abaixo de 25.
Em conjunto, os dados fortalecem ainda mais a ideia de que aumentar o consumo de brócolis, couve e outros vegetais crucíferos pode ser uma estratégia simples, acessível e potencialmente eficaz para reduzir o risco de câncer de mama, especialmente quando integrada a um padrão alimentar equilibrado ao longo da vida.








